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Caridade

“Quero vê qual profissional da saúde que vai atender domiciliar nas favelas de suas cidades, de forma gratuita e sem infra estrutura! Mandem fotos.”

Por quê profissionais deveriam atender de graça em favelas??? Por acaso professores entram de graça em favelas para dar aula? Bombeiros apagam incêndios sem salário? Policiais garantem segurança sem pagamento? Por que tratar profissionais da saúde como vestais, infensos às necessidades humanas?

Vamos deixar bem claro: Não existe nenhuma contradição entre humanização do nascimento e qualquer recorte de classe e/ou raça. Humanização é direito humano reprodutivo e sexual para todos, e não apenas para uma parcela da população que pode pagar por estes serviços. Entretanto, também é dever do Estado, e cabe a NÓS cobrarmos que tais deveres sejam cumpridos e nossos direitos respeitados.

Médicos, parteiras ou doulas não são monges; são profissionais que devotam tempo e dinheiro nas suas formações. A falta de profissionais humanizados em áreas pobres e carentes NÃO É culpa dos raros profissionais que enfrentam suas corporações e a ignorância provinciana da nossa mídia financiada pela elite, mas do Estado frágil e dominado pelas corporações financeiras, que relega essa parcela majoritária da população carente à própria sorte.

Transferir a responsabilidade da atenção à saúde dos negros, pobres, favelados e destituídos para os profissionais não é justo ou honesto. “Saúde é um direito do povo e um dever do Estado”, como diz nossa carta, tão jovem e tão depauperada. Assim, é importante reconhecer que os bravos profissionais que enfrentam um sistema injusto e cruel deveriam ser aplaudidos, e não tratados com desdém ou desconfiança. A eles devemos o exemplo para a mudança necessária. Sua coragem e resiliência devem ser exaltadas e celebradas.

A entrada da saúde, educação, policiamento e saneamento nos bolsões de pobreza desse país jamais poderá depender de caridade, mas da ação conjunta e POLÍTICA da sociedade organizada, através da escolha de pessoas DESTAS COMUNIDADES – como Marielle!! – e destes estratos sociais para serem as dignas e legítimas representantes de suas reivindicações comuns.

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