Arquivo da tag: Ford

Direita e identitarismo

Muitas pessoas à direita do espectro político, por falta de educação adequada e estudo mais aprofundado, confundem o identitarismo com “comunismo”, porque ignoram que, pelo contrário, o comunismo é uma poderosa arma anti-identitária. Basta estudar a Revolução Soviética para entender que o acesso das mulheres a todos os postos da sociedade se deu pela revolução socialista, e não por meio de leis discriminatórias e muito menos pela segmentação da nossa sociedade em “tribos” onde a lei vai ser aplicada de forma seletiva. Tudo isso ocorre porque a direita e os conservadores confundem a luta em favor de parcelas desfavorecidas da sociedade capitalista com a defesa de identidades, o que é um grande erro. O identitarismo é um projeto conservador, que invadiu o campo da esquerda usando essa confusão. O identitarismo enfraquece a luta de classes e coloca no seu lugar a luta identitária, que fragmenta a classe operária e impede a união de classes, fortalecendo o imperialismo e as mazelas sociais produzidas pela brutal concentração de renda inerente ao modelo capitalista.

Tal confusão é uma pena. Como sempre, a direita mais raivosa escuta o galo cantar, mas não sabe de onde. Reconhece como importante a luta contra o identitarismo, por ser contrária à sua perspectiva individualista. Entretanto, não consegue perceber o quão reacionário o identitarismo é, e confunde isso com o comunismo, a libertação do proletariado e a luta de classes. Pergunta: quem promove o identitarismo no mundo todo? A resposta pode ser acessada com dois ou três cliques do mouse: Open Society Foundations do mega investidor George Soros. Financia iniciativas de direitos humanos, democracia, igualdade racial, direitos LGBTQ+, direitos de migrantes e justiça criminal em dezenas de países. Ford Foundation – Investe em projetos de justiça social, igualdade racial, direitos das mulheres, inclusão econômica e fortalecimento da sociedade civil. MacArthur Foundation – Apoia projetos voltados para direitos humanos, justiça social e combate à desigualdade. Arcus Foundation – Uma das principais financiadoras globais de projetos voltados aos direitos LGBTQ+. Gill Foundation – Atua principalmente no financiamento de iniciativas em defesa dos direitos LGBTQ+. Robert Wood Johnson Foundation – Financia pesquisas e programas sobre equidade em saúde e redução de desigualdades. Ou seja: as grandes instituições capitalistas financiam projetos identitários de mulheres, negros, trans, etc.

Curiosamente, a direita acredita erradamente que os comunistas apoiam o identitarismo porque colocamos “um celofane verde na frente dos olhos”. Entretanto, não percebem que a leitura errada que fazem de Marx é exatamente pela ideologia, que nada mais é do que essa lente esverdeada que usam para traduzir a realidade, partindo de uma posição conservadora, anti-popular e capitalista. Aliás, Millôr Fernandes estava certo quando dizia, “o mundo esta cheio de canalhas, mas só na mesa do lado”. Só os outros usam viseiras, só os outros são manipulados por ideologias; já nós temos a visão cristalina do mundo. Será mesmo?

Para a direita a solução para problemas como a violência doméstica é muito simples: o endurecimento das penas. Assim, a direita demonstra que, na verdade, não possui nenhum apreço pela ciência. Acusam os comunistas de recusarem a solução de aumentar penas somente para “agudizar as contradições”. Que tolice!!! A razão para não engrossar o coro punitivista é porque o aumento de penas proposto (em especial por identitários) e a judicialização dos preconceitos cientificamente não funcionam!! Veja o erro dos “3 strikes” do governo Clinton, o aumento exponencial da massa carcerária braseira (inclusive nos governos do PT) e a inutilidade da banalização dos aprisionamentos. Nenhum balizador dos índices de criminalidade diminui com a proposta de colocar na multidões na cadeia. Basta mostrar os resultados pífios da Lei Maria da Penha na violência doméstica ou o resultado que se conseguiu com o aumento de penas para frear o aumento de feminicídios. O resultado foi paradoxal: a violência doméstica aumentou, tanto de homens quanto de mulheres. Por isso que a viseira moralista, impede que se enxergue a realidade, pois o endeusamento do modelo capitalista se comporta, efetivamente, como uma religião individualista.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Causa Operária, Pensamentos

Justiça para Olívio Dutra

Creio que é possível criticar o ex governador Olívio Dutra por sua única falha imperdoável: ser colorado. Para um gremista com o eu é doloroso ver um ícone da política gaúcha com a camisa do adversário. Sua vida pública, entretanto, é inatacável, em especial no episódio da Ford, onde esteve certo o tempo todo, mas os tolos e oportunistas da época se negaram a enxergar.

Olívio Dutra estava certo desde o princípio. Nunca foi por ideologia. Era para a proteção das contas do Estado. Passados 20 anos a Ford foi embora sem ter feito nada pelo Rio Grande ou pelo Brasil. São abutres do capital internacional, que exploram as nações periféricas e depois vão embora sem deixar qualquer valor, e sem contribuir com o desenvolvimento da indústria nacional.

Pois foi o seu acerto no que diz respeito à instalação da fábrica da Ford – apressada e prejudicial aos interesses do Estado o que ocasionou, após 16 anos, o vergonhoso pedido de desculpas da RBS (concessionária local da Rede Globo). Este resgate da justiça tardia é apenas um dos fatores que o farão ganhar a vaga ao Senado. Olívio é um bastião da honestidade, admirado até pelos seus adversários, pois sua conduta em todas as esferas de poder sempre foi de retidão, ética e competência.

Nosso sonho como socialistas é que nenhum sujeito será jamais degradado abaixo da condição humana e todos terão direito à dignidade de um lar, comida, segurança e saúde. Com Olívio no Senado sabemos que estaremos dando mais um passo nessa direção.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Trânsito

O trânsito é um problema em todas as grandes cidades do mundo na atualidade. A verdade é que a imensa maioria delas viu um crescimento exponencial durante o século XX não apenas relacionado ao crescimento vegetativo das populações, mas também por uma migração de populações oriundas do campo, que se deslocaram para a cidade a procura de trabalho e melhores condições de vida. As cidades se encontravam despreparadas para os dois grandes influxos recebidos: as novas pessoas e os veículos automotivos, tratados como o “grande objeto de desejo” ocidental com seu florescimento na segunda metade do século XX.

A partir das descobertas da produção em massa – impulsionadas por Ford e a mecanização da indústria – os automóveis passaram a ser paulatinamente mais baratos e acessíveis a múltiplos segmentos populacionais. Assim, as ruas se tornaram insuficientes para conter o acúmulo de carros em suas artérias, tornando a circulação dramática na maioria das cidades ocidentais de médio e grande porte.  A engenharia de tráfego, com a criação de fluxos de circulação, pontes, viadutos, avenidas alargadas, passarelas, metrôs urbanos, elevadas e toda a criatividade da engenharia de tráfego ainda não conseguiu a solução definitiva. Em algumas cidades – como Londres – a entrada na cidade por automóvel custa um pedágio significativo, para inibir a entrada de mais carros na cidade. Outras como São Paulo chegam a fazer rodízios de placas, impedindo através de multas a entrada de novos automóveis em circulação nas ruas já congestionadas.

Talvez a solução esteja na mudança da matriz “automóvel”, um modelo altamente poluente, perigoso, com inúmeras mortes relacionadas ao seu uso, mas que usufruiu de uma grande popularidade pela sensação de autonomia e liberdade que oferece aos seus usuários, algo que ele carregou neste seu século de glória. Melhorar sensivelmente o transporte de população – metrôs, ônibus, barcos, em especial – é a única forma de deixar a compra de automóveis desinteressante, desafogando o trânsito, despoluindo o ambiente e diminuindo o número de mortes relacionado ao seu uso.

Todavia, para que isso ocorra é necessário que ocorra uma mudança CULTURAL, que inclua também a mudança na matriz industrial brasileira que depende ainda da indústria automobilista. Por isso, essa mudança precisa ser lenta e gradual. Por certo que, para além disso, oferecer estímulos para que atividades possam ser realizadas fora das grandes cidades é uma tendência que já estamos percebendo, não só com os projetos de descentralização, mas também com o advento e disseminação do home office que foi trazido pela pandemia de Covid19. O tele trabalho poderá ser um fator extremamente importante nesse objetivo de desafogar as ruas das cidades, na medida em que a presença física – para muitas profissões – deixará de ser indispensável.

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos