Pets

pets

 

Estou um pouco abismado com a quantidade de candidatos a vereança que se apresentam como defensores dos “direitos dos animais”. Não quero entrar na discussão mais profunda sobre o assunto, mas creio que existe um claro exagero e uma óbvia sinalização sobre o tipo de sociedade que estamos construindo. Ontem mesmo um educador dizia – e para mim com razão – que nos preocupamos mais em sair com o cachorro para passear do que com os filhos. Encontro homens e mulheres jovens levando seus “pets” (um anglicismo que me dá arrepios) para fazer suas necessidades, e fico um pouco assustado ao perceber que estes são tratados como crianças, com a diferença de que com as crianças somos mais duros e menos carinhosos. Por que estamos trocando crianças que crescem por crianças que nunca crescem?

O que isso tem a dizer sobre a nossa sociedade?

Mais uma vez, não se trata de criminalizar o cuidado com os animais domesticados, mas se perguntar porque esta sociedade (e isso já acontece há muitos anos na Europa e Estados Unidos) tem essa devoção especial para com cães e gatos. Será que a explicação da baixa natalidade humana e o desvio de nossa natural capacidade de amar para os animais é suficiente? Ou existe algo no “amor pelos bichos” que vai além do simples deslocamento afetivo?

Outro dia estava debatendo sobre o problema dos gatos domésticos e o risco para as aves, que teremos que enfrentar nas próximas décadas, e afirmei que nunca tive amor pelos animais. E não tenho mesmo. Nesta semana passada autorizei eutanásia para a minha cadela Mel e não tive um grande sofrimento por isso. Por outro lado, quando meu neto machucou o dedo em uma pedra sofri junto com ele por horas a fio, imaginando a angústia de uma experiência de dor inédita em sua curta vida.

Mas vejam, não se trata de uma visão vertical de “valorização de amores”. Eu não me acho melhor por sofrer pelo dedo ferido do meu neto, mas nem pior por não sofrer por um cão que se vai. Apenas não tenho esse sentimento de AMOR, uma conexão forte e significativa com seres de outras espécies. Porém, tenho respeito, e o sofrimento deles não é desprezível para mim, por isso mesmo autorizei a eutanásia em um caso de tumor hepático em estágio terminal. E de nada adianta reclamar da minha falta de amor por “pets”; eu nasci sem esse chip.

Todavia, o que me chamou a atenção esse debate foi o fato de que, ao dizer que não nutria amor pelos animais (o que sustento), mas respeito e consideração, uma debatedora explodiu em ódio e disse:

Então você é uma pessoa de merda.

Claro que ela foi deletada e bloqueada (depois descobri que era uma veterinária), mas apenas porque não admito que debates atinjam a honra e sejam ofensivos às pessoas. Essa é uma regra antiga que tenho desde os tempos do Orkut. Como diria Madre Cuegundes “Ad hominem, abiciendi“…

Mas eu fico pensando… você pode chamar um desconhecido de merda sem que isso lhe torne uma má pessoa, ou mesmo deseducada e violenta, mas não pode dizer que não AMA (mesmo respeitando) os animais. Por que essa inversão de valores?

Que hierarquia é essa onde um cachorro vale mais que um homem? Ou ainda, da verve de madre Cunegundes, “melior est canis hominem?“.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s