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Ney – Ney

No episodio Ney x Xuxa, devo dizer que sempre soube que Ney Matogrosso é de direita. Um clássico individualista. O típico direitista que se diz “nem-nem”. Suas posições políticas sempre foram, ao meu ver, deploráveis. Tirou fotinho com o Garoto Kim Kataguiri na época do Impeachment e depois disse que “não conhecia”. Nunca teve uma postura questionadora ou engajada, e nunca o vimos na defesa de uma causa específica. Ele sempre foi do time Roberto Carlos, que curtia uma ditadura militar.

Eu não gosto dele como cantor, mas se trata apenas do meu gosto pessoal, portanto, irrelevante. E mais importante ainda é que não misturo sua arte com sua vida pessoal, incluindo aí sua adesão à direita. Muitos dos meus ídolos na música, e até na literatura, foram notáveis patifes. Leiam as biografias de Borges e Neruda, gênios com vidas reprováveis, ou mesmo de um reacionário genial como Nelson Rodrigues. O inferno dos canalhas tem uma ala só para os gênios da arte.

Portanto, “pouco se me dá” (adoro essa expressão que velho usa) que Ney Matogrosso seja um idoso reaça; ele é um ícone da música brasileira, um grande artista e um sujeito que revolucionou a música brasileira com sua interpretação. O resto é choro…

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Rótulos

O mais provável é o erro estar nas próprias classificações artificiais que compulsivamente criamos, nos rótulos, no hétero, no bi, no gay, no trans. Ninguém cabe por completo em qualquer uma dessas definições, mas nossa sede de pertencimento nos faz procurar avidamente por algo que se assemelhe a nós.

Talvez, como diz o Zizek, a única coisa de valor nessa nomenclatura seja o “plus” aplicado ao final. No fundo, somos todos “plus”, inclassificáveis, pois nosso desejo é tão único que qualquer rotulação será absurdamente limitante.

Creio que no futuro haverá o tempo em que a frase do Ney Matogrosso fará sentido, e ninguém terá orgulho de ter uma determinada orientação sexual, subjetiva e pessoal, e seremos todos tão somente humanamente semelhantes e divinamente diferentes.

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