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Convicções

Imagine que você viajasse no tempo e encontrasse Hitler frente a frente, no período imediatamente anterior “Putsch da Cervejaria”, em Munique. Diante de si estava o jovem cabo do exército com seus bigodes longos e seu olhar penetrante, que em poucos anos seria um dos maiores carrascos da humanidade. Ao ver o homem responsável por milhões de mortes você imagina que o extermínio deste único homem poderia poupar a vida de milhões de europeus envolvidos na guerra que estava para irromper.

Movido por esta convicção você mata o jovem Hitler, mesmo sabendo que estava executando um homem absolutamente inocente de qualquer crime até então cometido. Fez isso por convicção de que aquele SUJEITO – e não seus atos – merecia ser punido com o extermínio.

Aliás, Esse é um problema comum nos filmes de ficção sobre o tempo: a ideia de que existe linearidade temporal e que, retirando-se um elemento qualquer, todos os outros se manteriam intactos. Na verdade, se Hitler fosse eliminado, outro ocuparia seu “lugar histórico” para cumprir semelhante destinação. Havia realmente um solo de indignação e inconformidade no seio da nação alemã desde o final da primeira guerra mundial. Quem sabe com menos ódio vermelho não invadiria a Rússia e hoje teríamos uma Europa germânica. Por outro lado, poderia ter terminado a guerra bem antes, poupando vidas e evitando a entrada americana no combate. Com isso não haveria se desenvolvido o mesmo império que hoje testemunhamos no “irmão do norte”. Porém, poderia ser um líder ainda mais sanguinário e a treva que caiu sobre o planeta ainda hoje se manifestaria a escurecer nosso horizonte. Como saber?

(In)Felizmente não existem viagens ao passado, e o presente é essa fatia fina de tempo com o qual nossas ações se fazem possíveis. Para nós, qualquer ideia de um futuro é projeção estatística, adivinhação ou misticismo. Assim, uma condenação só poderia se dar diante de fatos, comprovações e evidências e não a partir das convicções de malucos e justiceiros empunhando a bandeira da (sua) Verdade e trazendo nas mãos uma arma, convencidos de que a barbárie que se obrigam a cometer salvará o mundo da perdição.

Não esqueçam que o próprio Führer, dentro sua lógica doentia, também imaginava estar depurando o mundo das suas mazelas, e para isso não poupou os inimigos das piores sentenças.

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