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Nostalgia

Na minha juventude era comum ouvir. “Sabe que vai passar Woody Allen no Corujão de sábado na Globo?” e a gente ficava acordado para assistir o filme porque a benevolência de uma emissora de TV era a única forma de rever um filme que se gostava ou assistir um que não conseguiu ver quando passou no cinema.

Em meados dos anos 80 surgiram os videocassetes e a consequente proliferação das “locadoras de vídeo”, as quais tornaram possível assistir filmes antigos que tivessem cópia para alugar. Primeiro os vídeos eram piratas ou “bootlegs” (filmados no cinema) e mais tarde as cópias precisavam ter o selo da Ancine para serem alugados. Foi também o “boom” da pornografia. Era possível assistir filmes pornôs sem passar pelo constrangimento de ir num cinema. As locadoras chegaram a ser um grande negócio e até meu irmão teve uma, mas hoje desapareceram por completo (lembram da Blockbuster?)

Aí chegou a internet, Napster e o Torrent. Uma vez uma amiga me mandou um arquivo pelo ICQ e disse para eu clicar. Era uma música no padrão .VQF, que nem existe mais. Era “Coração Bobo”, com Zé Ramalho e Alceu Valença. Escutei a música mas fiquei mais impressionado ainda por uma visão que eu tive, uma espécie de epifania. Chamei meu filho Lucas, menino na época, e lhe disse: “Acabou a indústria fonográfica”. Expliquei para ele que, se já é possível mandar músicas P2P (entre pessoas), não haverá mais porque comprá-las. Isso mudaria definitivamente a relação das pessoas com a música e com o mercado de discos e CDs.

Eu estava certo. Quebraram todas. O passo seguinte foi a venda de CDs piratas com filmes baixados na internet, o que selou em definitivo o destino das locadoras, mas garantiu a todos nós o acesso direto a toda a criação musical e cinematográfica da história dentro de nossas casas. Agora, até no celular…

Hoje em dia podemos assistir qualquer obra a qualquer momento, bastando para isso um acesso a uma conexão wi-fi. Porém, quem hoje tem menos de 25 anos não sabe o que significava esperar para saber o que seria o Temperatura Máxima, Domingo Maior, Cinema em Casa, Cine Belas Artes etc…

Era todo o cinema que o mundo nos oferecia para assistir dentro de nossas casas.

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