A Internet de todos nós

 

A internet mostra o pior e o melhor de todos nós. Todos ficamos estupefatos com a realidade da pedofilia, problema social que sempre existiu, mas que a Internet tornou uma calamidade global. Entretanto, ela só apareceu porque agora os pedófilos podem ficar incógnitos atrás do manto protetor do anonimato. Os perversos de toda ordem encontram abrigo nas ondas cibernéticas da rede, fazendo dela um escoadouro de suas mazelas pessoais, disseminando rancor, mágoa e violência. Os exemplos estão por toda parte. Qualquer matéria criminal produz de imediato uma onda de ódio, raiva, violência e clamores por vingança (que as pessoas normalmente confundem com “justiça”). Basta ler uma matéria nos jornais, com reportagens interativas, para ver os comentários.

Há algumas semanas, diante da notícia de um jovem de 20 anos que morreu de acidente de automóvel durante a madrugada, eu li alguns comentários, logo abaixo do corpo da informação. O primeiro deles era: “Já vai tarde, bêbado“…

Argumentei com o cidadão de que ele não sabia as circunstâncias do acidente, e mesmo que fosse o que ele acusava, deveria se lembrar que havia uma família enlutada, sofrendo o martírio da perda de um filho, um irmão e um amigo. Ler essas palavras, ditas por um estranho e alguém que não tinha suficientes informações para acusar dessa maneira, poderia ter um efeito terrível aos olhos de quem conhecera a vítima. Recebi do sujeito uma série de gargalhadas como réplica. Os reacionários, os perversos, os machistas, os grosseiros, os pedófilos e tantos outros doentes encontraram na escuridão da internet – pela primeira vez na história em grande escala – a possibilidade de externar seu ódio, seu preconceito e seus desejos descontrolados.

Por outro lado, nunca houve tanta disseminação de afeto, boa informação, debate sério, contraditório e discussão “do bem”, o que nos deixa com uma ferramenta que, por ser meramente utilitária, pode nos levar para a paz ou para a violência. Nós é que escolhemos.

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