Ultrapassando a linha

Florbela Espanca

Quando vejo pessoas defendendo o parto normal e/ou humanizado para além do que considero justo ou conveniente eu lembro das palavras de Robbie, a quem considero uma grande feminista: “Não podemos permitir que nosso fervor humanista transforme este movimento na Gestapo do parto normal”.

Por entender que o parto humanizado está abaixo do protagonismo restituído às mulheres é que a defesa das nossas teses não pode ser mais um modelo de opressão contra elas. Nossa defesa deve focar na mulher e suas escolhas. Nenhum modelo é superior a isso.

Fanatismo é o “império da paixão“. É ruim, mas impossível iniciar qualquer projeto se a paixão não nos tomar por inteiro. Seja no amor ou na construção de qualquer empreendimento humano. Por isso que, ao mesmo tempo que o critico, vejo o “fanatismo” como um elemento primordial de nossas ações, que apenas necessita, tal qual um garanhão indômito, ser amansado pela razão.

Eu acho que um certo “fanatismo” (quem não?) faz parte do processo inicial de qualquer grande ideia. Somos tomados pelo discurso revolucionário e olhamos o mundo pela ótica estreita de nossas paixões. Todo mundo já passou por isso, pelo menos aqueles que ousaram amar – pessoas ou ideias.

Fanatismo, como evitar?

Minh´alma de sonhar anda perdida
Meus olhos ficam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida

(Florbela Espanca)

Deixe um comentário

Arquivado em Parto, Violência

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s