Desculpas

Há alguns anos escrevi um texto a respeito de um post em um blog que eu havia lido. Era uma história sobre sexualidade que mexeu comigo porque sempre tive esse tipo de angústia em relação aos filhos, crianças, adolescentes, etc… Por impulso escrevi um texto no Facebook sem citar de onde vinha este relato, mas dizendo que discordava do que havia sido escrito por uma série de razões. Era, por certo, um chamado à reflexão, não um ataque a uma pessoa que sequer sabia quem era.

Na minha cabeça era como escrever um texto a partir de uma notícia da Reuters que dizia (inventei a notícia): “Mulher búlgara adota apenas um dos gêmeos”, e eu respondesse: “Ora, eu não acho justo que apenas um seja adotado. Isso é cruel”. Assim, de forma impessoal, sem jamais imaginar que essa mulher do outro lado do planeta viesse me contestar pela minha posição pública quando ao caso, sem maiores aprofundamentos.

(Espero que o presidente atual não venha me cobrar pelas coisas que digo dele também…)

Para minha surpresa a pessoa que escreveu o post me escreveu indignada – furiosa até – e, anos passados, ainda existem reverberações dessa onda de contestação dura que surgiu após a sua manifestação. Acabei fazendo bloqueios em massa, não por discordância das teses em questão, mas por ofensas, agressões, ameaças e ódios. Só anos depois descobri quem era a autora do post e sua luta contra abusos sexuais, mas quando descobri já era tarde.

Não quero tratar do tema do post e da minha crítica a ele, e também sei que as pessoas que desenvolveram ódio por mim não vão me perdoar pelo que vou dizer agora, mas acho que é melhor dizer isso do que deixar em silêncio.

Eu errei. Errei rude. Eu me arrependo do que escrevi. Novamente, nem se trata de questionar o conteúdo – sobre ele poderia haver muito debate – mas certamente da forma. Não há desculpa para uma coisa feita até com boa intenção, mas que acaba ferindo pessoas. Fui ingênuo e burro ao não perceber que minha crítica poderia – pelas vias fluidas da Internet – chegar aos olhos da pessoa a quem eu me referia, mesmo morando em outro país. Além disso, a questão central – a sexualidade – não poderia ser tratada num post público desta forma, pois ela oferece gatilhos para muitas identificações e angústias.

Errei duramente por ter publicado de forma aberta. Poderia ter escrito privadamente para amigos que pensam de forma parecida – ou mesmo antagônica – para ver os limites do tema, mas jamais abertamente, imaginando que isso pudesse ser tratado “em tese”.

Na época eu escrevi para a autora do post original pedindo para conversar, mas ela, compreensivelmente, não quis. Creio que por muitos anos me odiou e não tiro suas razões. Errei, mesmo sem o desejar, ao expor suas escolhas, com as quais na época discordava.

Sim, gostaria de pedir perdão pois vi que muitas pessoas lembram desse fato ainda com rancor. Sei também que para elas eu não serei perdoado, e também não as culpo, mas o pedido de desculpas públicas não exige respostas de quem solicita, apenas o reconhecimento do erro por quem o praticou.

Aprendi com esse erro e procurei não repeti-lo, já passados quase 4 anos. Tive mais cuidado. Não fiz um pedido de desculpas anterior porque não queria despertar o vendaval de acusações que agora voltou à tona. Ou talvez apenas por medo, insegurança e vergonha. Talvez tivesse sido melhor fazê-lo antes, mas este, por certo, foi outro erro.

Todavia, nunca é tarde. Peço humildemente perdão também e – em especial – para seu filho que acabou sendo envolvido na discussão. Peço desculpas para as pessoas a quem ofendi e magoei, mas não peço nada em troca. Apenas deixo claro que reconheço o meu erro e que devo desculpas a todos por não entender a dor que poderia provocar com a amplitude das minhas palavras.

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