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Porta

Porta

A porta só se abre pelo lado de dentro, e esse é o grande ensinamento que a gente precisa aprender: nossas ideias devem ser expostas, jamais impostas. O crescimento pessoal é uma tarefa solitária e custosa, e as pressões externas apenas podem produzir fingimentos, dissimulações e falsidades, que levam o sujeito a uma vivência neurótica e irreal. As religiões “espetaculosas” são pródigas em produzir estes fenômenos, que variam da “cura gay” até excessos de veneração. A reforma íntima, lenta e pedregosa, é o único caminho confiável de transformação. Da mesma forma a democracia, com seus problemas e sua natural morosidade, é a única maneira de produzir mudanças sociais sólidas e consistentes, e as ditaduras serão sempre um engodo sedutor.

O empoderamento no parto não é necessariamente a consequência de um parto humanizado, mas a capacidade de apreender os ensinamentos que qualquer nascimento pode oferecer. Muitas pessoas acordam para a necessidade de mudar o panorama da assistência ao parto depois de assistências violentas, cruéis e humilhantes. Isso também é empoderar-se. Sheila Kitzinger costumava dizer que um parto era válido (na perspectiva feminina) quando a mulher podia olhar para trás e ver um caminho de crescimento e consciência, e essa é uma verdade que pode sobressair de qualquer nascimento.

Infelizmente mesmo os partos mais bonitos e transcendentes não conseguem produzir estas modificações, pois não são os elementos externos que comandam esta evolução, e sim a capacidade do sujeito de captar e processar as mensagens a ele enviadas. Ali nossa tarefa termina: oferecer as condições para que as imagens, sons, conceitos e palavras possam produzir a sua ação dentro do sujeito. Mas nesta tarefa, só ele poderá agir. A nós cabe apenas a função de catalisadores…

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Jesus Cura

Jesus cura

Como eu acredito que a CURA é um processo interno, que se instala a partir da alterações profundas de rotas adaptativas inconscientes, eu não acredito que drogas, cirurgias, psicólogos ou médicos tenham a capacidade de curar um sujeito. Tais instâncias são elementos de auxílio para um caminho que é fundamentalmente solitário, e não a fonte da cura.

Por isso eu acho que Jesus NÃO cura homofobia, como afirma o cartaz dos evangélicos “moderados”. Se curasse os cristãos seriam menos homofóbicos do que os ateus, mas o que observo é o oposto disso; os Felicianos e Malafaias não me deixam mentir…

Dizer que Jesus cura a homofobia tem tanto sentido para mim quanto dizer que a Bíblia condena os gays. Se Jesus foi mesmo o ser superior que nos fazem crer ele não se importaria com quem seus fiéis dormem. Isso, do ponto de vista do caráter ou da evolução espiritual não nos diz nada…

Deixem Jesus fora disso…

Se vc não acreditar em Jesus como divindade, realmente não fará nenhum sentido para você dizer que Ele pode curar!

É exatamente isso… Eu não acredito em NENHUM guru, Messias, salvador…. nada. Não quero, não aceito e não desejo ser salvo por NINGUÉM. Se alguma salvação existe ela será feita tão somente por mim.

Os evangélicos são os maiores porta-vozes da homofobia nacional, e é muito triste constatar que isso venha de uma organização religiosa que, a princípio, deveria se nortear pela fraternidade e pelo amor ao próximo. Aquele que for evangélico e não aceitar as palavras contra a opção sexual do seu semelhante que se manifeste publicamente contra isso, e mostre sua aversão aos Malafaias e Felicianos que pregam a exclusão. Eles disseminam de forma muito clara essa visão demeritória aos homossexuais e, quer aceitemos ou não, essa é a face dos evangélicos hoje em dia.

Sei que minhas palavras não agradarão boa parte das pessoas que cultivam suas crenças, mas sofro isso na carne há 30 anos, desde que iniciei a escrever. Ter coragem de desagradar as pessoas é tarefa que poucos aceitam. A maioria faz avaliações de suas opiniões baseadas na popularidade. Sou contra muitas coisas que as pessoas consideram óbvias, mas não por isso deixo de expressá-las, pois elas significam a minha verdade, parcial, passageira e frágil. Mas não foi Jesus ou Maomé quem me mandou dizê-las: elas são de total responsabilidade minha.

Aliás, há alguns poucos anos (uns 30) eu era crente nas realidades cristãs. Participei na minha juventude de grupos de jovens, algo que muito me ajudou a passar pelas atribulações da juventude. Depois joguei para longe toda e qualquer crença baseada em “livros sagrados“, “palavras do mestre“, etc. Entretanto, enganam-se os que pensam que eu me decepcionei com o tímido humanismo cristão. Não, eu me desencantei com a ideologia por trás de qualquer religião, que afasta os indivíduos do verdadeiro humanismo. Os evangélicos que combaterem de maneira FEROZ as religiões africanas não seguem nenhum preceito de fraternidade. Os católicos que fazem o mesmo sofrem da mesma falha ética. E assim com todas as religiões.

O salvacionismo evangélico leva a dissoluções e, acima de tudo, no caso dos pentecostais, uma “desmoralização” da religião, que de um artigo de fé passa a ser um produto a ser comprado no balcão dos bispos para o sucesso profissional. Basta ligar a TV e ver as vendas de “vassoras”, “pedaços da cruz”, “aspiradores de más energias”, e tantas outras bobagens que tentam enganar as pessoas e ludibriar fiéis, enclausurados em suas crenças e no seu misticismo.

Minha crítica, como pode perceber, não é ao católico fervoroso que tenta ser um bom cidadão, nem ao espírita religioso, ao umbandista caridoso ou ao evangélico que deu sua mente e seu coração para um ser etéreo (Jesus), mas para as RELIGIÕES, criações humanas que LUCRAM com uma visão mística, alienante, baseada em histórias que, quando literalmente entendidas, nos levaram a guerras, destruição, morte e dor.

Apesar das opiniões contrárias, continuarei pedindo que deixem Jesus fora deste tipo de debate sobre a homossexualidade, seja para acolher ou para repudiar os homossexuais. Se esse Jesus realmente existiu e foi o responsável pelo Sermão da Montanha, que é a síntese humanista da sua obra (e todo o resto – ressurreição, cruz, traições, etc. são apenas ficções que se repetem em quase todas as tradições para reforçar a mística do salvador) ele realmente não se importaria com a vida sexual das pessoas de bem.

Para Jesus, o “mestre nazareno”, tanto quanto para mim, qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor valerá, e toda e qualquer segregação deve ser repudiada…

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