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Epílogo

As manifestações violentas dos representantes de sistemas de poder sempre acontecem no epílogo de todos os modelos hegemônicos. Um pouco antes da morte de um paradigma sobrevém o terror, como natural manifestação de desespero. O modelo médico obstétrico está doente e decadente, mas vai levar ainda muitos anos para ser substituído. Enquanto isso não acontece aqueles que o sustentam precisam lançar mão da violência verbal – e corporativa – para contrapor às evidências trazidas à tona pela nova consciência emergente, aquela que vai estruturar o novo paradigma.

A ferocidade dos ataques está, portanto, no script. Ela faz parte do ocaso de qualquer paradigma. Não se incomodem tanto com tais manifestações de ódio; elas são apenas como náufragos se debatendo e se agarrando nas vigas de madeira de um navio que aos poucos afunda.

“A cada dia que passa, e a cada nova descoberta, eu agradeço a Deus por ter me colocado do lado certo da história, mesmo que o preço a ser pago por estas escolhas seja a dor, a tristeza, o exílio e, por fim, o amargo esquecimento”.

Amália Contreras del Arroyo, “El Llanto de las Cascadas” Ed. Footprint, page 135

Amália del Arroyo é uma parteira nascida em Cuzco, no Peru, tendo desempenhado um importante papel na consolidação da parteria em seu país. Escreveu “O Pranto das Cachoeiras” como uma série de histórias e artigos relacionados com a parteria tradicional da cultura andina, em especial do Quíchuas – grupo indígena da região do Chile até a Colômbia e língua falada pelo império Inca. Neste livro ela descreve especificamente da destruição das culturas de parto indígenas pelo modelo tecnocrático e a desnaturalização do nascimento nas culturas ocidentais. Mora em Lima e tem 4 filhos.

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Golpe na Democracia

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Cunha aceitou o pedido de impedimento da presidenta Dilma, mas só o fez em desespero de causa, porque percebeu que a pressão contra ele está aumentando e se tornando insuportável. Ele está acuado, como um animal sendo caçado. Seu ataque é a demonstração inequívoca do seu desespero.

O Brasil terá que fazer uma escolha difícil. Extirpar Cunha da câmara é uma necessidade moral, para que um falsário e chantagista não seja a imagem do que significa política no país. Ele precisa pagar por uma vida inteira dedicada à corrupção. Por outro lado, levar adiante o impeachment significa criar uma tragédia política que vai arranhar a imagem do país por muitos anos. A quebra da normalidade democrática através do golpismo óbvio dessa atitude fará o Brasil emparelhar-se ao Paraguai em termos de maturidade política.

Se a vingança dos perdedores levar a cabo a saída da presidenta e o desprezo pelos 54 milhões de votos que a sustentam eu temo por uma grave divisão nacional e até uma guerra civil. A classe média de um lado e os excluídos de outro. Não será bom para ninguém. O “terceiro turno” será violento e amargo

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