Uma verdade difícil de aceitar, mas essencial para oferecer reais alternativas para as mulheres. A simples fantasia de ter um parto como a Gisele não qualifica uma gestante ao parto domiciliar. É necessário muito mais do que essa conexão emocional, em especial a consciência da responsabilidade por suas escolhas.
Escolher um parto num modelo contra-hegemônico e depois abandonar a equipe que a assistiu à própria sorte não é justo nem ético. As equipes de assistência domiciliar precisam desenvolver a habilidade para distinguir quem está verdadeiramente conectado ao paradigma da humanização e quem apenas se deixou seduzir pelo modismo. Dizer “não” é uma tarefa tão difícil quanto fundamental. Muitas das complicações encontradas em paryos domiciliares, tanto para os pacientes quanto para as equipes de assistência, poderiam ter sido evitadas se o escrutínio sobre a real capacidade de enfrentar esse desafio fosse mais preciso. Na maioria das vezs nos deixamos seduzir pelos pedidos por um parto extra-hospitalar e pelo interesse expresso em fugir dos ambientes constrangedores e alienantes dos centros obstétricos. Entertanto, o deejo de se afastar das iatrogenias tão comuns no hospital não é motivo suficiente para escolher um parto em domicílio.
A razão para isso é que a pressão que vira do entorno será muito intensa, e apenas as perssoas que têm um preparo emocional adequado conseguirão suportar os revéses. o problema reside em descobrir a verdade que se esconde no espaço que separa as palavras, o que não é dito e não é revelado. E exatamente aí está uma das habilidades mais preciosas dos cuidadores: a leitura dos sentimentos de quem os procura.
“Se o seu instinto, quando qualquer coisa dá errado, é procurar alguém para culpar ou processar, o parto comunitário provavelmente não é para você. Assistentes independentes não têm as máquinas jurídicas dos hospitais para protegê-las de servirem como bodes expiatórios. Obstetras são para patologias. Hospitais são para pessoas que querem terceirizar a responsabilidade. Essa é simplesmente a realidade. Parteiras fracassariam se aceitassem todas as pessoas de baixo risco.” — Ashley Nicole
