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Que esquerda é essa?

A “esquerda” brasileira tem algumas figuras patéticas que insistem na tese do “nem-nem” e na ideia de que a Guerra na Ucrânia é um choque entre “imperialismos”. Eu pergunto: até quando vão insistir nessa loucura do “imperialismo russo”????

Respondam aí com sinceridade….

* Qual a série russa vocês tem acompanhado no Netflix?
* Qual a cotação do rublo hoje?
* Você sabem onde tem cursinho de língua russa?
* Qual o tênis russo vocês curtem?
* Que filme russo vocês assistiram esse ano?
* Qual carro russo vocês gostariam de ter?

* Qual a expressão usada por nós no cotidiano deriva do idioma russo, brother?

Imperialismo significa dominação GLOBAL econômica, política, militar e cultural. A Federação Russa não tem nenhuma dessas condições. “Imperialismo russo” não passa de uma narrativa imperialista criada para relativizar a barbárie do Império americano. A Rússia é uma grande Venezuela altamente militarizada, vive de commodities – em especial fósseis, como Petróleo e gás – e tem um PIB menor que o do Brasil. Sim, a Rússia é mais pobre que o nosso país.

Essa história de imperialismo russo é apenas absurda. Ver gente de esquerda reproduzindo a narrativa de uma Rússia expansionista, que deseja recriar a grande “União Soviética”, é apenas ridículo. Mais uma farsa criada pela fábrica de fake news da mídia corporativa

A maioria das pessoas que apoiam o comediante ucraniano e exaltam a “bravura da resistência” – o que, em última análise, exalta um governo nazista na Ucrânia e desmerece a vida de 12 mil russos étnicos mortos até agora pelas milícias no Dombass – se considera de esquerda. Essa é a maior tragédia para o nosso campo, sem desconsiderar o horror e as mortes de uma guerra, por certo.

Ver uma parte da esquerda brasileira parear-se com nazistas, milicianos, anticomunistas e assassinos comuns é o pior que poderíamos assistir aqui. Sem uma visão do contexto geopolítico, e sem abandonar esse anticomunismo infantil, a esquerda brasileira continua a ser esse puxadinho identitário e liberal da direita.

Esses textos que celebram Zelensky e atacam Putin e a Rússia refletem uma perspectiva política reacionária, e poderiam ser usados como libelo para a criação de uma frente neonazi no Brasil.

PS: Jesus tá vendo esse apoio ao nazis e ao Batalhão de Azov. Depois não adianta fazer beicinho quando São Pedro disser que seu nome não está na lista…

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Obstetras ou “Obstétricas”

Model in studio isolated on white background

Afinal, é “enfermeira obstétrica”ou “enfermeira obstetra”?

Bem, aqui vai a minha opinião…

Eu discordo da tese que nomeia as enfermeiras com pós-graduação como “obstétricas”. Para mim o nome mais indicado é “enfermeira obstetra” por algumas boas razões, e acho que essa deveria ser uma luta da enfermagem em nome de sua valorização.

A primeira é que colocar “obstetra” no nome não se adjetiva o trabalho, mas o substantiva, coloca-o em uma pessoa. Querem um exemplo simples de entender? Quando me perguntavam minha profissão eu dizia “médico”, e se depois perguntassem a especialidade dizia “obstetra”, jamais “médico obstétrico”. E por que com as enfermeiras deveria ser diferente?

Ora… porque aos olhos do poder médico hegemônico na enfermagem NÃO existem obstetras, mas tão somente “enfermeiras que fazem serviços obstétricos“, o que retira delas esta denominação, essa função e esse poder.

Para mim fica claro que há um truque semiótico e semântico na retirada desse denominador, mas não contem comigo para usar um nome que pode servir para diminuir a importância da enfermagem obstétrica no cenário contemporâneo.

Se não houver uma determinação (equivocada, ao meu ver) para retirar o nome de “obstetras” das parteiras profissionais é assim que vou continuar a chamá-las. “Obstétrica” fala da função, “obstetra” da pessoa; prefiro reforçar o que SÃO, não o que fazem. Aí está a chave para entender a disputa.

Portanto, eu pessoalmente prefiro chamar as profissionais que atendem o parto de “parteiras profissionais” – para reforçar o nome e os valores da parteria – mas na esfera da enfermagem o nome que me parece justo é obstetra mesmo, pelo que eu expus acima.

Semiótica é tudo. Os nomes com os quais batizamos as coisas desvelam o valor que nelas colocamos. Por isso chamamos “paciente” quem nos espera para ser atendido ou descrevemos menopausa como “falência ovariana”. Não existe nome inocente. E não se trata de debater o português, mas as intenções inconscientes do seu uso.

Ahhh, a outra razão? Não acho legal uma profissional cujo nome termina em “tétrica”.

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