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Dinheiro e(m) excesso

As pessoas que vivem fazendo textões exaltando a possibilidade do dinheiro de trazer felicidade e paz de espírito, romantizando e exaltando as coisas que o dinheiro pode comprar, deveriam conhecer a história do Thiago Brennand, famoso playboy pernambucano que foi preso hoje em Dubai. Sua longa história de abusos é tão extensa quanto a lista de pessoas que se afastaram dele, em especial sua própria família. Seu dinheiro atrai interesseiros(as) e oportunistas, mas afasta aqueles que o conhecem em profundidade.

Uma das irmãs, conhecida nutricionista da cidade, relatou que tanto ela quanto seus 3 outros irmãos não tem nenhum contato com Thiago há 20 anos. Gente, 20 anos sem falar com os próprios irmãos. Que riqueza é essa que destrói os laços familiares?

Eu não tenho interesse algum em desculpar as inúmeras atrocidades que este rapaz cometeu. Espero mesmo que pague suas dívidas e que possa reavaliar sua trajetória nesse mundo. Por outro lado, penso que este ódio e o desprezo imenso que tem pelos outros – em especial sua família – devem estar relacionados a feridas ainda abertas, traumas muito precoces na sua vida afetiva, desamores dolorosos que foram potencializados pela sensação de impunidade e onipotência que o dinheiro em excesso é capaz de produzir em qualquer um. Dinheiro, assim como a beleza e o talento, são fardos pesados para carregar. Aliás, o próprio nazareno já nos alertava que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um “burguês” (desculpe, preciso deixar claro) entrar no Reino dos Céus. E por quê? Ora, porque somos egoístas por natureza, e sem uma castração adequada em nossa propensão egocêntrica, acabamos acreditando mesmo que somos o centro do mundo.

O que este rapaz expõe como comportamento narcisista, violento, misógino, racista, homofóbico e aporofóbico (desprezo pelos pobres) nada mais é do que a visão crua das feridas afetivas que insidiosamente destroem seu espírito. Ele fez muitas vítimas pelo seu comportamento, mas por certo que ele também é mais uma delas.

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Morte prematura


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Cinquenta e poucos anos é muito cedo para morrer, e não creio que dá para usar a surrada desculpa de que “viveu 100 anos em 50”, porque essa vivência não inclui uma das fases mais criativas e interessantes da vida: a plena maturidade, o arrefecimento da sexualidade bruta, a velhice e o fim. Não abriria mão de assistir a desintegração do meu corpo e a sabedoria capaz de fluir das cinzas dessa queima. Não faz sentido uma vida em que só a infância e a juventude tenham espaço. Muito do que sei adquiri faz pouco, exatamente pela derivação proporcionada pela paulatina e insidiosa perda do vigor.

Se eu tivesse a oportunidade de escolher minha vida futura fugiria da beleza física, da riqueza e do talento desmedido. É muito difícil ver pessoas profundamente talentosas, belas e ricas felizes e gratas à vida; mais fácil é vê-las prisioneiras de suas virtudes e qualidades. Ter excelência em qualquer área – em especial na arte e no corpo – é um fardo pesado, muitas vezes difícil de carregar sem uma quantidade as vezes insuportável de sofrimento.

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