Mamas?

Aqui está outro debate que coloca algumas ideias culturalmente disseminadas contra a parede e exige delas coerência. A primeira ideia que surgiu como comentário na matéria acima foi a condenação da “amamentação do marido” porque “a sociedade erotiza os seios e a própria amamentação”. Outra crítica que retirei da seção de comentários da revista é que as mamas tem uma função nutricional, e que seu uso para além dessa tarefa seria uma “profanação” e uma “perversão”. A terceira crítica curiosa foi “podem fazer, mas longe da minha visão. Que o façam entre 4 paredes, não precisa esse exibicionismo”. Lembra alguma coisa?

Meu corpo minhas regras, não? Cada um é responsável pelo seu prazer, certo? Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que se é, ok? Entre quatro paredes tudo é válido enquanto consensual e feito entre adultos, combinado?

Coloquei uma penca de clichês sobre corpo, sexo e amor consensual. Faltou algum?

Creio que o mito da “amamentação angelical” precisa ser questionado e desafiado na mente das pessoas, em especial das mulheres. Aliás, as críticas a este relato foram todas colhidas de mulheres, que me pareciam fazer uma espécie de defesa através da denegação. Assim, se já temos maturidade suficiente para entender que “parto faz parte da vida sexual normal de uma mulher”, por que insistimos em retirar a amamentação dessa categoria? Por que esterilizamos o ato de amamentar, retirando dele seus óbvios componentes eróticos? Por que insistimos em negar para as mamas e para a amamentação seus óbvias conexões com o prazer? Se as mamas não fossem eróticas, não seriam tão bem escondidas do nosso olhar…

Quanto aos aspectos nutricionais Freud já esclarecia que uma criança não procura leite nas mamas, mas afeto, e se surpreende com a delicia e a maravilha do leite materno. Os experimentos de Harlow (onde os macaquinhos desprezavam a mãe de arame com leite e procuravam a mãe fofinha com água – mesmos às custas da desnutrição) nos ensinaram isso há mais de meio século. Portanto, o seio é o grande objeto erótico da fase oral, mas por certo que os resíduos dessa impregnação sexual nos acompanham por toda a vida. Quanto ao uso “pervertido das mamas”, lembro que toda a construção sexual humana tem estrutura perversa (vide abaixo, Zizek) e que, se a boca fosse feita “somente para comer”, muito do nosso arsenal erótico se desmancharia no ar…

Quanto a “não expor publicamente” isso me remete aos discursos ainda existentes sobre o comportamento dos gays. “Podem ser gays, mas vão se beijar em casa”. Pois eu achei muito pertinente que este casal tenha deixado clara uma fantasia que deve ser compartilhada por mais gente do que pensamos. Por que tanto medo ao ouvir a confissão de uma fantasia alheia?

Porém, acima de tudo, acredito que uma fantasia sexual entre adultos não deveria receber tantas condenações de ordem moral, em especial por parte das mulheres que tão bravamente lutaram pela liberdade de usufruir do prazer que podem obter de seus corpos. Chega de dedos apontados às mulheres. Mamas são eróticas, amamentar faz parte da vida sexual normal de uma mulher. Casais adultos podem explorar sua sexualidade como desejarem. Moralismos são anacrônicos e abusivos. Sexo é legal e quanto mais livre melhor.

E fora Bolsonaro…

Clique aqui para ver a matéria completa.

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