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Novidade eleitoral

Parece que apareceu o candidato ideal para os religiosos envergonhados. Sim, aquela turma “do bem”, que é caridosa, que ajuda os pobres, que se emociona com filmes da sessão da tarde, que colabora na Igreja, que doa roupas na sociedade espírita, que toma passe no terreiro, que tem amigos negros e um parente gay. Chegou o cara para os “nem-nem”, o sujeito que pode nos livrar de votar no filho do miliciano, o mesmo que está por trás do crime organizado, totalmente entranhado nas milícias, envolvido no Dark Horse (O Pangaré Preto) e que se borra quando fica nervoso.

A sua chegada também ajuda quem não quer votar na esquerda, não porque seu candidato se afastou do povo, “endireitou-se”, buscou alianças espúrias com as elites predatórias, frustrou expectativas, não melhorou a condição da classe média e não incentivou a transformação radical do país na direção do socialismo, mas porque não suportam ver um candidato nordestino ganhar eleições, até porque do nordeste só curtem as praias e nem gostam muito “daquela gente”.

Esse é o candidato de quem não confia na entrega do Brasil no colo dos americanos e a consequente perda da autonomia e soberania nacionais. Curiosamente, esta turma dizia que, com a esquerda no poder, o Brasil estava se tornando uma Venezuela, mas seu sonho molhado é exatamente esse: nosso presidente ser sequestrado pelos americanos e seu sucessor oferecer aos invasores nossas riquezas. Por outro lado, esse candidato acredita que a esquerda no poder pode nos levar ao “comunismo”, mesmo com um presidente explicitamente anti-comunista. E como se o comunismo não fosse melhorar a vida de 90% dos brasileiros.

Esse cara, pelo vazio de suas propostas, pela falta de talentos políticos, pela superficialidade de sua literatura de autoajuda e pela sua inexperiência no trato com a coisa pública, é o candidato ideal para os místicos, os “Jesus te ama”, a turma do “amor vencerá”, do empreendedorismo oportunista e para o pessoal do “pensamento positivo”.

Enquanto isso, o candidato diferente de tudo isso que encontramos nas entrevistas da Globo, e que deseja romper com a divisão da sociedade em classes, a propriedade privada dos meios de produção e que luta por uma sociedade justa e solidária não tem espaço para oferecer sua alternativa ao grande público. Para a Globo e o TSE, esse candidato é “apimentado” demais para o capitalismo brasileiro.

Veremos onde isso vai dar…

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Arquivado em Política