Decisões e Protagonismo

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Onde foi, durante o caminho, que cometemos este erro?

 

“Colocar a culpa nos outros (médicos, natureza, defeitos genéticos, bacias pequenas, etc…) pode ser muito bom e efetivo para aliviar a frustração de parto que (por alguma razão), não ocorreu. Aliás, é o que TODO mundo faz, principalmente quando analisamos a propensão para culpar os médicos pelos maus resultados; o que antes era um “esporte nacional” americano agora tornou-se uma bolha de judicialização prestes a explodir por lá. Entretanto, eu prefiro pensar que o fracasso, na imensa maioria das vezes, está relacionado ao que NÓS MESMOS fazemos, pelas nossas escolhas pessoais, assim como o sucesso de nossos projetos também se estabelece por uma série de eleições que realizamos. Jared Diamond, no seu livro “Colapsos” já falava explicitamente em como as sociedades “ESCOLHEM” fracassar ou ter sucesso, e cita os Anasazi, os habitantes de Páscoa e os nórdicos da Groenlândia do século XI como exemplos de más escolhas que levaram ao colapso e, por fim, ao extermínio. Entretanto, estas escolhas desastrosas – nas sociedades mas igualmente na vida privada – não operam conscientemente, mas os resultados vão acabar acontecendo por conta das eleições mal direcionadas ou incorretamente avaliadas. Assim também fazemos com as pequenas e aparentemente simples decisões quanto ao parto; elas vão ao final compor um quadro onde nitidamente se enxerga a “mão” do pintor, com suas fraquezas, dificuldades e medos, assim como sua capacidade, determinação e coragem.

Culpar algo fora de nós é normalmente manobra escapista, que apesar de nos aliviar momentaneamente das tristezas por um objetivo não alcançado, acaba criando um fosso de alienação, que por fim nos impede de ter nas mãos as rédeas de nossa vida.

Eu entendo quem pense ser mais “adequado” encontrar respostas na genética, nas bacias pequenas ou nos microorganismos. Há quem prefira diminuir suas dores e frustrações determinando que a culpa pelo que lhe acontece é dos médicos, da natureza madrasta, do hospital ruim, das bactérias, dos vírus, da mãe cerceadora, do pai severo ou ausente, ou por causa de uma maldição qualquer (divina ou satânica). Eu prefiro correr todos os riscos e assumir a minha posição de protagonista, sem cair na tentação de me alienar das responsabilidades. Não fosse assumir esta posição e nenhuma vitória seria pleana, pois que ela estaria sempre a ser conduzida por outro.

Max sempre me disse que crescer significa assumir as responsabilidades do vida, tomar para si o protagonismo de suas decisões, e não delegar para outros o que nos cabe. No nascimento, assumir como suas as prerrogativas de decidir o caminho a seguir é o primeiro passo na direção de um nascimento digno e cidadão.”

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