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Selvageria

Qualquer generalização no campo da interpretação dos sintomas pode cair na vala profunda da selvageria – mesmo quando correta. O diagnóstico não pode servir como julgamento ou condenação sumária, por mais que alguma teoria metafísica nos seduza nesse sentido. Uma consulta não pode se transformar em uma brincadeira de adivinhação.

É preciso entender que o cuidado com os pacientes – em especial as grávidas em suas fragilidades – requer uma atenção amorosa, isenta de preconceitos e sem julgamentos de ordem moral. As ferramentas diagnósticas e mesmo a visão ampla e psicossomática da doença não podem ser instrumentos de tortura medieval, imputado culpas e criando ressentimentos.

Mesmo que os sintomas, quaisquer que sejam eles, nos permitam inferir suas origens emocionais ou psíquicas, não cabe aos profissionais usar este conhecimento como arma. A prática do cuidado não pode ser o exercício da crueldade.

Se as terapias de qualquer tipo são “fraternidade instrumentalizada” então qualquer palavra, ato ou silêncio de um terapeuta só podem ser guiadas pelo sentido do cuidado amoroso. Sem esse guia perdemos toda a dimensão humana e fraterna da arte de curar.

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Diagnósticos

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A respeito de diagnósticos cruéis…
(Um tema que deveria ser mais explorado)

Existe um conceito que eu penso ser muito relevante quando tratamos de avaliações, exames e tratamentos: a ação médica tem como ÚNICO objetivo o auxílio ao paciente. Essa ideia deveria estar na mente de todo o cuidador em qualquer aspecto de seu ofício. A Medicina é uma das possíveis expressões da “fraternidade instrumentalizada”, não uma fábrica de certezas. A Verdade, por si só, é pouco importante para o sujeito que sofre sem que a possibilidade de ajuda se mantenha no horizonte.

Exercer a crueldade de um diagnóstico – que rouba ao paciente a derradeira esperança – em nome da “verdade” ou de um “diagnóstico certeiro” não é Medicina, mas o exercício da desumanidade em nome de um falso ideal de excelência técnica.

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