Pets


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Eu escrevi há algum tempo um artigo controverso falando sobre o que considero uma crueldade moderna: a domesticação de cães e gatos. Mostrei estudos recentes que mostram que os gatos são responsáveis pelo extermínio de aves migratórias e isso se tornou um problema ecológico contemporâneo. Os cães modificados geneticamente, nas múltiplas espécies artificiais que produzimos, passaram a ter câncer, problemas de coluna, cegueira, desproporção cefalopélvica e uma vida mais curta. A isso podemos chamar “amor”? Terminei afirmando que não tenho “amor” pelos animais, porque esse amor eu considero muito estranho, e só se expressa na possibilidade identificatória. Isto é: amamos cães e gatos, mas não os ratos e os porcos, e todos eles são mamíferos. Nem pelos morcegos temos esse nobre sentimento. Baleias e golfinhos, mas não atuns e arraias. Baratas e mosquitos, nem pensar. Falei que nossa propensão a cuidar amorosamente de bichos aconteceu sempre que as civilizações diminuíram drasticamente o número de filhos. Lembra quando o culto aos “pets” era uma “frescura” europeia? Pois lá a diminuição da “prole humana” começou antes.

Os animais escolhidos para serem companhia para os homens e mulheres são sempre aqueles com quem podemos estabelecer um contato empático. Isto é: só servem aqueles que podem, de alguma forma, reproduzir a conduta humana. Gatos, cães, golfinhos, papagaios, etc.

Há pessoas que se ofendem com esse tipo de consideração, mais racional e fria. Porém eu lembro bem do comentário de um veterinário que disse em um programa de rádio: “entendo as inúmeras vantagens que os humanos tem –  em especial os velhos e as crianças – no convivio com os animais. Todavia, tenho sérias dúvidas se os animais tem algum benefício com a nossa presença”.

“Das raças de cães que existem na atualidade, 90% delas foram criadas nos últimos cem anos, e nossa insistência para que os cães atendam nossos padrões arbitrários – estéticos, de força, de aptidão para a guarda e a caça – está fazendo com que fiquem mais doentes e morram mais cedo do que seus ancestrais. O cão médio de raça pura é muito mais frágil que o cachorro comum, o conhecido “virá lata”. 60% dos Golden Retrievers acabarão padecendo de câncer. O “Dog Alemão” é tão grande que seu coração não suporta o peso do próprio corpo. Os Bulldogues, depois de um século de existência, estão com o o nariz tão amassado que mal podem respirar. Além disso, suas cabeças são tão grandes que só podem nascer através de cesariana Todos tem displasia do quadril e a expectativa de vida deles reduziu-se para seis anos”.

Quando eu disse que não tinha “amor” pelos animais – pelo menos não essa devoção antropomórfica que algumas pessoas demonstram – uma veterinária respondeu raivosamente dizendo que eu era uma “pessoa de merda”. Porém, eu comparo os animais domésticos às mulheres do harem. Lindas, charmosas, bem tratadas e bem alimentadas, vivendo do bom e do melhor. Entretanto, cativas. Será que por baixo das aparências de luxo essas mulheres realmente desejariam o cativeiro se a elas fosse oferecida a dádiva da liberdade?

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