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Lula

Quanto mais se aproxima o dia das eleições para a presidência da República mais aparecem os velhos ataques ao candidato Lula, e o mais frequente é chamá-lo de ladrão. Estes ataques são ferozes e irracionais, infensos à qualquer abordagem racional. Todavia, o ódio a Lula diz muito mais de quem o odeia e despreza do que do próprio presidente. Outra tática comum que volta a ser utilizada é de descontextualizar as falas de Lula. Em uma delas Lula diz que “O pobre no Brasil sempre foi visto como número e como papel higiênico: usa-se e joga fora”. Ora, Lula estava criticando a postura histórica dos governos burgueses em buscar as populações desassistidas apenas na época das eleições. Foi exatamente contra isso que os governos de esquerda se rebelaram: a ideia de que essa gigantesca massa deveria continuar votando para eleger representantes da burguesia.

Outra crítica é dizer que Lula é condescendente com o crime, acusações estas que sempre são feitas contra os candidatos de esquerda, em especial aqueles que defendem os direitos humanos. Pois quando Lula contextualiza o roubo e outros delitos ele também acerta. Sim, o ladrão rouba para ter um dinheiro que o capitalismo lhe sonega. É para tomar uma cerveja com os amigos, fazer festa, se divertir, comer e vestir-se bem. Isso não significa justificar o roubo ou o crime, mas entender porque a sociedade capitalista – onde o sucesso está atrelado ao consumo – produz humilhação e frustração em níveis industriais entre aqueles setores da sociedade que são alijados do poder de consumir.

Mas é óbvio que a direita tenta forçar desta narrativa moralista, nos fazendo crer que um país se divide entre as pessoas de “bem” e as pessoas do “mal”, como se os sistemas econômicos fossem irrelevantes diante da “bondade” ou da “maldade” dos sujeitos sociais – uma tese que corre solta entre os religiosos, que (não por acaso) acreditam que, inobstante todas as ações malévolas que fazem, estão no polo positivo da disputa, pois acreditam em Jesus, fazem o sinal da cruz e dão esmolas para os “preguiçosos” na rua.

É contra essa perspectiva tacanha que o planeta precisa se insurgir. Combater essa visão moralista, alienante e tola é um dever de todas as pessoas que desejam um mundo justo e fraterno, mas isso só pode ocorrer com um elemento fundamental, ao qual os detentores do poder insistem em esconder: a consciência de classe. Votar na direita significa apoiar o “centrão” (aquele que Bolsonaro desprezava e acabou abraçando), dar suporte às elites e estimular o neoliberalismo concentrador de renda que deseja transformar o Brasil no grande Fazendão sonhado pelos conservadores.

As pessoas que insistem em chamar Lula de ladrão – sem jamais apresentarem uma prova sequer – não são conservadores, ou “liberais”, são de extrema direita, cegos de ódio pelo que Lula representa de esperança para o povo pobre, esse mesmo povo que foi destruído pela sanha privatizante dos governos de direita deste país. Uma direita pró imperialista e entreguista, como a de Bolsonaro.

Pois há quatro anos eu lancei o desafio: quem chama Lula de ladrão, prove que Lula roubou. Prove que Lula é desonesto. Mostre as evidências, as sentenças e as provas de que ele prevaricou. Desafio. Quem diz que o STF é corrupto e está atacando Bolsonaro explique porque não o acusou de corrupto quando prendeu Lula apenas para que ele não participasse das eleições? Por que aceitou que o mantivessem preso contra a Constituição Federal em seu parágrafo 5? Por que não reclamaram das arbitrariedades inconstitucionais contra Lula, que não pôde concorrer à presidência mesmo tendo direito a isso? Por que só agora começaram a reconhecer o que a esquerda sempre soube: o STF é uma instância pusilânime.

Quem acredita que Lula prevaricou (prevaricar significa, por exemplo, comprar 107 imóveis com salário de político, 51 deles com dinheiro vivo) traga aqui um cheque, uma mansão, um carro importado, um depósito no exterior, um telefonema, um bilhete, um recibo, uma nota, uma promissória, uma foto comprometedora, uma sentença condenatória transitada em julgado, uma gravação, joias, uma confissão, casas, propriedades, sítio, triplex, lojas de chocolate, mansões em Brasília, festas suntuosas, apartamentos em Paris, rachadinhas, empresas fantasmas, enriquecimento suspeito, familiares que ficaram ricos, laranjas, propriedades, grana no exterior, conta na Suíça, conta em qualquer lugar, instituto de fachada, etc…

Ahhh mas não tenho esses elementos… Então aceite que não tem nada contra Lula e todas as acusações são baseadas em fofocas, fake news e no desejo de colocar um líder popular fora de qualquer disputa. Quem grita de forma histriônica “Lula é ladrão” fica parecido com aquelas crianças que dizem “feio, feio, feio”. Repetem por acreditar que uma mentira contada centenas de vezes por fim se torna verdade. Todavia, mais do que repetir, é necessário provar que ele foi desonesto, baseada em que elementos, quais evidências, quais juízos e qual a conexão com a verdade dos fatos.

Quem grita de forma histriônica “Lula é ladrão” parece aquelas crianças que dizem “feio, feio, feio”. Repetem por acreditar que uma mentira contada centenas de vezes por fim se torna verdade. Todavia, mais do que repetir, é necessário provar por que ele foi desonesto, de onde vem essa crença, baseada em que elementos, quais evidências, quais juízos e qual a conexão com a verdade dos fatos.

– Fulano é criminoso!!
– Mas por quê você diz isso?
– Porque sim….

Essa retórica de afirmar que alguém é ladrão “porque é“, sem a necessidade de apresentar provas, abre espaço para que esse mesmo tipo de acusação seja feita a qualquer um de nós, dependendo apenas dos sentimentos e não da realidade. Isso nos faria retroceder milhares de anos na história do direito, onde a realidade era desprezível diante do desejo e dos interesses dos poderosos. O direito surgiu exatamente para se contrapor ao império da brutalidade e da força, determinando critérios para estabelecer inocência, culpa e responsabilidade. A partir do surgimento do direito não bastaria mais apenas o uso da força; seria preciso provar – através da materialidade dos fatos – que o sujeito acusado havia realmente praticado um malfeito.

Por isso o desafio: provem que Lula é desonesto… ou então, tanto quanto vocês, ele continua inocente. Como sempre foi.

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Freud e Bolsonaro

Eu escutei uma fala do Breno Altman que serve para entender o bolsonarismo e a razão pela qual a evidência de corrupção em toda família Bolsonaro não parece abalar seu núcleo duro de apoiadores. Em sua fala Breno contava sobre uma convenção fascista na Itália de Mussolini. Em determinado momento, após falas violentas e inflamadas, um ativista se vira para outro e pergunta:

– Certo, eu entendi. Temos ódio aos políticos, à própria política e às instituições podres e corrompidas da Itália. Odiamos o sistema e queremos destruí-lo com todas as nossas forças. Sabemos que somente a morte desse modelo poderá produzir uma Itália livre e poderosa. Mas, e depois? Preciso saber qual é o nosso plano.

Seu colega, mais experiente e conhecedor do âmago da proposta fascista, responde:

– Você não entendeu, seu tolo? É o ódio. O ódio é o nosso plano.

Sem Freud não há como entender Bolsonaro…

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O Menino

Sim, eu tenho pena da desgraça destes personagens para quem um fosso enorme se abre sob os pés, de onde se podem ver as labaredas do Hades. Não me sinto bem associado à enorme energia destrutiva que se forma como resposta à condenação de seus atos. Talvez seja uma reminiscência de outras tantas fogueiras que presenciei, onde sempre imperam os sentimentos mais primitivos.

Esclareço apenas que sofrer por condescendência e empatia não significa aceitar ou concordar, muito menos absolver. Todavia, quando vejo o peso de tanto ressentimento acumulado recaindo sobre estas cabeças eu me associo à tragédia destes que caem. Digo também que olhar desta forma não é uma escolha racional, é um impulso. Também não significa que não devam pagar por seus delitos.

Existe uma circunstância que me é inevitável nestas passagens: eu sempre penso que poderia ser um filho meu. Tenho filhos da idade destes pobres personagens que agora se encaminham ao calvário. Mas já vi mães chorando no pronto-socorro a morte de seu filho bandido. Elas diziam “Ele sempre foi um bom menino. Foram as companhias e a maldita da droga”. Como não entender que, para uma mãe, este filho – por mais degenerado que seja – será sempre seu guri, que

“Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar”

Eu prefiro não cultuar o ódio por essas figuras, todas elas. Quando vejo se disseminar o gozo da vingança sinto um gosto de fel, que sempre me assusta e angustia.

Eu já fui alvo de ataques desse tipo, em especial na internet, por ter opiniões que ofendiam algumas pessoas. Vi gente fazendo discursos enormes carregados de ódio e que sequer me conheciam. Percebi que nestes momentos eu era colocado em um lugar e ocupava um posto. Não exatamente o que eu era, mas o que queriam que eu fosse. Nessa topografia eu podia ser atacado sem dó ou piedade. Eu era a “coisa” a ser destruída, e para isso não havia problema algum em me arrancar a humanidade.

A última vez que expressei meu sentimento com esses linchamentos fui vítima – que surpresa – de um pequeno linchamento por parte de uma antiga companheira. Defender que estas pessoas em desgraça sejam tratadas com alguma humanidade soa ofensivo para quem já sentiu algumas das dores que eles disseminam. Mas, para mim, passada a raiva inicial – quando me esforço por nada dizer – me assombra a imagem de um menino, sua face surpresa diante do mundo, suas dúvidas, seus projetos, suas paixões e seus sonhos. Ao lado dele um homem de túnica branca e barba sobre a pele escura, o dramaturgo cartaginês Publius Terentius Afer, o africano. Ele me olha e balbucia palavras que acompanho de memória. “Homo sum: humani nihil a me alienum puto”.

“Sou humano e nada do que é humano me é estranho”. Aquele menino poderia ser eu, se o meu caminho tivesse o mesmo rumo que o dele.

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Perdoar…

“Perdoar é construir empatia, e não uma manifestação pública de superioridade”.

Perdão não é um sentimento que se possa cobrar de alguém, nem de nós mesmos. Se o perdão significa a conexão profunda com o sentimento de empatia fica claro que se trata de uma construção pessoal e subjetiva. Desta forma, interno, jamais externo. É uma porta que só pode ser aberta por dentro.

Perdoar não trata de uma manifestação arrogante de superioridade, mas da busca por compreender os alicerces que levam um sujeito a cometer um ato egoístico e maléfico. Perdoar é entender.

Qualquer terapia deveria, eventualmente, chegar a essa compreensão superior sobre o mal recebido. Por certo, que o ódio e a indignação podem ter – e frequentemente têm – um efeito apaziguador para a vítima de qualquer malefício, mas não há dúvida que esses sentimentos são úteis apenas por um determinado período de tempo. Manter-se sintonizado indefinidamente na vibração do ódio destrói e aniquila qualquer sujeito. “O ódio é um ácido que corrói o próprio frasco que o contém”…

Portanto, estes sentimentos precisam ser transformados para que possam produzir um efeito libertário, e não há dúvida que isso demanda tempo para maturação.

Não se trata de um sentido religioso sobre o perdão, mas transcendental. Significa enxergar no outro o que nos conecta e torna similares, ao invés de enxergar nele apenas o estrangeiro e o diverso. Aliás, quando falo dessa concepção de perdão isso significa e inclui o auto perdão; é preciso entender-se para poder se perdoar.”

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Ódio motriz

Não, ódio não é o caminho.

Mais do que uma força exonerativa o “ódio é um ácido que corrói o próprio frasco que o contém” e por isso mesmo nenhum movimento social sobrevive a ele. Durante minha vida vi muitas pessoas morrerem de ódio, consumidas física e psicologicamente por um rancor incoercível. O ódio, por ser um poderoso motivador, nos joga à frente e com intensa propulsão, porém de forma desordenada e cega. Apostar no ódio é garantia de fracasso em longo prazo, mesmo quando ele é capaz de aliviar angústias ao apaziguar nossas contradições.

Falo do “sentimento de ódio”, que ajuda a aliviar as tensões e não vejo razão para que seja bloqueado, em contraposição ao “projeto de ódio” que é quando investimos pesado nesse sentimento, para funcionar como elemento agregador; é quando o ódio é a força que nos une.

Aliás, os movimentos sociais amadurecem quando aos poucos abandonam o ódio como “cola” de integração entre seus defensores. Tornam-se adultos quando percebem que não existe nenhuma diferença essencial entre as pessoas que combatemos e nós mesmos, e nossas diferenças são tão somente contextuais e circunstanciais. É exatamente quando enxergamos a humanidade em quem combatemos que percebemos o vazio de nosso ódio.

Sting nos anos 80 cantava uma música típica da Guerra Fria – e do medo do Armagedom nuclear – chamada “Russians“, onde dizia “I hope the Russians love their children too”, e na qual ele reafirmava sua fé na humanidade pois sabia que mesmo aqueles que aparentemente são tão diferentes de nós compartilham conosco o amor por seus filhos – que nada mais é que o próprio amor pela vida e a esperança no futuro.

Eu sei o quanto o ódio pode ser mobilizador, mas não tenho dúvida alguma do quanto ele é capaz de destruir boas ideias e belos projetos.

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O ódio

O texto de uma defensora de Bolsonaro – médica da minha cidade, de uns 60 e poucos anos – atacando uma crônica de Marta de Medeiros (“Salvos pelo Atraso” – Jornal Zero Hora, 22/02/20) nos ajuda a entender os intrincados mecanismos de ódio presentes no psiquismo dos (e das) bolsonaristas e outros elementos da extrema direita que saiu do armário a partir dos movimentos de 2013.

A manifestação raivosa e ultrajada parte de uma perspectiva típica de classe média alta, centrada sua na visão particular e elitista de mundo, sem considerar que esta parcela – ou bolha – na qual circulam neste país não soma mais do que 20% da nossa população. Chama à atenção igualmente o uso dos velhos chavões com os quais acusam o ex-presidente Lula, chamando-o de “cachaceiro”, “ladrão”, “semialfabetizado”. Não se furta de repetir as fake news que falam do envio de dinheiro para países marcadamente de esquerda, como Cuba e Venezuela – mesmo depois que estas notícias plantadas pelos robôs da direita foram clara e amplamente desmentidas pela auditoria contratada pelo próprio governo atual.

As agressões à “presidentA” (é assim que se referem a ela) Dilma também seguem o mesmo roteiro de ofensas sem sentido (sim, é possível estocar a energia dos ventos) e uma combinação de misoginia com o clássico preconceito de classe. Como aceitar que uma mulher honesta seja representante de um país e tenha a audácia de pensar nos desfavorecidos? Inadmissível…

No fundo, o que sempre transparece é o desprezo pelo pobre e pelo negro. O nojo dessa classe pelo próprio brasileiro, pela nossa cor mestiça, pela nossa arte, nossas festas, nossos personagens, nossa música e nossa cara. Desprezam o carnaval exatamente por ser uma festa de “vagabundos”, sem entender a profunda vinculação do nosso povo com esta festa e a enorme quantidade de trabalho e renda que ele representa para milhões de pessoas.

O drama se faz agudo e histérico porque esses sujeitos brancos se sentem ameaçados por esta “nação mulata”, prisioneiros em um “enclave de branquitude”, avessos ao mundo de diversidade que os rodeia – e os ameaça. Nunca foi a economia, a fala popular de Lula ou as gafes de Dilma que produziram tanto ódio; foram o racismo, a síndrome da Casa Grande e a ferida ainda aberta da escravidão que os fez odiar tanto qualquer um que represente o Brasil profundo.

É o nojo do diferente e a ilusão de superioridade que tanto os motiva. É o desejo de “ser como era antes”, quando todos sabiam seu lugar. É a saudade da subserviência de tantos negros, migrantes, pardos e pobres, outrora acostumados à fidelidade trocada por migalhas.

Para estas pessoas, atreladas a um passado de desprezo pelos de baixo, o Brasil fraterno precisa responder, mesmo que a energia da indignação seja a força motriz para levar adiante essas necessárias mudanças.

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Linchadores

Na internet há sempre um linchador de plantão cheio de esqueletos escondidos no armário e pronto para jogar acusações vazias em algum personagem. Assim o faz para que este pobre sujeito possa absorver suas culpas e aliviar suas angústias.

Zoe Papaniakos, “Media, Love and Hate”, Ed. Jasper, pag 135

Zoe Papaniakos é uma romancista grega nascida em Atenas, tendo estudado jornalismo nos Estados Unidos na Duke University, no Texas. Atualmente escreve artigos sobre feminismo, costumes e identitarismo numa perspectiva crítica, em especial ao “woke generation” e a “cultura do cancelamento”.

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Geração afascistada

Parabéns seus véios fascistinhas

Vejo entristecido uma quantidade enorme de idosos (véios, tipo eu) defendendo os desmandos dessa banda do judiciário que não aceita as nossas leis e sua aplicação. São pessoas entre 55 e 65 anos que, como eu, estavam na adolescência durante a ditadura sangrenta de meio século atrás. Então eu me pergunto: quando eu estava levando porrada de “brigadiano” na frente da faculdade, o que essa turminha de direitistas e conservadores fazia durante a ditadura de 64? Buscavam o quê? Eram contra os militares? Ou apenas brincavam de rebeldes, travestis de combatentes em corpos constituídos de privilégios e conservadorismo?

Posso dizer que certamente não lutavam pela volta da democracia, tanto é que agora desprezam a Constituição e os princípios da justiça. Tenho certeza que – mesmo usando camisetas do Che – mais se preocupavam em manter seus privilégios de classe e cor, pouco se preocupando com o resto do país que tinha fome e desassistência.

É uma lástima perceber que hoje, entre as pessoas da minha geração, o ódio às esquerdas e à justiça social – corporificada na perseguição a um líder popular preso sem provas – é maior e mais intenso que o amor à justiça e à democracia.

O que houve com minha geração que perdeu seus ideais, seus sonhos sua paixão e até sua humanidade?

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Imperativos éticos

“Vendo a reação das pessoas aos “anjos caídos” dá para ter certeza que o ódio está no ar. Não há perdão, contexto, compreensão e sequer desejo de justiça. O que se sente é a oportunidade de vingança, e usando as mesmas armas que os inimigos sempre usaram.

Assim sendo, existe razão ao se pedir moderação nos linchamentos virtuais. A civilidade impõe que a punição não pode jamais suplantar o crime cometido, e a resposta da vítima não pode se igualar à do algoz. Sem esse imperativo ético não é possível distinguir justiça de revanche.”

Edwin Rupert McAllister, “Virtual Lynch”, Ed. Barroblanco, pág. 135

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Agressão às Enfermeiras

Nunca escreva movido pelo ódio ou pela paixão; você acaba revelando aos outros o que desconhecia de si mesmo. Quando uma pessoa dá a sua opinião de cabeça quente e depois ameaça chamar seu advogado-metralhadora para processar todo mundo que lhe respondeu é porque devia ter pensado melhor antes de escrever.

Claro que é positivo pedir desculpas pelas agressão absurdas e despropositadas desferidas. Não posso aceitar – em nenhuma situação – penas perpétuas e condenações infinitas. Pessoas podem amadurecer e aprender com seus erros. É sempre bom se retratar dos erros cometidos.

Entretanto, a violência das palavras fica marcada indefinidamente. Depois de proferida a ofensa não se apaga. O mais triste não é a agressão descabida e brutal, mas a certeza que o deboche contra as enfermeiras é uma postura extremamente disseminada dentro da medicina. Escutar velhos preconceitos e grosserias obtusas contra a enfermagem foi algo que suportei por quase 40 anos.

As manifestações de desprezo pela enfermagem reforçam minha certeza de que a maior parte do ódio direcionado contra mim nos meus últimos 10 anos de trabalho por parte da corporação vieram do fato de que eu trabalhei lado a lado com uma dessas “criaturas inferiores” a ponto de lhe oferecer o posto central na atenção ao parto.

Isso, sim, é imperdoável.

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