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Perdoar…

“Perdoar é construir empatia, e não uma manifestação pública de superioridade”.

Perdão não é um sentimento que se possa cobrar de alguém, nem de nós mesmos. Se o perdão significa a conexão profunda com o sentimento de empatia fica claro que se trata de uma construção pessoal e subjetiva. Desta forma, interno, jamais externo. É uma porta que só pode ser aberta por dentro.

Perdoar não trata de uma manifestação arrogante de superioridade, mas da busca por compreender os alicerces que levam um sujeito a cometer um ato egoístico e maléfico. Perdoar é entender.

Qualquer terapia deveria, eventualmente, chegar a essa compreensão superior sobre o mal recebido. Por certo, que o ódio e a indignação podem ter – e frequentemente têm – um efeito apaziguador para a vítima de qualquer malefício, mas não há dúvida que esses sentimentos são úteis apenas por um determinado período de tempo. Manter-se sintonizado indefinidamente na vibração do ódio destrói e aniquila qualquer sujeito. “O ódio é um ácido que corrói o próprio frasco que o contém”…

Portanto, estes sentimentos precisam ser transformados para que possam produzir um efeito libertário, e não há dúvida que isso demanda tempo para maturação.

Não se trata de um sentido religioso sobre o perdão, mas transcendental. Significa enxergar no outro o que nos conecta e torna similares, ao invés de enxergar nele apenas o estrangeiro e o diverso. Aliás, quando falo dessa concepção de perdão isso significa e inclui o auto perdão; é preciso entender-se para poder se perdoar.”

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Ódio motriz

Não, ódio não é o caminho.

Mais do que uma força exonerativa o “ódio é um ácido que corrói o próprio frasco que o contém” e por isso mesmo nenhum movimento social sobrevive a ele. Durante minha vida vi muitas pessoas morrerem de ódio, consumidas física e psicologicamente por um rancor incoercível. O ódio, por ser um poderoso motivador, nos joga à frente e com intensa propulsão, porém de forma desordenada e cega. Apostar no ódio é garantia de fracasso em longo prazo, mesmo quando ele é capaz de aliviar angústias ao apaziguar nossas contradições.

Falo do “sentimento de ódio”, que ajuda a aliviar as tensões e não vejo razão para que seja bloqueado, em contraposição ao “projeto de ódio” que é quando investimos pesado nesse sentimento, para funcionar como elemento agregador; é quando o ódio é a força que nos une.

Aliás, os movimentos sociais amadurecem quando aos poucos abandonam o ódio como “cola” de integração entre seus defensores. Tornam-se adultos quando percebem que não existe nenhuma diferença essencial entre as pessoas que combatemos e nós mesmos, e nossas diferenças são tão somente contextuais e circunstanciais. É exatamente quando enxergamos a humanidade em quem combatemos que percebemos o vazio de nosso ódio.

Sting nos anos 80 cantava uma música típica da Guerra Fria – e do medo do Armagedom nuclear – chamada “Russians“, onde dizia “I hope the Russians love their children too”, e na qual ele reafirmava sua fé na humanidade pois sabia que mesmo aqueles que aparentemente são tão diferentes de nós compartilham conosco o amor por seus filhos – que nada mais é que o próprio amor pela vida e a esperança no futuro.

Eu sei o quanto o ódio pode ser mobilizador, mas não tenho dúvida alguma do quanto ele é capaz de destruir boas ideias e belos projetos.

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O ódio

O texto de uma defensora de Bolsonaro – médica da minha cidade, de uns 60 e poucos anos – atacando uma crônica de Marta de Medeiros (“Salvos pelo Atraso” – Jornal Zero Hora, 22/02/20) nos ajuda a entender os intrincados mecanismos de ódio presentes no psiquismo dos (e das) bolsonaristas e outros elementos da extrema direita que saiu do armário a partir dos movimentos de 2013.

A manifestação raivosa e ultrajada parte de uma perspectiva típica de classe média alta, centrada sua na visão particular e elitista de mundo, sem considerar que esta parcela – ou bolha – na qual circulam neste país não soma mais do que 20% da nossa população. Chama à atenção igualmente o uso dos velhos chavões com os quais acusam o ex-presidente Lula, chamando-o de “cachaceiro”, “ladrão”, “semialfabetizado”. Não se furta de repetir as fake news que falam do envio de dinheiro para países marcadamente de esquerda, como Cuba e Venezuela – mesmo depois que estas notícias plantadas pelos robôs da direita foram clara e amplamente desmentidas pela auditoria contratada pelo próprio governo atual.

As agressões à “presidentA” (é assim que se referem a ela) Dilma também seguem o mesmo roteiro de ofensas sem sentido (sim, é possível estocar a energia dos ventos) e uma combinação de misoginia com o clássico preconceito de classe. Como aceitar que uma mulher honesta seja representante de um país e tenha a audácia de pensar nos desfavorecidos? Inadmissível…

No fundo, o que sempre transparece é o desprezo pelo pobre e pelo negro. O nojo dessa classe pelo próprio brasileiro, pela nossa cor mestiça, pela nossa arte, nossas festas, nossos personagens, nossa música e nossa cara. Desprezam o carnaval exatamente por ser uma festa de “vagabundos”, sem entender a profunda vinculação do nosso povo com esta festa e a enorme quantidade de trabalho e renda que ele representa para milhões de pessoas.

O drama se faz agudo e histérico porque esses sujeitos brancos se sentem ameaçados por esta “nação mulata”, prisioneiros em um “enclave de branquitude”, avessos ao mundo de diversidade que os rodeia – e os ameaça. Nunca foi a economia, a fala popular de Lula ou as gafes de Dilma que produziram tanto ódio; foram o racismo, a síndrome da Casa Grande e a ferida ainda aberta da escravidão que os fez odiar tanto qualquer um que represente o Brasil profundo.

É o nojo do diferente e a ilusão de superioridade que tanto os motiva. É o desejo de “ser como era antes”, quando todos sabiam seu lugar. É a saudade da subserviência de tantos negros, migrantes, pardos e pobres, outrora acostumados à fidelidade trocada por migalhas.

Para estas pessoas, atreladas a um passado de desprezo pelos de baixo, o Brasil fraterno precisa responder, mesmo que a energia da indignação seja a força motriz para levar adiante essas necessárias mudanças.

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Linchadores

Na internet há sempre um linchador de plantão cheio de esqueletos escondidos no armário e pronto para jogar acusações vazias em algum personagem. Assim o faz para que este pobre sujeito possa absorver suas culpas e aliviar suas angústias.

Zoe Papaniakos, “Media, Love and Hate”, Ed. Jasper, pag 135

Zoe Papaniakos é uma romancista grega nascida em Atenas, tendo estudado jornalismo nos Estados Unidos na Duke University, no Texas. Atualmente escreve artigos sobre feminismo, costumes e identitarismo numa perspectiva crítica, em especial ao “woke generation” e a “cultura do cancelamento”.

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Geração afascistada

Parabéns seus véios fascistinhas

Vejo entristecido uma quantidade enorme de idosos (véios, tipo eu) defendendo os desmandos dessa banda do judiciário que não aceita as nossas leis e sua aplicação. São pessoas entre 55 e 65 anos que, como eu, estavam na adolescência durante a ditadura sangrenta de meio século atrás. Então eu me pergunto: quando eu estava levando porrada de “brigadiano” na frente da faculdade, o que essa turminha de direitistas e conservadores fazia durante a ditadura de 64? Buscavam o quê? Eram contra os militares? Ou apenas brincavam de rebeldes, travestis de combatentes em corpos constituídos de privilégios e conservadorismo?

Posso dizer que certamente não lutavam pela volta da democracia, tanto é que agora desprezam a Constituição e os princípios da justiça. Tenho certeza que – mesmo usando camisetas do Che – mais se preocupavam em manter seus privilégios de classe e cor, pouco se preocupando com o resto do país que tinha fome e desassistência.

É uma lástima perceber que hoje, entre as pessoas da minha geração, o ódio às esquerdas e à justiça social – corporificada na perseguição a um líder popular preso sem provas – é maior e mais intenso que o amor à justiça e à democracia.

O que houve com minha geração que perdeu seus ideais, seus sonhos sua paixão e até sua humanidade?

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