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Ódios liberados

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Para algumas pessoas os desastres que mancham de sangue as manchetes lhes oportunizam o exercício do ódio sem interdição. As vezes, quando vejo suas manifestações, é impossível não notar o gozo em concentrar toda a sua indignação e raiva em uma única pessoa. Em um mundo dominado pela passionalidade e pelo império da correção política a racionalidade e a sinceridade são perigosas armas de conscientização de massas. Alie-se a isso o bom humor e teremos um perigoso terrorista. Precisam, portanto, ser exterminadas para o bem da sociedade. A realidade e a verdade sucumbem na Guerra das Causas.

Dimitri Ustalov em “O processo de Igor Narachev”, página 135, capítulo “O inverno da Sra. Ivanov”

Dmytro Ustalov foi um poeta e ensaísta Ucraniano nascido em Makevka, em 1886. Foi o líder do grupo literário “Os renegados” que lançou o jornal de poesia e crítica chamado “Удар в обличчя” (Patada na Cara, em tradução livre). Dimitri atuou na Revolução Ucraniana ou Revolução Makhnovista, que foi um movimento revolucionário guerrilheiro de orientação anarcocomunista, liderado por Nestor Makhno, que ocorreu em paralelo à guerra civil russa, de 1918 e 1921. Nos combates feriu-se na perna e nunca se curou plenamente do ferimento, por isso muitos o chamavam de “Dimitri, o manco”. Escreveu especialmente poesia e crítica literária, tendo uma vasta produção na primeira metade do século XX. “O Processo de Igor Narachev” (“Процес Ігоря Нарачева”) é o seu livro mais famoso e inspirou vários escritores da moderna literatura ucraniana.

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Poderes

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“O poder médico, que se expressa através do discurso e da ideologia do risco, assim como as ameaças veladas sobre o bem estar do bebê, têm um poder imenso de convencimento sobre as pacientes, em especial no final de uma gestação, onde as fragilidades e os temores estão à flor da pele. Muito mais do que o sistema de crenças e sua sustentação nas evidências – ou não – os exageros e violências vão ocorrer pela própria imponência da figura do terapeuta sobre o sujeito que sofre no embate transferencial que se estabelece.”

Dimitri Ustalov, “In hoc signo vinces”, ed Pompéia, pag 135

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