Abusos

Lolita

 

Abri meu Facebook hoje e tive o desprazer de ver a entrevista de um BBB que havia sido “eliminado” e sobre quem recaíam queixas de ser um “abusador”. Entrevistadores globais solicitaram o parecer de uma advogada para esclarecer o conceito jurídico de “pedofilia”, algo que ele havia sido acusado.

Bem, ao meu ver existem dois debates concomitantes. Um é jurídico, e a doutora falou muito bem ao explicar que pedofilia não é crime, mas que os atos resultantes da pedofilia são. Pedofilia é um diagnostico clínico , e não um delito. Só se tornará delito caso se torne uma AÇÃO. A única ressalva ao que a advogada disse na entrevista é que, ao saber que um caso de abuso de menor está ocorrendo, uma pessoa DEVE denunciar (e não “pode denunciar”, como ela disse).

Quanto à idade para ter relações sexuais, trata-se de uma tendência mundial. Em vários países da Europa a idade mínima é de 13 anos. Isso é uma adequação das culturas à disseminação de informação e conhecimento. Portanto, namorar com “novinhas” pode ser um ato idiota, algo que demonstra insegurança ou exibicionismo, talvez até um negação de sua maturação pessoal, coisa de “eterno adolescente”, síndrome de Peter Pan. Entretanto, se a menina tiver mais de 14 anos não é crime. Isso é o que diz o código penal.

O outro assunto – muito mais grave e complexo – ė a publicidade que se dá a personagens como este. Isto sim é criminoso. Que importância esse sujeito e suas “namoradinhas” tem para a sociedade? Por que perdemos tanto tempo debatendo estas figuras desimportantes? Qual a razão de ainda aceitarmos esta invasão de lixo em nossas casas?

Para mim o único ensinamento foi a idade mínima para relações, pois eu não sabia que no Brasil já havia mudado. De resto foi holofote desperdiçado em sujeitos patéticos e inúteis.

Não vejo esse programa e nem conhecia esse sujeito. As únicas coisas que eu acho passíveis de debate foram as declarações dele e da advogada na entrevista de hoje. Quanto às palavras dele, bem… o desejo alheio não me diz respeito. Se ele quer se relacionar com meninas e não está infringindo – ou obstruindo – a lei eu só posso aceitar. Minhas considerações sobre o gosto dele com as mulheres são irrelevantes. Se você acha que 14 anos é pouco, há controvérsias, mas é o que a lei diz. Se ele é um machista, as mulheres que decidam se vão ou não se relacionar com ele; não cabe a mim julgar suas escolhas.

Por outro lado, se a Globo o colocou para fazer esse papel no Big Brother posso apostar como ele foi ORIENTADO à falar isso para gerar polêmica. Chama a atenção o fato de ele confessar gostar de “novinhas”, mas ficou claro que as “meninas” dele estão dentro do limite legal. Isto é, ele sabia o que estava fazendo, e provavelmente foi orientado a fazer isso. Não confessará publicamente um crime grave, mas conseguiu chamar a atenção para si e para o programa.

Posso ver a cara do Boninho e do Bial dando gargalhadas com esse “personagem”. Conseguiram um pouco de ibope para uma atração decadente.

Sobre as afirmações “abusivas” ou “machistas” deste cidadão durante o programa eu desconheço por completo. Tenho orgulho de dizer que nunca tinha visto aquele barbudo até hoje. Faço o melhor boicote possível ao lixo televisivo: desligo a TV.

Assim, o gosto dele por novinhas não me cabe julgar, assim como não julgo Suzana Vieira ou Madonna por namorarem caras que teriam idade para serem seus filhos. No máximo posso dizer que não me serve, mas repito que minha opinião é irrelevante. Se as meninas são legalmente responsáveis então só me resta lamentar o mau gosto.

PS: A única coisa que me incomoda nessas histórias de homens idiotas que namoram com meninas, ou senhoras idosas, ou meninas do interior, ou meninas feias, ou gordinhas , ou tolas é que SEMPRE se coloca a mulher como passiva na história. O HOMEM é sempre o protagonista, para o bem ou para o mal. A mulher nunca fala, nunca reage, nunca se indispõe, nunca reclama, nunca tem voz. Ela segue a onda que o corpanzil do seu homem faz na superfície da relação.

Eu não considero abuso quando as pessoas são legalmente responsáveis pela sua sexualidade. Se isso pudesse ser tipificado na LEI imaginem o que ocorreria entre QUALQUER relação. Qualquer mulher poderia dizer que é “frágil” do ponto de vista emocional e que os homens são abusivos em função disso. Ora… não é justo colocar as mulheres nessa posição de vitimas quando são maduras o suficiente para fazerem escolhas. Temos que parar de tutelar as mulheres julgando-as sempre fracas, frágeis, incompetentes ou imaturas. Se você acha que 17 é pouco, lute pela mudança de lei, mas posso apostar que milhares de mulheres não aceitam essa tutela que diz que, por serem “frágeis e carentes”, não podem fazer escolhas amorosas com 17 anos.

Vamos excetuar aqui as violências que estão previstas na lei: menores de idade, embriaguez, terror, ameaça, bullying físico e/ou psicológico etc. Estou falando de dois (ou três) ADULTOS que se relacionam. Por que ainda testemunhamos este tipo de discurso que coloca o homem como o ator de TUDO? Por que as próprias mulheres determinam a incompetência da mulher em resolver suas questões e escolher qual caminho seguir? Se uma menina lésbica resolve se manter conectada àquele casal é porque “estava frágil e carente”, e não porque assim o desejou!!!!! Isto é, ela é passiva, não tem desejo, é manipulada, não consegue fazer escolhas, não tem elementos para decidir o que é melhor para si…

Eu não me conformo com essa ideia, que ainda é muito disseminada até no universo da humanização. Quando uma mulher de 30 ANOS escolhe fazer uma cesariana, a culpa é sempre do médico. Ela se coloca de forma passiva, inerte, incapaz de se mover. Como uma criança. Sem que as mulheres se responsabilizem por TODAS as suas escolhas – as amorosas e as de parto – jamais terão o pleno protagonismo. A alienação nunca será um caminho para a libertação.

“Eu não sei de nada, ele me envolveu com palavras e presentes, e aí fiquei desnorteada e acabei por…”

Até quando veremos as mulheres oferecendo o protagonismo aos homens e deixando que eles comandem suas vidas?

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