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Humanidade

Quando dona Marisa morreu, o ministro todo-poderoso do STF Gilmar Mendes ligou para Lula e chorou ao falar com ele. Foi nesse momento que Gilmar se deu conta do grande erro que havia cometido. No enterro da esposa de Lula estavam presentes todos os oponentes políticos do ex-presidente, de Sarney a FHC. A morte nos iguala e, de uma certa forma, nos humaniza. A tristeza por uma grande perda nos une e congrega.

Lembro agora da confraternização de Natal entre os soldados ingleses e alemães emergindo das trincheiras lamacentas para celebrar a esperança no fim da guerra. Naqueles momentos eles se sentiam todos iguais, a despeito de suas fardas, suas armas, suas diferenças e suas visões de mundo. Ali, em meio à barbárie, brotava a flor tímida da humanidade, em meio aos escombros de uma guerra brutal.

Quando ocorreu o desastre da Boate Kiss, Dilma chorou, abandonou às pressas um encontro no exterior e foi oferecer sua solidariedade às vítimas. Também chorou na tragédia de Realengo, assim como tantos outros estadistas hoje igualmente choram ao anunciar as mortes pela pandemia do Corona. Bolsonaro limita-se a produzir risadas histriônicas de sua claque ao dizer “E daí?”.

Bolsonaro disse que Dilma deveria sair, “de câncer, de infarto, de qualquer forma”. Sequer o seu sofrimento como sobrevivente de um câncer, ou o seu martírio como torturada pela ditadura, produziram nele uma simples atitude de respeito. Pior ainda; exaltou o torturador responsável pelas atrocidades cometidas contra ela. Agora, em nenhum momento surgiu deste homem qualquer sinal de compaixão diante das mortes pelo Covid19. Nem mesmo uma palavra de conforto ou de empatia; apenas desprezo e escárnio.

Não se trata de acreditar que Bolsonaro é “direto”, “grosso”, “verdadeiro” ou “sincero”. Não, ele é apenas a negação da vida, a rejeição aos valores humanos e a exaltação do fanatismo mitômano.

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Manifestação

“Não havia nada de sincero nessa manifestação do dia 26/03.  Nenhuma das pautas era verdadeira. Se houvesse interesse em combater a corrupção não teriam colocado Temer e tirado Dilma que, junto com Lula, deu toda a liberdade para os exibicionistas da PF e os fanáticos religiosos do MP. Colocaram Temer e toda a camarilha no poder, os mesmo que, junto com Cunha, boicotaram o governo Dilma desde o primeiro dia do segundo mandato.

O movimento de domingo foi contra Lula que SÓ CRESCE NAS PESQUISAS. Foi contra o “comunismo” (leia-se justiça social) e a favor de Temer (era proibido falar mal dele). Por isso mesmo foi um gigantesco fiasco e uma humilhação terrível para o MBL que tende a desaparecer por ser um movimento de aluguel cujo único objetivo era dar uma cara popular ao golpe. Morrerá pela ausência de substância e pela falta de caráter dos fantoches do instituto Millennium.

E quem teria coragem de se associar aos velhos brancos, frustrados e impotentes, viúvas de militares e outros alienados que – pelo fetiche de serem escravos – pedem a volta da ditadura militar?”

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Dilma e a Alcateia

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O jornalismo brasileiro chegou aos níveis mais baixos de credibilidade. Quem acredita em uma manchete hoje em dia? “Contas particulares da presidenta Dilma pagas por propina”. Quando você vai ver, não tem nenhuma fonte, nenhuma comprovação, nenhuma informação. Apenas um boato criado por um criminoso com uma caneta na mão e um rabo preso. A imprensa é o principal alicerce das democracias, ao lado de um judiciário isento e sério. Já que perdemos estes dois, o que nos restará?

Se não fosse uma tragédia para a imagem desse país seria digno de gargalhadas. Fico pensando nos pobres, classe média e aposentados fazendo um carnaval ridículo contra o governo, sem saber que Dilma, com todos os seus defeitos e equívocos, era um anteparo contra a alcateia que a cercava. Agora, com Dilma afastada, abriu-se a porta do galinheiro e NÓS, pobres e ingênuos galináceos, estamos a mercê dos lobos que pretendem assaltar os cofres públicos em benefício próprio, e para se blindarem contra a ameaça da justiça.

Parabéns paneleiros… vocês conseguiram.

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Solução

Foto Oficial Presidenta Dilma Rousseff. Foto: Roberto Stuckert Filho.

A solução seria uma nova eleição, em 2018, e não um golpe. Se você não gosta do amiguinho da escola, não fale mais com ele, mas não planeje matá-lo. Se não gosta da Dilma, vote no Aécio (de novo) mas tenha respeito pelos seus 54 milhões de votos. Acho lamentável que pessoas apoiem um golpe manipulados pelas informações de redes de notícias que são ridicularizadas no mundo inteiro. Só no Brasil se desconfia de Lula, e só aqui pedalinhos e barquinhos de lata servem como indícios, que NUNCA se concretizam. Pedir um impedimento por crise política é um escândalo; imagine o que seria o governo FHC…. mas naquela época não havia um Eduardo Cunha para mandar adiante um impeachment por vingança pessoal.

Pedir o afastamento de uma presidente HONESTA (quem disse isso foi FHC, lembram?), sem crime de responsabilidade, apenas porque a Petrobras empobreceu e está em crise como TODO O SISTEMA PETROLÍFERO MUNDIAL, é um descaso sério com os valores da democracia. Se Dilma merecia ser impedida, o que dizer de Alckmin, de Pezão, de Sartori? O que dizer dos 31 decretos de Alckmin, e das pedaladas de 16 governadores? Se desemprego tirasse uma presidente, como Sarney ou FHC puderam, governar? Mas por que NADA se diz desses políticos????

Porque o objetivo é expurgar um partido popular usando a corrupção como DESCULPA, ao estilo de TODOS os golpes de direita, de Hitler, Mussolini ou mesmo os caseiros, como 54 e 64. Uma falsa luta contra a corrupção – na maioria das vezes presumida, como confessam os acusadores (eles “deviam” saber disso…) – e a entrada triunfal de um ideário neoliberal que só chega ao poder SEM VOTO, com GOLPE, sem apoio popular, mas usando de manobras sórdidas e indignação seletiva para se expressar.

Eu é que pergunto: como podem ser cegos e não ver as forças por trás do golpe? Como podem fechar os olhos aos interesses de acabar com a estabilidade no emprego, a CLT, a Petrobras e o nosso valor mais cobiçado – o Pré-sal? Como negar a existência de um desejo americano CLARO e CRISTALINO de acabar as aspirações brasileiras de ser uma potência mundial? Como não ver que nosso desejo de terminar com a dependência do dólar através da união dos BRICS irrita os poderosos, mas pode nos oferecer autonomia e protagonismo no cenário internacional?

Aceitar esse golpe é lastimável e depõe contra os valores republicanos. É triste ver como ainda somos manipulados, e como ainda teremos muita dor. Ganharam os corruptos, os canalhas e os malandros. Eduardo Cunha e todos que saíram às ruas de verde amarelo são a demonstração mais deprimente da incompetência da democracia desse país em se sustentar diante dos dilemas.

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Golpe na Democracia

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Cunha aceitou o pedido de impedimento da presidenta Dilma, mas só o fez em desespero de causa, porque percebeu que a pressão contra ele está aumentando e se tornando insuportável. Ele está acuado, como um animal sendo caçado. Seu ataque é a demonstração inequívoca do seu desespero.

O Brasil terá que fazer uma escolha difícil. Extirpar Cunha da câmara é uma necessidade moral, para que um falsário e chantagista não seja a imagem do que significa política no país. Ele precisa pagar por uma vida inteira dedicada à corrupção. Por outro lado, levar adiante o impeachment significa criar uma tragédia política que vai arranhar a imagem do país por muitos anos. A quebra da normalidade democrática através do golpismo óbvio dessa atitude fará o Brasil emparelhar-se ao Paraguai em termos de maturidade política.

Se a vingança dos perdedores levar a cabo a saída da presidenta e o desprezo pelos 54 milhões de votos que a sustentam eu temo por uma grave divisão nacional e até uma guerra civil. A classe média de um lado e os excluídos de outro. Não será bom para ninguém. O “terceiro turno” será violento e amargo

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