Tragédias

ilustração-refugiados

 

O debate sobre tragédias recentes tende a ser pouco racional e com tendência à emocionalidade exacerbada tendendo à violência explícita. Isso a gente sabe de longa data.

Nos vários lugares em que fui marcado para debater um mau resultado recente em um parto domiciliar (deviam me marcar nas tragédias hospitalares também) os argumentos passavam por grosseiras, ofensas, escárnio, deboche, absurdas interpretações de texto e ataques constrangedores à língua portuguesa, sem que as questões básicas de medicina baseada em evidências, direitos reprodutivos e sexuais, autonomia feminina e – acima de tudo – o conhecimento MÍNIMO do que seja uma doula e suas atribuições, fossem respeitados.

Quando, após várias ofensas pessoais, um senhor (creio ser médico) me disse que doulas não passam de uma “idiotisse” eu pensei: “Chega”. Percebi que, com este tipo de abordagem e linguagem, não é possível qualquer debate que produza benefícios para a solução dos dilemas da assistência ao parto em um mundo de convulsões na questão de gênero, onde as mulheres não aceitam mais caladas nenhum “abre as pernas”, “deita ali” ou “cala a boca”.

Em casa ou no hospital.

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