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SK8

Não romantizem demais o skate. Não acreditem que a “cultura do skate” é diferente das demais. Ora, não haveria porque ser assim. A nossa medalha de prata foi ganha por uma criança de 13 anos. O que ela diz é porque ela é uma garota pré adolescente, não por que o skate é “solidário”, “não competitivo” ou diferente dos outros esportes. O que hoje se diz do skate ontem era dito do surf, mas o tempo mostrou que não há uma “cultura” diferente quando existem disputas, vitórias, prêmios, fama, medalhas, glória… e dinheiro.

Olhem para o lado e vejam que entre os homens esse mesmo esporte se comporta como qualquer outra modalidade tradicional de competição. Isto é, brigas, tretas com publicidade, luta por espaço e exposição, favorecimentos, ressentimentos etc. Quando esses elementos todos se misturam a pureza toda se desbota e aparece a face menos fantasiosa do esporte.

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Dinheiro e Felicidade

Discordo com veemência da visão que associa dinheiro à felicidade, mas aviso que isso nada tem a ver com uma “elegia à simplicidade” ou uma objeção simplória ao consumo. Não bastassem os exemplos de ricos com vidas miseráveis e de populações inteiras que são felizes com o pouco que têm, também há que entender a diferença brutal entre “necessidades” e “desejos”. Os primeiros nos garantem a vida e são simples e finitos; já os segundos são eternos e imortais incapazes de oferecer a completude que ilusoriamente neles buscamos.

Associar “falta de dinheiro” com infelicidade é pura tolice; confundir a escassez do dinheiro com “pobreza”, também. Privar pessoas de suas necessidades produz sofrimento e miséria humana, entretanto, tentar encher o poço sem fundo dos desejos imaginando atingir felicidade e plenitude não passa de uma ingenuidade catastrófica.

É um erro “romantizar a pobreza”, por certo, até porque não há nada de moralmente elevado em ser a ponta oprimida e explorada do capitalismo. Por outro lado, imaginar que o dinheiro é capaz de produzir mais felicidade quando se ultrapassam os limites das necessidades humanas é oferecer a ele uma tarefa que é incapaz de cumprir. Para quem acumula dinheiro com o objetivo de ser feliz apenas digo que “são tão pobres que tudo o que possuem não passa de dinheiro”.

Prefiro citar o pensador romano Sêneca, quando diz que “a pobreza não se produz pela escassez de recursos, mas pela multiplicidade dos desejos”. Quanto mais se tem, mais o desejamos, e assim indefinidamente, produzindo uma reversão cruel: ultrapassado um certo volume é o dinheiro quem nos possui, e não nós a ele.

Albert Mahooney, “Ten tips for a life in the jungle”. Ed. New Frontier, pág. 135

Albert Mahooney é âncora de televisão Denver 7, no Castle Rock News nos Estados Unidos. Escreve também em jornais locais em sua cidade Natal, Castle Rock, Colorado-USA. Escreve para jornais da região, em especial sobre política e cultura. Suas colunas foram transformadas em livro com o nome de “Ten tips for a life in the jungle” (Dez dicas para a vida na Selva).

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Salário de Políticos

Que impacto seria produzido se cortássemos o salário dos políticos pela metade? O que isso representaria em dinheiro para o país? Por que deveríamos cortar o salário de políticos e não de presidentes de estatais, funcionários graduados, juízes e membros do MP?

Com sinceridade, a tese que coloca o salário dos políticos como “o problema” é uma bandeira da direita. O sonho dos extremistas do Estado Mínimo é que políticos trabalhem de graça, porque desta forma apenas os empresários e ricos poderiam exercer essa função, pois não precisam trabalhar para ganhar seu sustento.

Culpar desta forma os políticos e seus salários é um discurso que tenta atingir a POLÍTICA representativa liberal, e serve aos interesses autoritários.

PS: claro que alguns abusos devem ser cortados, como permitir que políticos populistas e reacionários aluguem BMW com dinheiro público. Ou as verbas de gasolina. Ou tantas outras falcatruas inaceitáveis. Mas culpar seu salário pelos problemas no Brasil é absurdo, ou oportunismo…

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Pensamento de Pobre

Passei boa parte da minha vida escutando a expressão “pensamento de pobre” para definir pessoas que tinham o costume de economizar em bagatelas, como comprar roupas de qualidade menor, pedir carona, comprar em menor quantidade ou simplesmente que deixavam de consumir para não gastar seu dinheiro.

Evidentemente, como em qualquer ação humana, essa postura é sempre acompanhada de infinitas racionalizações. Ora dizem que a marca genérica é igual à oficial, que não vale a pena gastar com supérfluos ou que não acham justo gastar tanto com algo que é possível viver sem.

Quem critica este “Pensamento de pobre” afirma que se trata de um defeito de mentes constritas; um paraefeito da menos-valia. Apontam que esse pensamento constrói atitudes diminutas, tímidas, pequenas em sua amplitude, e que a conduta justa para uma alma ambiciosa é pensar sempre com grandiosidade e valor.

“Vou me dar de presente porque mereço“, falam aqueles cujas atitudes são opostas ao pensamento de pobre. Dizem que as coisas boas da vida são oferecidas àqueles que fazem jus a elas, mas que é responsabilidade de quem quer vencer buscá-las ativamente. “Pense alto, pense grande e permita-se fazer uso do que conquistou”, dizem estes.

Eu compreendo muito bem a perspectiva de quem pensa positivamente e se acredita merecedor dos benefícios que podem ser comprados. Não posso dizer nada contra essa forma de enxergar a si mesmo inserido no mundo. Entretanto, sou obrigado a reconhecer que desde tenra idade cultivo o “pensamento de pobre”.

Reconheço pertencer a esta “corrente” sem nenhum constrangimento ou culpa, E mais: não se trata de defender dessa escolha, mas tão somente fazer uma confissão: meu pensamento foi sempre guiado pela lógica da escassez.

Uso celular modesto, e sempre de segunda mão. Os poucos carros que tive na vida (com exceção de um que tirei num consórcio há 30 anos) eram todos usados. Minhas roupas compro muito baratas ou em “thrift shops” durante uma viagem. Não há “etiqueta” em nenhuma roupa que visto. Vivo em uma casa pequena e sem luxos e nunca me deixei seduzir pelo brilho das mansões, dos carros, das festas ou da opulência, mesmo quando ganhava muito mais do que a média dos brasileiros.

Digo isso sem qualquer vaidade, ensejando mostrar superioridade espiritual ou mesmo a correção de minhas ações. Não se trata disso, mas sim o reconhecimento de uma decisão subjetiva ligada à valores do inconsciente: nem pior nem melhor, apenas enxergo o mundo dessa forma.

Suspeito que a escassez foi minha companheira em vidas passadas e que este traço se manteve nesta existência atual. Isso explicaria a tendência irrefreável de enxergar as coisas pela perspectiva da contenção.

Faço uma analogia com outras escolhas que fiz na vida. Minhas pacientes por vezes se assombravam com o fato de eu ter sido pai ainda muito jovem, mal adentrando a terceira década de vida. Perguntavam se eu achava melhor ter filhos mais cedo ou mais tarde na vida, e eu sempre lhes dizia que “o melhor momento é quando se quer”. Eu quis ser pai muito cedo, mesmo sem plena consciência disso, e por este fato sou muito grato, mas entendo perfeitamente quem prefere adiar esta decisão para celebrar uma juventude livre e sem amarras.

Da mesma forma, entendo quem prefere usufruir de todas as coisas “compráveis”, acreditando que elas podem lhes trazer alegria e prazer. Não há erro algum em admirar o belo ou usar o dinheiro para garantir conforto e segurança.

Entretanto, como eu disse, não se trata de escolhas plenamente conscientes. Tanto quanto a escolha por uma gravidez prematura ou mais tardia, a opção por colocar alegria e realização nas “coisas” não é feita de forma racional, mas opera nos porões da mente, e sobre essa decisão não cabe nenhum julgamento de valor.

De minha parte estou certo de que continuarei com o pensamento de pobre até o fim dos meus dias. Não creio que haja cura para o meu mal e, se houver, talvez o tratamento seja muito caro. Prefiro não gastar com isso.

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Política de estimação

É também curioso o malabarismo para criminalizar a política, como se os políticos fossem uma espécie diferente de ser humano e fossem corruptos em essência. Tratar os políticos todos como criminosos apenas abre as portas para ditaduras e “outsiders”, que se acham “gestores”, mas que fazem dissimuladamente política à direita do espectro ideológico.

É bem sabido o desastre que advém do descrédito com a política. Esse discurso produziu Berlusconi, Trump, Bolsonaro e poderia ter produzido Moro não fosse a Vaza Jato. A solução para os maus políticos é mais política, mais crítica, mais vigilância e um sistema mais justo.

Eu não cultuo”políticos” de estimação, mas por certo tenho uma POLÍTICA DE ESTIMAÇÃO.

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