Solidão

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Na minha opinião o sexo é a ação humana mais solitária que existe. O sexo funciona como uma partida de tênis em que os jogadores não tem uma rede entre si, mas uma parede. Jogam sozinhos usando as forças que imprimem nos braços e na bola, orientados pelo que escutam do parceiro que joga no outro lado do muro. Eles parecem estar jogando uma partida entre si, mas em verdade estão solitários, com sua própria bolinha e raquete, dependendo exclusivamente dos ruídos que escutam e da forma, força e direção que imprimem ao seu próprio jogo.

Entretanto, se é verdade que o jogo pode ser jogado sozinho e ainda assim ser prazeroso, mesmo sem se escutar as jogadas do companheiro atrás do muro, também é certo que ouvir a miraculosa sincronia das nossas raquetadas sendo respondidas pelo outro nos oportuniza uma sensação única de comunhão, e não é por outra razão que “até o padre eterno, que nunca foi lá, olhando aquele inferno vai abençoar”.

“Sexo é algo que fazemos sozinhos com a companhia de outra pessoa”. É de Freud a frase “A relação sexual é impossivel”, pois é impossível compartilhar o mesmo fantasma. Assim, devemos nos satisfazer com a idéia de que a companhia e o amor podem nos ajudar a tornar a nossa vida sexual mais prazerosa, mesmo reconhecendo que ela é feita da mais pura solidão.

O gozo solitário pode, sem dúvida, nos satisfazer. A ausência do outro, a falta da maravilhosa sinfonia de bolinhas batendo no muro, ainda assim pode nos dar prazer, em especial pelo fato de que o outro sempre nos desafia e questiona. Lidar com a dor e o prazer alheios é um passo em direção à maturidade emocional, e isso nunca é feito sem que um preço seja pago. Este preço, para alguns, é alto demais.

Aliás, aqui há mais uma questão: qual a diferença entre um vibrador e um pênis?  A resposta da piada velha é que o vibrador não leva o lixo pra rua, mas eu insisto: qual a diferença?  Ora… a diferença é o homem quê vem de brinde com o falo. A piada machista era parecida com essa: “Qual a pior parte da xoxota?” e a resposta era “a mulher”. Pois as duas piadas se completam em seu sengracismo e sua inevitável pergunta: qual a dificuldade em gozar quando há um homem por trás de um pênis?

Qual a dificuldade quando a mulher atrapalha as virtudes da xoxota?

A resposta está na singularidade dos sujeitos e suas respostas infinitas. Uma boneca inflável ou um vibrador apenas materializam a fantasia que carregamos e da qual somos inteiramente responsáveis. Já o outro, o resto que acompanha os genitais, este tem sua própria dinâmica fantasmática, que nos obriga a entender e respeitar, mas isso demanda um esforço que nem senpre desejamos dispender.

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