Zizec e o “day after”…

Confesso que me emocionei ao ler o início desse texto do brilhante mestre Zizec – psicanalista e comunista esloveno – que escreveu sobre os “movimentos de ocupação” que ocorreram em várias partes do mundo, principalmente em Wall Street, Nova York. Se nós olharmos o texto abaixo e o adaptarmos à causa da humanização do nascimento veremos que o texto mantém sua coerência e sua lógica intactas. Nesse texto Zizec está concordando com a minha observação de que, após a “orgia” de indignações que caracterizam muitos movimentos reivindicatórios, faz-se necessário que se busque a maturidade, a serenidade e a criação de uma agenda positiva para a implantação de um projeto de humanização do nascimento que inclua, entre outras propostas, a presença das doulas. Vejam só:

“Não culpem os médicos ou os hospitais pelas suas ações, pois o problema não é a agressividade ou a violência institucional praticada por eles, mas um SISTEMA que nos leva às mazelas que eles reproduzem na cultura contemporânea.” 

Nós, do movimento de humanização, precisamos incansavelmente estimular um debate para além das evidências científicas, e que possa nos situar dialeticamente nas correntes de pensamento que questionam o próprio cientificismo aplicado à medicina e à obstetrícia. Debater a luta de poderes sobre o corpo da mulher, a dinâmica das corporações e as questões sobre o ‘que fazer’ diante da derrocada inevitável do modelo biomédico intervencionista atual é mais do que uma necessidade; é um dever de todo aquele que se situa politicamente na questão do feminino e da sexualidade.
Se nós pudermos ultrapassar a adolescência dos movimentos de agenda negativa – acusações, ressentimentos e dedos apontados – poderemos assumir a maturidade das propostas conjuntas, onde o olhar e a necessidade do outro também assumem importância no debate, para que seja possível, por fim, avançar.
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