Bolhas

 

Então ela me pergunta, mantendo uma ruga questionadora na testa: “Mas por que isso? Qual o sentido das bolhas, da dor, das noites mal dormidas, das tendinites, do frio e da chuva? Em nome de quê?”

Parei por alguns instantes e lhe perguntei: “Você tem filhos?” e ela me respondeu “Sim, dois. Partos normais”, e sorriu com orgulho.

Olhei em seus olhos e repeti sua própria pergunta: “Em nome de quê?”

Sim…. O que te leva a caminhar por 800 km no frio e na chuva é diferente do que te leva a ter filhos, mas ambos compartilham algo em comum: são ações que agridem seu conforto pessoal e te obrigam a encarar uma dimensão pouco conhecida: a transcendência.

Só a possibilidade de transcender os sentidos comuns na vida nos permite aceitar tais desafios. É mais fácil terminar a vida sem jamais perder o sono por um filho que chora ou que ainda não chegou da festa, assim como passar seus períodos de férias em uma praia ou numa viagem cultural por um país desconhecido. Somente a sensação incômoda de que há algo dentro de si mesmo que pode ser descoberto é que te impele a tomar atitudes que parecem estranhas e desafiantes.

Para uma sociedade que perde a noção de sagrado e transcendente, que sequer consegue nominar o que está além de sua compreensão, tudo parece ter preço.

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