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Antipolítica

A tese mais antiga que me acostumei a escutar no debate político é a tradicional “antipolítica”, típico discurso da direita travestido de niilismo. Nesta tese, todos os políticos são iguais. Se um dia foram pessoas normais a política destruiu seus princípios e sua honestidade, tornando-os ruins e corruptos. “O Poder corrompe”, diriam eles como inaudita novidade. Aliás, esse é o discurso bolsonarista clássico, que deseja tratar todos como se fossem iguais, mas não apenas isso: a política é uma só, esquerda e direita são ilusões, e só o que vale são os desejos mais egoísticos de quem assume o poder. Toda a classe política não passa de “peças no grande jogo de xadrez”, controlado alhures, por forças invisíveis (o comunismo internacional? George Soros?) o que torna o ato de votar em uma ação inútil e ridícula. “O jogo já está jogado”, dizem.

São os mesmos que, sendo incapazes de mostrar os crimes de Lula, apontam para o inquérito conduzido pelo juiz corrupto Moro, uma peça fraudulenta que o acusou de….. nada. Nem objeto do roubo está descrito (o famoso “objeto indeterminado”), já que o Triplex não poderia ser dado a ele porque sequer pertencia à OAS. São os mesmos que apostam nas fake news de “roubos do BNDEs”, mesmo quando o próprio Bolsonaro desistiu dessa fantasia. São eles que chamam Lula de ladrão sem JAMAIS mostrar um delito seguido de uma prova. Estes indivíduos (note que não estou fazendo julgamentos morais) acreditam que o Brasil deveria ser controlado por “técnicos”, sujeitos “neutros”, longe de “ideologias”, trabalhando pelo bem comum tendo a luz do “positivismo” como norte. Ou seja…. gente de direita, e até fascistas, como se pôde observar no governo de Bolsonaro.

Não há como continuar aceitando este tipo de discurso. Durante as eleições eles se uniram à turma do “nem-nem“, como que a chamar a todos nós de “massa manipulável”, já que nada poderia ser feito diante da desonestidade essencial e inexorável que existe na política e nos partidos. Arautos do apocalipse, sinalizam com a igualdade entre Bolsonaro e Lula, mas pretendem ser infensos às disputas, posto que se consideram “neutros e realistas”.

Não são; em verdade são agentes – mesmo sem o saber ou desejar – do conservadorismo mais reacionário e mais tacanho. Apostam no imobilismo e na inação como resposta…. mas acabam votando nos candidatos da direita mais abjeta por “praticidade”, ou porque acreditam serem os “menos piores”.

Essa não…. esse discurso está caindo de velho e não cabe mais nas sociedades que pretendem emergir do subdesenvolvimento no século XXI.

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