Arquivo da tag: pedofilia

Abusadores

Sobre as punições aos abusadores

Estupro não tem nada a ver com pinto. Este nobre apêndice é tão somente um instrumento mais fácil para o exercício da opressão, mas até as mulheres podem estuprar – mesmo sem pênis. Sabemos também que, ainda que sem penetração, a violência sexual pode acontecer. “Cortar pênis” ou proceder castrações químicas são apenas vinganças medievais; não solucionam e não diminuem em nada os níveis de violência, mas servem ao gozo punitivista. São os cintos de castidade do século XXI.

Lembro que Alan Turing foi punido pelo “crime” de ser gay há poucas décadas, mas pergunto se tais ações teriam algum efeito na contenção da (sua) homossexualidade. Os desejos e as taras não se escondem “entre as virilhas” ou nas circunvoluções da massa cinzenta, mas nos calabouços do inconsciente. Em verdade, tais violências somente tentam matar no outro sentimentos que recalcamos em nós. Não é por acaso que as masculinidades mais frágeis se encontram entre os mais violentos homofóbicos.

Ninguém é contra a necessária contenção – e até a restrição de liberdade – para quem usa de violência sexual, em especial contra crianças. Será sempre necessário um duro combate aos abusadores. A pena, porém, precisa ser algo que ajude a comunidade e proteja os mais frágeis e não um simples exercício de “maldade reversa”.

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos, Violência

Pornografia consumista

Existem várias pornografias infantis no YouTube. Essa alertada pelo Felipe Neto é apenas a mais nojenta e explicita, mas é a ponta do iceberg da exploração infantil midiática. Para além disso existe a “pornografia do consumo” feita pelos “unboxers” milionários de vários países, que são crianças pagas para fazer propaganda de produtos, brinquedos, aparelhos e roupas. Pela perspectiva de muitos estudiosos o estímulo ao consumo por crianças é tão danoso em longo prazo quanto o estimulo à pedofilia. Se pensamos em coibir a exposição de crianças devemos fazer em todos os níveis, inclusive nos abusos do consumo.

Para mim a regra é simples: sem crianças no YouTube. Sem crianças em desfiles de moda, sem publicidade infantil, nada de propaganda de bolachinha recheada, sem estímulo ao consumo de brinquedos, sem crianças fazendo gracinhas, sem roupinhas da moda para criancas, sem biquínis infantis etc. Esse não é um lugar para a infância.

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos

Tempos

“No futuro, quando a sexo descompromissado exterminar com as relações monogâmicas e o casamento, todas as minhas ideias e meus escritos serão jogadas no lixo sob o pretexto de que eu não passava de um monogamista que defendia a escravidão sexual.”

Jeffrey Doll, “Sexuality in perspective”, Ed Fishbone, pag 135

Eu estava lendo o livro dele e encontrei essa frase. Todos os livros dele são maravilhosos em especial “Epiphany of a Dreaded Civilization”. Nessa passagem ele questiona os revisionismos históricos, quando o comportamento do sujeito de um determinado tempo é julgado pelos padrões morais de séculos à frente. No caso do livro, esta conversa ocorre entre o almirante Sebastián e o capitão LaCrosse e se refere a paixão fulminante deste último pela bela escrava angolana Latiffa, e o romance tórrido entre o marinheiro cinquentão e a menina de 16 anos. Sebastián, um cristão convicto e temente a Deus, defendia LaCrosse da acusação de adultério feita por seus colegas oficiais. Ao ser confrontado com as sagradas escrituras deixou claro que um homem só podia ser julgado em seu tempo e suas circunstâncias. Apontou para o corpo despido da menina e arrematou dizendo não haver uma só linha nas palavras de Deus que condenasse o amor de um homem por uma mulher.

Deixe um comentário

Arquivado em Citações

Abusos

Lolita

Abri meu Facebook hoje e tive o desprazer de ver a entrevista de um BBB que havia sido “eliminado” e sobre quem recaíam queixas de ser um “abusador”. Entrevistadores globais solicitaram o parecer de uma advogada para esclarecer o conceito jurídico de “pedofilia”, algo que ele havia sido acusado.

Bem, ao meu ver existem dois debates concomitantes. Um é jurídico, e a doutora falou muito bem ao explicar que pedofilia não é crime, mas que os atos resultantes da pedofilia são. Pedofilia é um diagnostico clínico , e não um delito. Só se tornará delito caso se torne uma AÇÃO. A única ressalva ao que a advogada disse na entrevista é que, ao saber que um caso de abuso de menor está ocorrendo, uma pessoa DEVE denunciar (e não “pode denunciar”, como ela disse).

Quanto à idade para ter relações sexuais, trata-se de uma tendência mundial. Em vários países da Europa a idade mínima é de 13 anos. Isso é uma adequação das culturas à disseminação de informação e conhecimento. Portanto, namorar com “novinhas” pode ser um ato idiota, algo que demonstra insegurança ou exibicionismo, talvez até um negação de sua maturação pessoal, coisa de “eterno adolescente”, síndrome de Peter Pan. Entretanto, se a menina tiver mais de 14 anos não é crime. Isso é o que diz o código penal.

O outro assunto – muito mais grave e complexo – ė a publicidade que se dá a personagens como este. Isto sim é criminoso. Que importância esse sujeito e suas “namoradinhas” tem para a sociedade? Por que perdemos tanto tempo debatendo estas figuras desimportantes? Qual a razão de ainda aceitarmos esta invasão de lixo em nossas casas?

Para mim o único ensinamento foi a idade mínima para relações, pois eu não sabia que no Brasil já havia mudado. De resto foi holofote desperdiçado em sujeitos patéticos e inúteis.

Não vejo esse programa e nem conhecia esse sujeito. As únicas coisas que eu acho passíveis de debate foram as declarações dele e da advogada na entrevista de hoje. Quanto às palavras dele, bem… o desejo alheio não me diz respeito. Se ele quer se relacionar com meninas e não está infringindo – ou obstruindo – a lei eu só posso aceitar. Minhas considerações sobre o gosto dele com as mulheres são irrelevantes. Se você acha que 14 anos é pouco, há controvérsias, mas é o que a lei diz. Se ele é um machista, as mulheres que decidam se vão ou não se relacionar com ele; não cabe a mim julgar suas escolhas.

Por outro lado, se a Globo o colocou para fazer esse papel no Big Brother posso apostar como ele foi orientado a falar isso para gerar polêmica. Chama a atenção o fato de ele confessar gostar de “novinhas”, mas ficou claro que as “meninas” dele estão dentro do limite legal. Isto é, ele sabia o que estava fazendo, e provavelmente foi orientado a fazer isso. Não confessará publicamente um crime grave, mas conseguiu chamar a atenção para si e para o programa.

Posso ver a cara do Boninho e do Bial dando gargalhadas com esse “personagem”. Conseguiram um pouco de ibope para uma atração decadente.

Sobre as afirmações “abusivas” ou “machistas” deste cidadão durante o programa eu desconheço por completo. Tenho orgulho de dizer que nunca tinha visto aquele barbudo até hoje. Faço o melhor boicote possível ao lixo televisivo: desligo a TV.

Assim, o gosto dele por novinhas não me cabe julgar, assim como não julgo Suzana Vieira ou Madonna por namorarem caras que teriam idade para serem seus filhos. No máximo posso dizer que não me serve, mas repito que minha opinião é irrelevante. Se as meninas são legalmente responsáveis então só me resta lamentar o mau gosto.

PS: A única coisa que me incomoda nessas histórias de homens idiotas que namoram com meninas, ou senhoras idosas, ou meninas do interior, ou meninas feias, ou gordinhas , ou tolas é que sempre se coloca a mulher como passiva na história. O homem é sempre o protagonista, para o bem ou para o mal. A mulher nunca fala, nunca reage, nunca se indispõe, nunca reclama, nunca tem voz. Ela segue a onda que o corpanzil do seu homem faz na superfície da relação. Mas, isso não se refere às menores de idade; estas por certo são vitimas de um crime horroroso e são realmente incapazes de se manifestar.

Eu não considero abuso quando as pessoas são legalmente responsáveis pela sua sexualidade. Se isso pudesse ser tipificado na LEI imaginem o que ocorreria entre QUALQUER relação. Qualquer mulher poderia dizer que é “frágil” do ponto de vista emocional e que os homens são abusivos em função disso. Ora… não é justo colocar as mulheres nessa posição de vitimas quando são maduras o suficiente para fazerem escolhas. Temos que parar de tutelar as mulheres julgando-as sempre fracas, frágeis, incompetentes ou imaturas. Se você acha que 17 é pouco, lute pela mudança de lei, mas posso apostar que milhares de mulheres não aceitam essa tutela que diz que, por serem “frágeis e carentes”, não podem fazer escolhas amorosas com 17 anos.

Vamos excetuar aqui as violências que estão previstas na lei: menores de idade, embriaguez, terror, ameaça, bullying físico e/ou psicológico etc. Estou falando de dois (ou mais) ADULTOS que se relacionam. Por que ainda testemunhamos este tipo de discurso que coloca o homem como o ator de TUDO? Por que as próprias mulheres determinam a incompetência da mulher em resolver suas questões e escolher qual caminho seguir? Se uma menina resolve se manter conectada é porque “estava frágil e carente”, e não porque assim o desejou!!!!! Isto é, ela é passiva, não tem desejo, é manipulada, não consegue fazer escolhas, não tem elementos para decidir o que é melhor para si…

Eu não me conformo com essa ideia, que ainda é muito disseminada até no universo da humanização. Quando uma mulher de 30 ANOS escolhe fazer uma cesariana, a culpa é sempre do médico. Ela se coloca de forma passiva, inerte, incapaz de se mover. Como uma criança. Sem que as mulheres se responsabilizem por TODAS as suas escolhas – as amorosas e as de parto – jamais terão o pleno protagonismo. A alienação nunca será um caminho para a libertação.

“Eu não sei de nada, ele me envolveu com palavras e presentes, e aí fiquei desnorteada e acabei por…”

Até quando veremos as mulheres oferecendo o protagonismo aos homens e deixando que eles comandem suas vidas?

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos