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Esquerda festiva

Eu fui um dos que nunca engoliu o discurso direitista de ambos. Houve um tempo em que atacar Olavo de Carvalho, Temer, Bolsonaro e o bolsonarismo era visto como o selo de qualidade do esquerdista. Fomos enganados por figuras como Karnal, Prioli e Bugalho e outros menos importantes, fazendo-nos crer que seu combate aos fascistas tinha conteúdo revolucionário. A foto de Karnal elogiando o juiz Moro e os ataques sistemáticos de Bugalho aos socialistas mostraram sua verdadeira essência: pensadores sem criatividade que surfaram na onda da luta contra os golpes que atingiram o Brasil vindo das franjas mais reacionárias da nossa população. Hoje a gente percebe que a turma da esquerda liberal, que cultua o “fim da história”, que acredita na potencialidade do capitalismo, que usa teses moralistas para atingir os bilionários (ao invés de olhar a estrutura que os cria e sustenta) e que prega a “reforma íntima” (e não sistêmica) para a cura da iniquidade, são os mais fiéis combatentes contra o projeto socialista e de qualquer outra reforma estrutural na sociedade capaz de produzir reais transformações na distribuição de renda. Esses personagens midiáticos são a esquerda que a direita gosta, promove e estimula. A cena constrangedora que apareceu essa semana na Internet demonstra que o que eles sempre quiseram era essa exposição chula e as luzes da ribalta, em especial dos identitários. Essas pessoas deveriam ficar onde seria mais justo: na direita, onde suas teses serão sempre acalentadas e aceitas.

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Religião e sexualidade


religiãoII

Eu tenho queridos amigos muito religiosos, cujas vidas são plenas de harmonia e respeito ao próximo. Eles são os melhores exemplos de uma vida dedicada à família, e por eles nutro grande carinho e admiração.

Entretanto, fico feliz de ver uma manifestação tão expressiva como a desvinculação coletiva em Salt Lake City, de membros da congregação contrários aos valores mais anacrônicos da moralidade humana. Como bem disse uma amiga da minha, estas religiões discriminam pessoas por algo que não é passível de escolha. Talvez seja possível impedir um sujeito de exercer livremente a sua sexualidade através de um torniquete mental, a exemplo do que ocorre nas igrejas evangélicas, mas as custas de um brutal sofrimento e uma violação dos sentimentos mais profundos de carinho e afeto. Pior, através da supressão daquilo que constitui o próprio sujeito.

Por outro lado, nenhuma dessas religiões poderá – por mais que a pressão seja violenta e cruel – penetrar no espírito de alguém e vigiar os caminhos por onde transita seu desejo. Assim, as barreiras moralistas das crenças mal conseguem mudar a fina superfície da expressão sexual, produzindo uma fachada de normalidade, que nos afugenta do medo espelhar ao nos oferecer uma ilusão.

Encarar a riqueza da diversidade sexual seria um salto adiante, um impulso de liberdade, mas para o qual a maioria das religiões não está preparada. Afinal, é provável que “religião” e “liberdade” sejam conceitos antagônicos, em essência e inexoravelmente distantes. Quem procura uma, está abrindo mão da outra.

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