Belo e Triste

Blade Runner

Agarrado à vida, o replicante espera o derradeiro momento.

Como pode algo ser tão bonito e tão triste ao mesmo tempo?

E porque por tantas vezes tais momentos se conjugam, bizarramente acoplados na teia do tempo? São eventos que parecem nos falar de uma beleza estranha, que se esconde atrás de momentos tão solidamente tristes a ponto de baterem contra o nosso peito como um tijolo arremessado pelo destino.

Mas, se a escolha do olhar ainda me pertence, prefiro enxergar aquilo que verte de belo e resplandecente no breu das lágrimas.

Vi Blade Runner, de Ridley Scott, na adolescência, e a cena final nunca me saiu da memória. O desespero do protagonista, o replicante Roy Batty – o melhor trabalho do Rutger Hauer para o cinema – para descobrir o sentido da vida, que só poderia ser elucidado através da morte, sempre me tocou de uma forma muito especial. As memórias, os amores, as tristezas, as alegrias, as perdas, os fracassos e as vitórias, todas elas desaparecendo, diluindo-se como lágrimas na chuva no triste momento do “desligamento”. E o apego à vida, qualquer uma, mesmo à vida daquele a quem pretendia matar. O replicante salvou seu desafeto porque viu nele algo precioso demais para ser desperdiçado: a própria Vida, preciosa por ser frágil, que agora se esvaía melancolicamente de seu corpo de máquina. Momento épico do cinema…


 

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