Beijo de Chico

O que (ainda) me chama à atenção é a presença de um político como Chico Alencar na casa de um jornalista político como o Noblat (Rede Globo) para “confraternizar”. Eu acho que festinha na casa de jornalista é comprometedor e anti profissional. Não se assume comportamentos promíscuos com quem se deveria fiscalizar.

Jornalista tornado garoto propaganda de produtos é o fim da várzea. Os grandes conglomerados de mídia transformam o jornalista em vendedor de pasta de dente e divulgador das ofertas das “Casas da Banha”, misturando as notícias com o departamento comercial. Isso retira a credibilidade da mídia de fiscalizar as empresas. Utiliza-se a respeitabilidade do jornalista para associá-la a produtos e assim vender mais. Pergunto: como poderia um jornalista denunciar o “cartel dos dentifrícios” ou as possíveis falcatruas da varejista se estas empresas pagam indiretamente o seu salário?

Se não houver liberdade plena para o exercício do jornalismo teremos apenas um poder alinhado com os poderosos, aqueles que pagam mais, sem a capacidade de fiscalizar e denunciar. Como dizia o grande jornalista americano Joseph Pulitzer (que dá nome ao prêmio de jornalismo e literatura) “Jornalista não tem amigo”. Ao meu ver o jantarzinho regado a champanhe e canapés na casa de um jornalista político tem um nome: conchavo entre poderes, acertos entre a política e a mídia.

Ou também, usando as palavras do filósofo Jucá, é uma suruba “petit comité”.

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