Defecando em público

Sabe o que sempre me incomoda?

Quando na cerimônia de formatura o orador é chamado para falar em nome dos formandos, pega o microfone, faz os agradecimentos de praxe às autoridades, e depois larga essa: “Em primeiro lugar quero agradecer à minha família, meu esposo Roberto, minha mãe, meu pai, meu amigos….”

Cara!!! Como você pode usar sua posição de representante da turma para fazer agradecimentos pessoais? Como você abusa desse lugar para exaltar a sua trajetória pessoal? Quando você é escolhido para fazer o discurso está levando a palavra, anseios e sentimentos de toda a sua turma e não pode falar em nome próprio. Fazer homenagens particulares é uma falta de bom senso e falta de noção de qual sua real posição.

Por isso me incomoda também quando você estraga uma festa de milhões de pessoas para fazer uma demonstração anacrônica e estúpida de machismo, apenas para dar conta das suas inseguranças de macho. A festa não era dele!! Se houvesse realmente algo a ser defendido, que fosse feito depois da festa, no camarim ou na rua, e não estragando a festa de todos.

O problema é que estas figuras milionárias de Hollywood vivem numa bolha, ou em Asgard, onde circulam em limusines, tem empregados de todas as cores, são tratados como divindades e perdem o contato com o mundo real. Nesse mundo, todos tem a obrigação de saber dos problemas de cabelo de uma das celebridades da corte, e precisam acreditar que alopecia é algo mais grave ainda do que morte, miséria, a guerra em curso, fome, câncer ou qualquer desgraça…. afinal, acometeu uma Deusa.

Por isso é que Will Smith agiu como se estivesse na sua casa e na sua festa, e os milhões de espectadores que se virem com isso. Sua urgência em defender(-se) (d)a mulher diante de uma piada inocente parecia a ele mais importante do que todos os convidados da festa e os milhões que estavam assistindo em casa. Sua negativa em retirar-se quando convidado pelos organizadores tem a mesma marca: “Fui enviado por Deus“, disse ele. Pela sua visão, só o criador teria essa prerrogativa.

Estes fatos patéticos fazem lembrar os reis que chamavam seus servos quando queriam defecar, e depois o faziam na frente de todos. Afinal, sendo ele o Rei, é dever de todos se adaptarem às suas necessidades, seus maneirismos e vontades, e não o contrário.

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