Polícia, para quê polícia…

 

policia porto alegre

“Sempre que a resposta das forças públicas se aproxima da selvageria que tenta combater é o momento de questionar se, para confrontar bandidos, não estamos ficando parecidos demais com eles.”

Com essa lógica do “bandido nom é bandido morto” não é possível debater. Mas o resultado óbvio desse das ações brutais de uma polícia que JULGA quem merece ou não viver é que um criminoso não terá nenhuma razão para se entregar daqui para diante. Se for oferecida a ele uma chance de desistência ele vai negar, e combaterá até a morte, pois sabe que os policiais não são dignos de confiança.

O mesmo aconteceu no ônibus 174 no Rio: uma execução de alguém desarmado e indefeso. “Ah, mas ele sequestrou pessoas”. Não importa, não cabe à policia julgar. Aqui em Porto Alegre houve o “Caso do Homem Errado”, também executado pela polícia, ou o menino que levou um tiro de um brigadiano em Novo Hamburgo. E o caso Amarildo no Rio?

Casos assim vai aos poucos deixando a polícia com cara de bandida. Mas tudo bem… são bandidos que estão do nosso lado, certo? Errado… quando esse poder não tem limites na lei o resultado é o autoritarismo e por eles todos pagam. Mais cedo ou mais tarde.

Hoje mesmo muitas associações saíram em defesa dos policiais envolvidos, e fiquei sabendo que foram inclusive homenageados (o que em outro país seria absurdo). Eu também defendo os policiais militares porque reconheço a bravura e a coragem que eles tem para defender a sociedade, mas acho extremamente perigoso quando pessoas acham uma execução a coisa mais normal do mundo. Ninguém quer morrer por bandidos, e ninguém defende que policiais não reajam, mas para isso existem regras e protocolos a serem seguidos. Atirar num sujeito desarmado, à queima roupa, com as mãos atrás da cabeça ultrapassa todos os limites de civilidade. Creio que a sociedade deveria se questionar sobre os limites da ação da polícia, sob pena de criar uma policia “acima da lei”.

“Cria cuervos y ellos te comen los ojos”

Por isso eu acho que as ações policiais, mesmo quando são praticadas para nos defender e tem sucesso, não podem extrapolar os limites legais. Não podemos nos associar à barbárie. Duvido que um comandante de qualquer polícia discorde do que eu disse. Pode até não agir assim, mas concorda. Discordar disso é oferecer às forças policiais a autoridade para julgar quem deve e quem não deve sobreviver aos confrontos. E isso é inaceitável em uma democracia.

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