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Crise

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Como todo movimento social que ameaça poderes instituídos – em especial o biopoder – a humanização do nascimento cresce de forma lenta, consistente e continuada. Em muito lugares, apesar do recrudescimento de posturas autoritárias por parte de alguns profissionais, a proposta de rever criticamente o modelo de atenção ao parto mostra-se cada vez mais atual e forte. Novas doulas estão surgindo e novos profissionais – mais preparados para a “nova obstetrícia” – começam a tomar o lugar ocupado até então pelo velho paradigma.

Para atender o contingente cada vez maior de mulheres bem informadas sobre o tema a autoridade inquestionável do profissional já não é mais suficiente. Empatia, gentileza, respeito e atualização tornam-se, a partir de agora, elementos indispensáveis, ferramentas fundamentais na atuação profissional, junto com a parceria necessária com os outros profissionais que participam no parto.

Por outro lado, é constrangedor ver o que escrevem alguns representantes da categoria obstétrica. Ao invés de continuarmos afirmando absurdos – como a cesariana não causa mal – e se colocar de costas para o RESTO DO MUNDO que se preocupa com o excesso de cesarianas, melhor faríamos se tivéssemos uma postura crítica, dura e profunda, aproveitando o momento de crise que estamos vivendo na atualidade. Estas circunstâncias históricas nos proporcionam oportunidade de refletir sobre os rumos que a tecnocracia aplicada ao parto nos levou, e estamos perdendo tempo tentando tapar o sol com a peneira, caindo no ridículo e atrasando o progresso do debate.

Sim, cesarianas multiplicam a morbi-mortalidade de mães e bebês, e para isso temos boa ciência para confirmar acessível facilmente na Internet. Os próprios pacientes já sabem disso. Tentar usar refrões como “o direito de decidir” das pacientes apenas esconde o desejo de que as coisas se mantenham como estão, e que as pacientes continuem a realizar cesarianas (principalmente no setor da medicina suplementar) pela forte pressão psicológica que sofrem de todos os lados, inclusive dos profissionais.

O momento é ideal para a reavaliação dos rumos da assistência ao parto, exatamente pela crise de valores e pelo crescimento de uma postura mais consciente por parte dos pacientes. Não há mais como atender gestantes e acreditar que elas são ignorantes do significado amplo – psicológico, fisiológico, mecânico e espiritual – de um parto e de uma cesariana. Os novos médicos vão encontrar as “novas mulheres” que já cresceram com a Internet na ponta dos dedos e que sabem exatamente do que trata a medicina baseada em evidências e o que são direitos reprodutivos e sexuais.

Espero que estejam preparados.

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Via de Nascer

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Não há problema algum em disseminar pela Internet (ou pelo rádio, TV ou conversas privadas) que o parto normal é uma via MUITO melhor e mais segura do que a cesariana, e que esta só deve ser realizada em situações extremas, para garantir menor risco para mães e bebês.  Isso é o que as evidências científicas nos demonstram há décadas; não se trata portanto de uma questão de gosto. Existem diferenças marcantes nos resultados – tanto para a mãe quanto para o bebê – em relação à via de parto. Mas o que encontramos na prática médica se opõe às evidências e vai de encontro à boa conduta médica. Infelizmente constatamos um abuso claro e insofismável das indicações cirúrgicas e 52% das gestantes acabam ganhando seus filhos através da cesariana, quando esse número não deveria ser maior do que 10 a 15% de acordo com valores históricos apregoados pela OMS e baseados em estudos bem conduzidos.

Portanto o risco verdadeiro NÃO é o de mulheres rejeitarem indicações adequadas de cesariana por conta de uma “campanha” de rejeição a esta cirurgia. O problema está nas gestantes continuarem acreditando que não existe “nada de ruim” em ter feito uma.

EXISTE SIM!!!! Pelos aspectos médicos, psicológicos, microbiológicos, emocionais, econômicos e sociais a cesariana no Brasil é uma barbárie, na qual as mulheres são as vítimas. O número de cesarianas verdadeiramente bem indicadas é pequeno e a grande maioria destas intervenções é empurrada com falsas verdades e mitos, como “pouco líquido”, “cordão enrolado”, “placenta velha” e tantas outras formas de apavorar uma futura mãe. Ainda vivemos em um mundo onde as mulheres são conduzidas a procedimentos pela autoridade dos profissionais, e não pelo amplo esclarecimento de vantagens e riscos.

Não tenhamos medo de uma mulher empoderada, bem informada e com argumentos, capaz de enfrentar o poder de um profissional médico. Isso é o que se espera da civilização. Tenhamos, sim, medo de mulheres emburrecidas e alienadas, incapazes de questionar o que fazem sobre seus corpos.

Isso é o que ocorre na selva, no reino da alienação.

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