Sobre cotas raciais na residência médica

Apoiado. Chega de termos apenas médicos brancos no Brasil. Seria muito bom termos mais especialistas não brancos para que seja criada uma nova perspectiva, com maior diversidade e representatividade na Medicina. Essa iniciativa produziu uma grande transformação no colorido das Universidades durante os governos progressistas. Creio que ela teria a possibilidade de produzir o mesmo efeito na residência médica, mas também no Ministério Publico e no Judiciário e outras profissões. Promotores e juízes não brancos fazem falta. Esse tipo de iniciativa – chamada de discriminação positiva ou “affirmative action” – por certo é uma estratégia limitada no tempo. Deve perdurar até até se crie uma cultura e uma estética novas nestes setores. Depois podemos voltar ao modelo simplificado.

Lembrando que só os ingenuos acreditam que a estratégia de cotas é a solução para a exclusão. Negativo; a exclusão só vai acabar com a revolução socialista e o fim da sociedade de classes, mas dentro do capitalismo decadente pode trazer algum auxílio, como pode ser visto na mudança do perfil nas universidades.

Entretanto, é importante ler os estudos sobre “perfil de entrada e saída” que foram produzidos nos últimos 20 anos de experiência com cotas no Brasil. Eles mostram que, sim, o perfil de entrada dos cotistas é inferior ao dos não-cotistas, mas esse perfil equaliza e até sofre reversão em muitos cursos no perfil de saída. Quem afirma que essa medida diminuirá a qualidade dos médicos está errado ou, ao menos, não está usando dados científicos para produzir seu juízo.

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