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Gancho

Fiquei de castigo por 3 dias no Facebook. Tomei um gancho por “discurso de ódio”. Querem saber por quê?

Fiz um breve comentário na foto, colocada em um site de piadas americano, onde se via uma criança negra chorando ao lado do caixão em que jazia seu pai, soldado morto em batalha no Afeganistão. Abaixo da foto se lia a legenda: “Militares americanos mágicos: ficam 3 anos fora de casa e voltam transformados em uma bandeira”.

Pode-se dizer que é uma piada de mau gosto, ou inadequada. Cruel talvez, mas preferi levar a sério o tema. Respondi dizendo:

“Não é difícil descobrir o segredo desta magia. Basta parar de mandar pretos, pobres e latinos para matar outros pobres e periféricos em nome do “Exército Imperial”. Só no governo do democrata Obama foram SETE países destruídos pelos imperialistas. Centenas de milhares de mortos e mutilados, entre eles mulheres e crianças. Enquanto estes sujeitos forem tratados como heróis, e não como marionetes do Império para fazer os ricos ficarem ainda mais ricos, estaremos no caminho errado. E não esqueçam: antes de morrer este pai de família deixou órfãs várias crianças que agora choram também a falta do seu pai. Se é para lamentar pela tragédia e pela tristeza da cena, vamos chorar pela imagem completa, e não só por parte dela”.

Gancho merecido, não?

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China

“A China, recém-eleita para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, acaba de analisar os EUA e insta o país a: erradicar o racismo sistemático, enfrentar a brutalidade policial e a proliferação de armas, parar de estigmatizar a pandemia, interromper a intervenção militar em outros países.”

Desculpe, mas qual o motivo do espanto? Racismo sistemático na cultura americana é impossível de não enxergar; brutalidade policial é uma realidade impressionante nos Estados Unidos, proliferação de armas produz o “mass shootings” praticamente diários no país que mais valoriza o armamento pessoal, politizar a pandemia é uma realidade lá e em outros países (como o Brasil) e o imperialismo e a intervenção militar em outros países não pode ser negado por qualquer pessoas que leia o jornal. Por que isso causaria espanto e surpresa?

Vejam, a China não é nenhum paraíso, mas erradicou a fome e a pobreza que são crescentes nos Estados Unidos. Aos poucos se torna a maior potência econômica e tecnológica do planeta. A proibição de armas na China faz com que mortes e assassinatos sejam raríssimos. O racismo na China nunca foi institucionalizado como nos Estados Unidos, cujo modelo “Jim Crow” deixou Hitler tão apaixonado, querendo explicitamente importar o modelo racista americano para a Alemanha pois achava que o racismo Yankee era o mais adequado para seu país.

A brutalidade policial na China jamais será semelhante àquela dos Estados Unidos, a mais violenta polícia do mundo, a que mais mata (depois da polícia brasileira) e a que mais é motivada por diferenças raciais. A China não tem nem de longe este tipo de problema. A China encarou a pandemia como devia ser encarada, com seriedade e ações de saúde pública e sem partidarização. Por essa razão, mesmo com uma população 4-5 vezes maior que os Estados Unidos teve apenas uma fração de suas mortes.

A China pós revolução de 1949 nunca invadiu outros países (com exceção do Tibete, onde imperava um sistema escravagista e teocrático), nunca teve uma atitude imperialista, jamais bombardeou países da Ásia como a Coreia, onde 1/3 da população morreu pelas bombas americanas. Sim UM TERÇO de todas as pessoas de lá morreram (mulheres e crianças) pelas ações imperialistas. Vietnã, Iraque, Afeganistão, Síria, Iêmen, Líbia foram DESTRUÍDOS pelo imperialismo americano, produzindo dor, morte e destruição. Sem falar nas ações de espionagem e sabotagem nas democracias da América Latina.

Não se trata de achar que a China é um paraíso e que não tenha problemas graves. Poluição e corrupção são dois muito chamativos. Entretanto, acreditar que o mundo ocidental tem mais liberdade do que a China é algo que só pode ocorrer pelo desconhecimento do sistema chinês, o sistema mais meritocrático de todos aqueles criados para a administração pública.

O modelo político liberal burguês é que precisa explicar o seu fracasso, que pode ser facilmente entendido quando vemos Bolsonaro como presidente e os Estados Unidos tendo que decidir entre um psicopata e um “senhor da guerra” senil.

Mais uma vez: não considero a China um exemplo a ser seguido cegamente, mas permitam que eu me surpreenda com o preconceito com a China e a aparente exaltação do sistema brutal do imperialismo americano.

Pergunta final: quantos cidadãos do mundo foram mortos nos últimos 10 anos por americanos e quantos o foram por chineses? Quantos chineses foram mortos por forças do seu próprio Estado na China e quantos americanos foram mortos pela polícia americana? Perceba: o sistema capitalista MATA seus próprios cidadãos, enquanto no socialismo a ideia não é matar através das ações do Estado.

Desafio a assistirem este TED Talk que trata do debate sobre a democracia representativa e o modelo chinês.

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Bruxas?

“Era uma vez, quando a Líbia (“Viemos, vimos, ele morreu”) oferecia ao mundo espetáculo imperialista humanitário sangrento estrelado pelas Três Hárpias Norte-americanas: Hillary Clinton, Samantha Power e Susan Rice, de fato quatro, caso se inclua a mentora e alma mater de Hillary, Madeleine Albright.” Crônica de Pepe Escobar no blog do Alok.

Pois vejam só… a grande ameaça para o resto do mundo com a possível vitória do senil Joe Biden se concentra em 4 mulheres poderosas, Senhoras da Guerra, frias comandantes do Imperialismo Americano mais abjeto e belicoso. Foram elas as responsáveis pela destruição de países inteiros no Oriente Médio, África e Ásia. E não há nada na figura de Kamala Harris – cria das poderosas Big Techs americanas – que nos dê esperança em um planeta mais fraterno e mais cooperativo. Em suma, mais “feminino”.

Não faz mal lembrar que a última guerra em que a América Latina esteve envolvida foi conduzida e liderada por uma mulher. Sim, Margareth Thatcher, além de ter jogado o mundo na espiral destrutiva do neoliberalismo, foi protagonista da última incursão bélica do primeiro mundo na parte de baixo do Equador.

Digo isso porque confio na tese de que “A Revolução será feminista ou não será”, mas com isso deixo claro que a simples entrada das mulheres na política não permite que esse modelo seja modificado. Uso para isso a minha experiência com o parto: a entrada das mulheres não deixou o parto mais feminino, mas deixou as obstetras mais masculinas. Eu canso de dizer que não existe nenhuma diferença moral ou intelectual entre homens e mulheres, brancos, negros, indígenas, amarelos e mistos, gays e héteros, e que estas diferenças são determinadas pelos sistemas e pelos contextos, jamais pela essência. Portanto, de nada adianta apostarmos nas aparências sem levarmos em conta o âmago – por vezes invisível – das lutas e anseios que habita aqueles corpos.

Conhecemos muito bem como a escolha por uma mulher apenas por seu gênero pode ser desastrosa. Mais salientes do que os dotes de sua biologia ou sua identidade sexual deverão estar seus compromissos com a equidade de gênero, o fim da violência contra as mulheres, o término da velada violência obstétrica, o rechaço ao punitivismo, ao racismo e ao sexismo de todas as formas, além de um compromisso com a construção de uma nova sociedade baseada na fraternidade e não mais na competição e na guerra.

Nossa experiência recente com Joice, Bia, Winter, Zambelli, Ana Amélia e tantas parlamentares ligadas aos valores conservadores nos prova que, mais do que ser mulher, é preciso levar a bandeira feminista da equidade e da paz.

Por mais bruxas e menos harpias.

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Partido único

Por certo que estamos diante de um plebiscito e a prova disso é que ninguém do lado dos democratas está querendo a vitória de Biden, mas a derrota de Trump. O problema é que Biden é senil, incapaz, frágil e um elemento ligado à indústria da Guerra. Muitos americanos falam do “Governo Kamala Harris que se aproxima”, exatamente porque não confiam na capacidade de Biden de levar adiante esta governança. Por outro lado, é fato que os governos democratas tendem a ser muito mais violentos, belicosos, imperialistas e mortíferos, basta ver o desastre do governo Obama e os 7 países destruídos por sua sanha por domínio. Portanto, o mundo que se cuidem com os democratas no poder…

Não consigo perceber nenhuma grande diferença entre os dois, até porque são do mesmo partido. Para mim é como ter no segundo turno Doria X Aécio… Ainda assim, espero que a vitória de Biden enfraqueça Bolsonaro, o neoliberalismo e a destruição corrente do Estado brasileiro. Essa é a única razão pela minha simpatia pela derrota de Trump. No mais, acho que a verdadeira vitória seria o povo americano perceber que sua democracia é um teatro e uma farsa, que não há escolha verdadeira, que os partidos são iguais em sua fé no império e no capitalismo e que o povo é um estorvo que a cada 4 anos precisa ser chamado para aplaudir a escolha que eles já fizeram.

Americanos são incapazes de enxergar seu próprio sistema. Não esqueça que os americanos chamam o campeonato nacional de Baseball de “World Series”. A questão é que a propaganda maciça sobre os partidos reforça uma diferença que simplesmente se faz nos detalhes, e jamais na essência. A essência do bipartidarismo americano é uma farsa, porque AMBOS tem a mesma visão de sociedade. É assim em Israel, onde TODOS os partidos são sionistas e nenhum deles vai resolver a questão palestina. Para os americanos o imperialismo e o capitalismo não são questões de governo; são questão de Estado, e não existe possibilidade de mudança dentro desse modelo.

Percebam o que aconteceu com Bernie Sanders. Se ele estivesse no Brasil ganharia a eleição, bastando sair do “PT” e ir para o “PSOL”. Mas Bernie – um social liberal dos mais frouxos – é IMPEDIDO de concorrer pelo boicote interno do partido democrata, apenas porque arranha suavemente a lataria do capitalismo predador e excludente dos Estados Unidos. E fora desses partidos não existe vida política representativa nos Estados Unidos.No mais…

FREE PALESTINE

FREE ASSANGE

FORA BOLSONARO

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Falsos heróis

Quando eu era menino eram muito comuns as séries americanas que contavam as aventuras dos americanos nas Guerras. As mais famosas foram “Combat!”, “Hogan’s Heroes” (Guerra, Sombra e Água Fresca) e M*A*S*H, esta última um sucesso espetacular sobre um grupo de médicos na Guerra da Coreia, com Alan Alda – guerra essa em que os americanos mataram mais de 1/3 de toda a população da Coreia do Norte.

Essas séries da minha juventude são as responsáveis por criarem no imaginário da minha geração duas grandes mentiras (entre outras) que o tempo e as evidências ainda não conseguiram desmanchar por completo.

1- que os americanos venceram a II Guerra Mundial. Errado, ela foi vencida pelo exército vermelho, que ocupou todo o leste europeu, chegou primeiro a Berlim e encontrou o Führer já morto por suicídio em seu Bunker. Os americanos entraram em 1942, para ajudar os aliados na batalha da Normandia. Perderam 500 mil homens, enquanto o Rússia teve mais de 20 milhões de mortos.

2- que o exército americano é feito de boas pessoas, companheiras, camaradas, justas, morais e éticas. Mentira: é o exército mais cruel do mundo, a força bélica do Império a serviço da “Estrela da Morte”, que desde a segunda guerra mundial já invadiu dezenas de países, sendo responsável por milhões de mortos por onde passa em sua luta por domínio e pela exploração de recursos naturais alheios.

Se alguém tem dúvida sobre a ação maléfica do exército americano em todo o mundo, confira aqui.

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