Distopia do parto

“Quando o absurdo se torna a regra nós perdemos a capacidade de perceber o quão distante estamos do normal. No Brasil se alguém relatasse que um hospital tem 70% de partos vaginais todos soltariam foguetes e comemorariam, mas isso significaria também que a taxa de cesarianas deste mesmo hospital estaria entre o DOBRO e o TRIPLO do valores recomendados pela OMS. Que fique claro: este lugar sequer existe.

A atenção ao parto inserida na medicina e no capitalismo produziu um monstrengo que, de tão deformado, impede que se perceba sua forma original. Uma construção social feita da matéria prima dos medos, controle social e submissão, envolta no tecido puído e desgastado do patriarcado decadente. Ou, seguindo a ideia de Baudrilhard, um mundo material que desapareceu deixando em seu lugar apenas um mapa, imagem deformada da verdade, que desenhamos de acordo com nossas conveniências egoísticas. O real desapareceu para fazer surgir uma distopia autocida.”

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Arquivado em Ativismo, Parto

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