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Panis et circenses

Vale a pena escutar o que o Renan Santos fala da direita brasileira. Em uma entrevista feita para um podcast nas redes sociais ele descreve de forma muito clara como se organiza o pensamento da direita brasileira. Esta é uma análise muito boa e surpreendentemente lúcida. Renan foi o primeiro sujeito à direita do espectro partidário a admitir que o público médio da direita é muito menos inteligente que o da esquerda. Depois dele, foi a vez de José Medeiros (PL), candidato a senador pelo MS, dizer que seu eleitorado bebe detergente e chama ET com celular. Este é um reconhecimento que tem significado vindo de onde veio.

Neste vídeo ele descreve a direita como “entretenimento” e mostra como Nikolas, Bolsonaro e outros são palhaços cujo objetivo é divertir pessoas nas redes sociais e, acima de tudo, “não fazer nada”. Este, aliás, é o lema da nova direita americana: “nada acontece”. Não é à toa que Nikolas, Bolsonaro Pai, Flávio ou mesmo Zé Trovão têm uma produção parlamentar nula ou pífia. Ou seja: o papel que desempenham, desde o advento das redes sociais, não é “fazer algo”, “criar leis”, “abrir um debate” ou “defender uma proposta” de cunho popular e ligada aos valores da direita. Não, sua função é pura performance e a intenção é produzir um espetáculo circense, colocar peruca, debochar, gritar, invadir a passeata dos adversários, provocar parlamentares da esquerda, fazer selfies…. e mais nada.

Nunca os romanos estiveram tão certos: “panis et circenses”. A frase foi criada pelo poeta romano Juvenal no início do século II d.C., em sua obra Sátira X, e o significado original é uma crítica à falta de interesse da população romana pelas grandes decisões políticas. Na nossa metáfora atualizada, o pão se refere às emendas, milhões direcionados às suas bases eleitorais, comprando votos legalmente – mas de forma imoral. Isso sem falar das emendas secretas que foram um gigantesco escândalo no mundo político, e que ainda continuam a agitar os bastidores de Brasília. Já o circo está nas suas próprias atuações parlamentares, sempre pautadas pelo vazio, pela representação e pela atração de público pela via do divertimento. Flávio Bolsonaro, por sua profunda incapacidade intelectual para esta função, seria uma revivescência do governo “panis et circenses” do pai: espetáculo pastelão, deboche, cercadinho, viagens a Israel, privatizações criminosas e a volta da fome.

Que Deus tenha piedade de nós…

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Arquivado em Causa Operária, Política