China

“A China, recém-eleita para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, acaba de analisar os EUA e insta o país a: erradicar o racismo sistemático, enfrentar a brutalidade policial e a proliferação de armas, parar de estigmatizar a pandemia, interromper a intervenção militar em outros países.”

Desculpe, mas qual o motivo do espanto? Racismo sistemático na cultura americana é impossível de não enxergar; brutalidade policial é uma realidade impressionante nos Estados Unidos, proliferação de armas produz o “mass shootings” praticamente diários no país que mais valoriza o armamento pessoal, politizar a pandemia é uma realidade lá e em outros países (como o Brasil) e o imperialismo e a intervenção militar em outros países não pode ser negado por qualquer pessoas que leia o jornal. Por que isso causaria espanto e surpresa?

Vejam, a China não é nenhum paraíso, mas erradicou a fome e a pobreza que são crescentes nos Estados Unidos. Aos poucos se torna a maior potência econômica e tecnológica do planeta. A proibição de armas na China faz com que mortes e assassinatos sejam raríssimos. O racismo na China nunca foi institucionalizado como nos Estados Unidos, cujo modelo “Jim Crow” deixou Hitler tão apaixonado, querendo explicitamente importar o modelo racista americano para a Alemanha pois achava que o racismo Yankee era o mais adequado para seu país.

A brutalidade policial na China jamais será semelhante àquela dos Estados Unidos, a mais violenta polícia do mundo, a que mais mata (depois da polícia brasileira) e a que mais é motivada por diferenças raciais. A China não tem nem de longe este tipo de problema. A China encarou a pandemia como devia ser encarada, com seriedade e ações de saúde pública e sem partidarização. Por essa razão, mesmo com uma população 4-5 vezes maior que os Estados Unidos teve apenas uma fração de suas mortes.

A China pós revolução de 1949 nunca invadiu outros países (com exceção do Tibete, onde imperava um sistema escravagista e teocrático), nunca teve uma atitude imperialista, jamais bombardeou países da Ásia como a Coreia, onde 1/3 da população morreu pelas bombas americanas. Sim UM TERÇO de todas as pessoas de lá morreram (mulheres e crianças) pelas ações imperialistas. Vietnã, Iraque, Afeganistão, Síria, Iêmen, Líbia foram DESTRUÍDOS pelo imperialismo americano, produzindo dor, morte e destruição. Sem falar nas ações de espionagem e sabotagem nas democracias da América Latina.

Não se trata de achar que a China é um paraíso e que não tenha problemas graves. Poluição e corrupção são dois muito chamativos. Entretanto, acreditar que o mundo ocidental tem mais liberdade do que a China é algo que só pode ocorrer pelo desconhecimento do sistema chinês, o sistema mais meritocrático de todos aqueles criados para a administração pública.

O modelo político liberal burguês é que precisa explicar o seu fracasso, que pode ser facilmente entendido quando vemos Bolsonaro como presidente e os Estados Unidos tendo que decidir entre um psicopata e um “senhor da guerra” senil.

Mais uma vez: não considero a China um exemplo a ser seguido cegamente, mas permitam que eu me surpreenda com o preconceito com a China e a aparente exaltação do sistema brutal do imperialismo americano.

Pergunta final: quantos cidadãos do mundo foram mortos nos últimos 10 anos por americanos e quantos o foram por chineses? Quantos chineses foram mortos por forças do seu próprio Estado na China e quantos americanos foram mortos pela polícia americana? Perceba: o sistema capitalista MATA seus próprios cidadãos, enquanto no socialismo a ideia não é matar através das ações do Estado.

Desafio a assistirem este TED Talk que trata do debate sobre a democracia representativa e o modelo chinês.

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