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Justiceiro

As prisões não precisam ser “colônias de férias”, por certo, mas igualmente não podem ser as masmorras medievais, imundas, superlotadas e desumanas que caracterizam o sistema prisional brasileiro. Inobstante os crimes que tenham cometido, todos os brasileiros – até os golpistas bolsonaristas – têm direito a um tratamento digno garantido pelo Estado. Não há desculpa pelo descaso com quem cumpre pena, e nada justifica que prisioneiros sejam tratados de forma humilhante. O Estado precisa dar o exemplo e não pode ser mais criminoso do que aqueles cidadãos que cometem delitos.

Quem aplaude as ações de Alexandre apenas porque ele agora aparece ao lado da civilização, mais cedo ou mais tarde perceberá que sua índole é punitivista e autoritária. Esse filme eu já vi: “cria cuervos y ellos te comerán los ojos”. Passada a urgência dos levantes fascistas e, na primeira oportunidade, o ministro todo poderoso vai agir como na Lava Jato ou na prisão de Lula: um agente do poder militar e um direitista embriagado pelo poder.

Não se deixem enganar pela máscara democrática que estes vingadores vestem. O voto de Alexandre a favor da prisão criminosa de Lula ainda está presente em minha memória. Não será essa a verdadeira persona do ministro, enquanto o justiceiro de agora é tão somente seu disfarce e sua estratégica dissimulação?

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Convicções

Imagine que você viajasse no tempo e encontrasse Hitler frente a frente, no período imediatamente anterior “Putsch da Cervejaria”, em Munique. Diante de si estava o jovem cabo do exército com seus bigodes longos e seu olhar penetrante, que em poucos anos seria um dos maiores carrascos da humanidade. Ao ver o homem responsável por milhões de mortes você imagina que o extermínio deste único homem poderia poupar a vida de milhões de europeus envolvidos na guerra que estava para irromper.

Movido por esta convicção você mata o jovem Hitler, mesmo sabendo que estava executando um homem absolutamente inocente de qualquer crime até então cometido. Fez isso por convicção de que aquele SUJEITO – e não seus atos – merecia ser punido com o extermínio.

Aliás, Esse é um problema comum nos filmes de ficção sobre o tempo: a ideia de que existe linearidade temporal e que, retirando-se um elemento qualquer, todos os outros se manteriam intactos. Na verdade, se Hitler fosse eliminado, outro ocuparia seu “lugar histórico” para cumprir semelhante destinação. Havia realmente um solo de indignação e inconformidade no seio da nação alemã desde o final da primeira guerra mundial. Quem sabe com menos ódio vermelho não invadiria a Rússia e hoje teríamos uma Europa germânica. Por outro lado, poderia ter terminado a guerra bem antes, poupando vidas e evitando a entrada americana no combate. Com isso não haveria se desenvolvido o mesmo império que hoje testemunhamos no “irmão do norte”. Porém, poderia ser um líder ainda mais sanguinário e a treva que caiu sobre o planeta ainda hoje se manifestaria a escurecer nosso horizonte. Como saber?

(In)Felizmente não existem viagens ao passado, e o presente é essa fatia fina de tempo com o qual nossas ações se fazem possíveis. Para nós, qualquer ideia de um futuro é projeção estatística, adivinhação ou misticismo. Assim, uma condenação só poderia se dar diante de fatos, comprovações e evidências e não a partir das convicções de malucos e justiceiros empunhando a bandeira da (sua) Verdade e trazendo nas mãos uma arma, convencidos de que a barbárie que se obrigam a cometer salvará o mundo da perdição.

Não esqueçam que o próprio Führer, dentro sua lógica doentia, também imaginava estar depurando o mundo das suas mazelas, e para isso não poupou os inimigos das piores sentenças.

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