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Volta pra casa

Adoro os videozinhos de soldados gringos que voltam do front de batalha em algum lugar invadido pelo imperialismo e fazem uma surpresa para seus familiares. Lágrimas, emoção, alívio e alegria…

Voltaram das guerras imperialistas onde mataram homens, crianças, pais de família, mulheres, bebês e velhos, em sua grande parte de pele escura e seguidores do Islã. Destruíram países inteiros para roubar petróleo e outros recursos naturais.

Criaram redes de prostituição de crianças, como no Afeganistão e no Vietnã. Estupraram e violentaram a memória e o corpo dos habitantes nas dezenas de nações que invadiram desde a segunda guerra mundial.

Mas, depois de tanto matar e destruir, voltam cansados para seus lares cristãos para abraçar seus filhos loiros e de olhos claros, e receber o beijos de seus pais fiéis a Jesus Cristo.

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Um assento reservado no Inferno

Cada vez que eu vejo a lavagem cerebral de gente que chama o Putin de “carniceiro”, “louco”, “assassino” por sua invasão à Ucrânia eu fico pensando o quanto estas percepções são criadas e disseminadas pela gigantesca máquina de propaganda que controla nossas mentes. Longe de ser apoiador de um direitista autoritário como Putin, tudo o que eu gostaria é que o presidente eleito da Federação Russa fosse julgado com a mesma régua com a qual os presidentes americanos são avaliados.

Até 6 de maio de 2022 o número oficial de mortes de civis da Guerra na Ucrânia era de of 4.253 (1.617 homens, 1,064 mulheres, 100 meninas, and 105 meninos, assim como 67 crianças e 1.300 adultos cujo sexo é desconhecido) – e um número quase igual de feridos. Sim, nos primeiros 100 dias de guerra houve um número de mortes igual àquelas produzidas pelo trânsito brasileiro no mesmo período – que mata em média 32 pessoas por dia em nossas ruas e estradas. Podemos dizer que os soldados russos – treinados para matar e defender – são mais cuidadosos com a vida alheia que os nossos motoristas.

Algumas agências clamam que os números são bem maiores, mas não oferecem dados alternativos confiáveis e comprovados. Mesmo que fosse o dobro dos números oficiais, ainda assim seria uma guerra em que existe uma óbvia preocupação em não matar, não destruir e uma tentativa obsessiva em preservar vidas.

Agora analisem as invasões americanas na Síria e Iraque, apenas para citar guerras recentes provocadas pelo Império onde é evidente um sentimento xenófobo e islamofóbico. A maioria dos americanos – mas também nós, as colônias – não tem noção do massacre ocorrido lá e acham que morreram “dezenas de milhares”. Isso está muito longe da verdade, pois como disse o general Tommy Frank – general responsável pela operação inicial de invasão – “não contamos corpos”, exatamente porque os inimigos do Império são sempre desumanizados, deixam de ser gente, não passam de baratas. Um bom filme sobre isso é “Hearts and Minds”, um espetacular documentário de 1974 sobre a brutalidade da guerra e a “necessária” desumanização dos inimigos, no caso os vietnamitas.

Na primeira semana da invasão do Iraque, com o claro objetivo de buscar uma posição geopolítica favorável e roubar petróleo, algumas estimativas apontam que foram mortos 80.000 iraquianos, usando uma mentira disseminada pelas redes de TV sobre “armas de destruição em massa!!” contada ao vivo pelo Secretário da defesa americano Collin Powell. O total de mortes desse massacre imperialista – que destruiu o país de onde surgiu a civilização humana – chega a 2.4 milhões de pessoas. Alguém acha que Putin poderia estar na mesma turma de seres humanos perversos onde estão Bush (pai e filho), Obama, Trump e Biden? “They’re not in the same league“. Na Síria a destruição foi a mais violenta possível por parte das forças aliadas à OTAN. Mercados centenários, mesquitas e templos religiosos reduzidos a pó; imagens obtidas por satélite mostraram uma violenta destruição em 290 locais históricos de todo o país. A ONU alertou que a guerra na Síria já destruiu 24 áreas consideradas Patrimônio Cultural da Humanidade e 104 sofreram danos profundos desde que o conflito teve início em 2011.

É preciso um mínimo de senso de proporção quando colocamos de um lado um autocrata de direita protegendo suas fronteiras de ameaças da OTAN e do outro assassinos perversos no comando de um Império decadente.

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Direito internacional

Existe um clamor da imprensa ocidental que repete de forma circular o discurso sobre o “direito de países soberanos“, etc. A gente escuta e lê isso por todo o lugar, parece que esse tipo de perspectiva se origina de uma fonte única e se espalha por toda parte. Vale lembrar, sobre o tópico do direito internacional, que os Estados Unidos usam a doutrina Monroe, que retira a soberania da América Latina caso, por exemplo, queiram produzir e estocar seu próprio arsenal atômico. A crises dos mísseis no início dos anos 60 foi exatamente sobre essa questão, mas o “excepcionalismo americano” – fruto de uma estúpida autoimagem de superioridade branca ocidental – acredita que o que é válido cá, para os outros não vale. Sobre esse tema vale olhar um vídeo do prof John Mearsheimer.

Dizer que há poucos nazistas na Ucrânia é outra farsa disseminada. Existem inclusive (basta uma simples procura por palavras chave) sites que descrevem os lugares onde estão os principais monumentos nazistas na Ucrânia, incluindo o mais importante deles: Stepan Bandera, nazista ucraniano colaboracionista e implicado no assassinato de milhares de judeus ucranianos.

Sobre a quantidade, na Alemanha nazista o partido de Hitler era minoria – nas eleições teve 28% – mas chegou ao poder. Quando isso ocorre (como no Brasil de agora) é porque o povo foi conivente com os abusos e a retórica do seu líder. Portanto, a Ucrânia é um país nazificado, extremista e fascista. E para quem acha o nome incorreto, por acreditar que o nazismo é um fenômeno apenas alemão, deveria avisar ao Batalhão Azov, ao Pravyy Sektor e mesmo aos neonazis do mundo inteiro – inclusive aqui em Pindorama – para não usarem os uniformes do Hugo Boss, a iconografia, a suástica e o “heil”. Spoiler: eles não vão topar.

Claro que um governo nazista, ameaçando colocar mísseis nucleares em seu país após um golpe de estado é uma ameaça direta à Federação Russa. Para entender isso, basta conhecer um pouquinho só da história russa para perceber que eles jamais poderiam permitir essa afronta, pois ela significa uma “national security threat”, inadmissível pelos russos. A Rússia, desde muito tempo, foi invadida por Napoleão Bonaparte, por 16 nações durante a Guerra Civil e depois por Hitler. Imaginar que esta ação é uma maluquice do Putin é burrice e falta de noção. Hoje, mais de 82% dos russos apoiam Putin em suas ações nesta guerra; até seus adversários comunas estão cerrando fileiras com seu líder.

Não é lícito basear estas escolhas por julgamentos “morais” ou por uma noção republicana de “direito”; não se pode permitir uma gigantesca ingenuidade como essa. Tudo é feito com base no poder. Caso o “direito” reinasse, Israel sequer existiria, visto ser uma aberração jurídica desde sua criação. Sequer um país institucionalmente racista poderia ser aceito. Não existe país com mais condenações do que Israel, e porque nada acontece? Porque os Estados Unidos bancam cada uma e todas as suas atrocidades. Também o mundo interromperia as invasões americanas no Iraque, na Líbia, no Vietnã, na Coreia, no Afeganistão, no Panamá, na Palestina (através de seu enclave Israel), etc por serem todas afrontosas à soberania dos povos.

A questão russa é sua sobrevivência e por isso não pode permitir que uma estrutura inimiga e violenta como a OTAN coloque armamento destrutivo em suas fronteiras. A Rússia sabe muito bem com quem está lidando: o Império da Destruição, que deseja dividir o mundo em republiquetas controláveis e não suporta o gigantismo de concorrentes como Rússia, China e Brasil. Numa nação minúscula como a Geórgia bastaria um golpe de Estado (como houve na Ucrânia, que não é pequena) para o tirano da vez, um fantoche americano como o Zelensky, apertar um botão a mando dos Estados Unidos e iniciar uma guerra nuclear, ou usar dessa posição estratégica para chantagear a Rússia. A ação russa de agora pode até afrontar o direito internacional (como qualquer ação americana), mas é justa.

O que dizer de pessoas que dizem que o Donbass foi invadido pelo exército da Rússia??? De onde tiram essas informações??? Não havia tropas russas regulares no Donbass até o início da guerra. E quando dizem “invadiram antes de qualquer tentativa de negociar …” só dá para responder meu Deus!!! Foram oito anos de negociação e 14.000 mortos pelos nazistas ucranianos!!!! Até quando a Rússia deveria esperar para resgatar seus cidadãos????

A ideia de que a Ucrânia não é nazista faz tanto sentido como alguém em 1939 dizer que a Alemanha não era nazista, já que eles não passavam de uma minoria e que Hitler era um grande patriota. A Ucrânia se nazificou de forma perigosa e insidiosa. Sim nazista, e não há como esconder. A prisão dos nazistas escondidos como ratos em Mariupol ainda vai revelar muito mais do que já sabemos sobre o regime de tortura, racismo e opressão que era imposto pela OTAN através do seu presidente fantoche.

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Marionetes

Diante da minha necessidade em treinar a escrita no idioma inglês eu costumo participar de debates no Facebook sobre assuntos variados, e minha diversão é expressar teses polêmicas em notícias de empresas de “news”, como Insider Presents, Daily Mail, Washington Post, etc.

Vendo os comentários de americanos sobre a guerra na Ucrânia eu fortaleço a minha crença de que o cidadão médio dos Estados Unidos é o grupo humano mais manipulado que existe. A visão que eles têm sobre o conflito é um retrato fiel da avalanche de fake news e visões distorcidas despejadas pelas suas empresas de comunicação. Para estes espectadores, a Ucrânia está vencendo a guerra, a Rússia sofrendo derrotas humilhantes diariamente, a guerra é uma ação honrada da Ucrânia e essa história de nazistas, batalhão Azov, Pravyy Sektor e golpe de estado “não é bem assim”, e o verdadeiro nazista é Putin, o açougueiro.

Sobre as motivações da guerra, falam quase em uníssono sobre o absurdo da Rússia invadir uma “nação soberana” mas, quando confrontados com o fato do seu país fazer isso em todo o planeta, sendo responsável pela morte de 11 milhões de pessoas nos últimos 30 anos em suas buscas por petróleo e controle geopolítico, eles afirmam que isso ocorre para derrubar genocidas sanguinários e liberar os povos oprimidos, e as mortes seriam “efeitos colaterais”, um preço pequeno a pagar para levar a democracia liberal ao mundo.

O sujeito médio americano é um marionete da mídia corporativa, condicionado a repetir tolices da TV conservadora e condenado a aceitar as ações imperialistas determinadas pelos oligarcas americanos e o estado profundo.

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Que esquerda é essa?

A “esquerda” brasileira tem algumas figuras patéticas que insistem na tese do “nem-nem” e na ideia de que a Guerra na Ucrânia é um choque entre “imperialismos”. Eu pergunto: até quando vão insistir nessa loucura do “imperialismo russo”????

Respondam aí com sinceridade….

* Qual a série russa vocês tem acompanhado no Netflix?
* Qual a cotação do rublo hoje?
* Você sabem onde tem cursinho de língua russa?
* Qual o tênis russo vocês curtem?
* Que filme russo vocês assistiram esse ano?
* Qual carro russo vocês gostariam de ter?

* Qual a expressão usada por nós no cotidiano deriva do idioma russo, brother?

Imperialismo significa dominação GLOBAL econômica, política, militar e cultural. A Federação Russa não tem nenhuma dessas condições. “Imperialismo russo” não passa de uma narrativa imperialista criada para relativizar a barbárie do Império americano. A Rússia é uma grande Venezuela altamente militarizada, vive de commodities – em especial fósseis, como Petróleo e gás – e tem um PIB menor que o do Brasil. Sim, a Rússia é mais pobre que o nosso país.

Essa história de imperialismo russo é apenas absurda. Ver gente de esquerda reproduzindo a narrativa de uma Rússia expansionista, que deseja recriar a grande “União Soviética”, é apenas ridículo. Mais uma farsa criada pela fábrica de fake news da mídia corporativa

A maioria das pessoas que apoiam o comediante ucraniano e exaltam a “bravura da resistência” – o que, em última análise, exalta um governo nazista na Ucrânia e desmerece a vida de 12 mil russos étnicos mortos até agora pelas milícias no Dombass – se considera de esquerda. Essa é a maior tragédia para o nosso campo, sem desconsiderar o horror e as mortes de uma guerra, por certo.

Ver uma parte da esquerda brasileira parear-se com nazistas, milicianos, anticomunistas e assassinos comuns é o pior que poderíamos assistir aqui. Sem uma visão do contexto geopolítico, e sem abandonar esse anticomunismo infantil, a esquerda brasileira continua a ser esse puxadinho identitário e liberal da direita.

Esses textos que celebram Zelensky e atacam Putin e a Rússia refletem uma perspectiva política reacionária, e poderiam ser usados como libelo para a criação de uma frente neonazi no Brasil.

PS: Jesus tá vendo esse apoio ao nazis e ao Batalhão de Azov. Depois não adianta fazer beicinho quando São Pedro disser que seu nome não está na lista…

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Falsos heróis

Quando eu era menino eram muito comuns as séries americanas que contavam as aventuras dos americanos nas Guerras. As mais famosas foram “Combat!”, “Hogan’s Heroes” (Guerra, Sombra e Água Fresca) e M*A*S*H, esta última um sucesso espetacular sobre um grupo de médicos na Guerra da Coreia, com Alan Alda – guerra essa em que os americanos mataram mais de 1/3 de toda a população da Coreia do Norte.

Essas séries da minha juventude são as responsáveis por criarem no imaginário da minha geração duas grandes mentiras (entre outras) que o tempo e as evidências ainda não conseguiram desmanchar por completo.

1- que os americanos venceram a II Guerra Mundial. Errado, ela foi vencida pelo exército vermelho, que ocupou todo o leste europeu, chegou primeiro a Berlim e encontrou o Führer já morto por suicídio em seu Bunker. Os americanos entraram em 1942, para ajudar os aliados na batalha da Normandia. Perderam 500 mil homens, enquanto o Rússia teve mais de 20 milhões de mortos.

2- que o exército americano é feito de boas pessoas, companheiras, camaradas, justas, morais e éticas. Mentira: é o exército mais cruel do mundo, a força bélica do Império a serviço da “Estrela da Morte”, que desde a segunda guerra mundial já invadiu dezenas de países, sendo responsável por milhões de mortos por onde passa em sua luta por domínio e pela exploração de recursos naturais alheios.

Se alguém tem dúvida sobre a ação maléfica do exército americano em todo o mundo, confira aqui.

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Humanidade

Quando dona Marisa morreu, o ministro todo-poderoso do STF Gilmar Mendes ligou para Lula e chorou ao falar com ele. Foi nesse momento que Gilmar se deu conta do grande erro que havia cometido. No enterro da esposa de Lula estavam presentes todos os oponentes políticos do ex-presidente, de Sarney a FHC. A morte nos iguala e, de uma certa forma, nos humaniza. A tristeza por uma grande perda nos une e congrega.

Lembro agora da confraternização de Natal entre os soldados ingleses e alemães emergindo das trincheiras lamacentas para celebrar a esperança no fim da guerra. Naqueles momentos eles se sentiam todos iguais, a despeito de suas fardas, suas armas, suas diferenças e suas visões de mundo. Ali, em meio à barbárie, brotava a flor tímida da humanidade, em meio aos escombros de uma guerra brutal.

Quando ocorreu o desastre da Boate Kiss, Dilma chorou, abandonou às pressas um encontro no exterior e foi oferecer sua solidariedade às vítimas. Também chorou na tragédia de Realengo, assim como tantos outros estadistas hoje igualmente choram ao anunciar as mortes pela pandemia do Corona. Bolsonaro limita-se a produzir risadas histriônicas de sua claque ao dizer “E daí?”.

Bolsonaro disse que Dilma deveria sair, “de câncer, de infarto, de qualquer forma”. Sequer o seu sofrimento como sobrevivente de um câncer, ou o seu martírio como torturada pela ditadura, produziram nele uma simples atitude de respeito. Pior ainda; exaltou o torturador responsável pelas atrocidades cometidas contra ela. Agora, em nenhum momento surgiu deste homem qualquer sinal de compaixão diante das mortes pelo Covid19. Nem mesmo uma palavra de conforto ou de empatia; apenas desprezo e escárnio.

Não se trata de acreditar que Bolsonaro é “direto”, “grosso”, “verdadeiro” ou “sincero”. Não, ele é apenas a negação da vida, a rejeição aos valores humanos e a exaltação do fanatismo mitômano.

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Venezuela

Pois eu pergunto se a eleição do partido do presidente Maduro, nas repetidas consultas populares, por acaso não é democrática? Qual o sentido em desmerecer os pleitos realizados durante o período que se inicia com Chavez? Nesta última eleição mais de 200 observadores internacionais convidados participaram da fiscalização e garantiram a justeza do resultado. Por que insistimos em questionar a voz das urnas?

Por que não reconhecer o óbvio: os lobos do capitalismo querem o petróleo da Venezuela – a maior reserva do planeta – e que tudo o que está acontecendo é, de um lado, uma tentativa de rapina desse tesouro e, por outro lado, o desejo do povo organizado de defender sua soberania. Acha mesmo que os relatos da imprensa brasileira (a mesma que esta semana esquece Queiroz e põe uma suposta amante de Lula na capa da IstoÉ) e relatos isolados podem nos informar o que está verdadeiramente ocorrendo? Por que nunca chamamos os chefes de Estado da Arábia de “ditadores sanguinários”, mas sim o presidente da Venezuela, o qual foi ELEITO DEMOCRATICAMENTE?

A solução é voltar ao modelo entreguista pré-Chavez? Ou realizar eleições? Quem sabe propor uma constituinte? Opsss, tudo isso a revolução já fez. E o povo organizado votou por manter os ideais da revolução bolivariana. Ou não?

É óbvio que existem erros e excessos na Venezuela, ninguem tem dúvida sobre isso, mas também havia na Inglaterra durante a guerra contra o eixo. As eleições foram abolidas nesse período mas ninguém ousa chamar Churchill de “ditador”, não?

Pois o presidente da Venezuela sofreu um atentado há algumas semanas!! O presidente americano deixou claro que uma solução bélica está sendo estudada. O Brasil acena com uma base americana nessa fronteira e o “nosso” “presidente” diz que fará tudo para derrubar o governo de Maduro. O país está sendo ameaçado interna e externamente. A Venezuela está sob embargo americano, como Cuba. Acha que é hora de republicanismo? Churchill não entrou nessa, por que Maduro entraria?

Por que podemos dizer que o que estamos vendo nas repetidas eleições de Maduro não é exatamente a resistência da sociedade civil contra a ameaça de golpe com a finalidade de se apoderar das reservas de petróleo? Será que os exemplos da Líbia, da Síria e do Iraque não tem NADA A NOS ENSINAR? Não dá para perceber o MESMO ROTEIRO de fomentar uma dissidência interna, desestabilizar o país, criar milícias e guerras campais, manifestações violentas nas ruas e forçar uma queda do governo colocando um testa de ferro pró americano? Olhe como aconteceu no Oriente médio!!!! Só não aconteceu na Síria pela intervenção russa, e o mesmo se desenha agora na Venezuela. A Venezuela resiste a uma invasão!!!!!

A resposta seria como? Sendo republicano e democrático como foi o PT, permitindo o aparelhamento do judiciário pela pior corja de juízes que já tivemos? Aceitando o julgamento falso de Lula que o impediu de ser democraticamente eleito? Ou deveriam os venezuelanos ir às ruas, apoiar o projeto nacionalista de Maduro pela garantia da autonomia do país, mesmo correndo o risco de cometer abusos e exageros?

E o PT? Deveria se associar à Colômbia, Brasil, EUA e Argentina – dominados por governos alinhados aos americanos – ou defender a DEMOCRACIA que elegeu Maduro, a mesma que nos faltou para eleger Lula?

Estou fazendo perguntas porque não sou venezuelano e não tenho todas as respostas. Apenas acho que a condenação peremptória do governo da revolução bolivariana pelo filtro que recebemos da imprensa golpista – um lixo insuperável no mundo inteiro – não me parece justo.

Quer saber o que é a Venezuela hoje, sob ameaça constante de ataques internos e externos? É o Brasil se Haddad tivesse vencido. Se você fosse venezuelana seria correto condenar o governo do PT e de Haddad se tudo que soubesse do Brasil fosse pelas capas da Veja e da IstoÉ? Pense nisso….

Gostaria que os democratas me dessem soluções para a crise da Venezuela. Com todo o respeito, informes anedóticos não me tocam, em especial de gente da classe média que saiu de lá. Precisa mais consistência e abrangência para me convencer. A crise de lá é terrível, disso não há dúvida alguma, mas alguém me explique por qual via um golpe de Estado patrocinado pelos americanos ávidos por petróleo poderia melhorar a situação. Como? O Iraque melhorou? A Síria melhorou? Como está a Líbia e seu petróleo agora? Nas mãos de quem? Podemos acreditar na imprensa que descrevia Gaddafi – nacionalista – como o diabo sanguinário encarnado? Ou podemos aprender que tudo isto é PROPAGANDA GOLPISTA?

E por último, descrever a “opulência” da vida do ditador – que foi visto num restaurante chique numa visita oficial – é uma estratégia absurda que foi usada contra Castro e contra Lula milhares de vezes. Isso é apenas baixaria e fofoca.

Quero soluções que passem pela democracia e pela proteção da autonomia e da soberania do país. Quem tem?

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Pos verdades

Numa guerra a primeira vítima é a verdade“. Num conflito os “false flags” – encenações de ataques para justificar retaliações – são disparados de todos os lados, e os tolos as recebem de braços abertos, bastando para isso que a mentira se encaixe na narrativa que momentaneamente nos interessa. Pode ser uma causa humanitária – mataram criancinhas inocentes!!! – ou para fazer valer nossos sentimentos racistas e xenofóbicos inconfessos – foram os malditos árabes!!!. Não importa, o objetivo é mirar no coração e deixar a razão de fora dessa briga.

Para tanto bastam cenas chocantes e até com pouca sofisticação; afinal é fácil contar uma história, por mais falsa que seja, para quem DESEJA acreditar nela. Coloque árabes, crianças sufocando, turbantes, cortes rápidos de cena, pais inconsoláveis e temos uma narrativa. Podemos tirar as imagens de vários contextos e de vários lugares, até de datas distintas. Como em um clip musical, seu objetivo é afastar a razão da arena das ideias, e colocar os nossos sentimentos mais primitivos no comando das ações. Da identificação primitiva e profunda que emana das cenas sobrevém o ódio àqueles que as tornaram fato, e a consequente onda de ódio, raiva e por fim o desejo de vingança. Com isso é possível manipular milhões de almas sem uma bala, um canhão ou um soldado.

Esta estratégia foi usada em um famoso “false flag” sobre um ditador na República Centro Africana há uns dois anos. Cenas de crianças sequestradas, usadas como escravas sexuais ou combatentes escravizados inundaram por semanas as telas dos computadores. Muitos bradavam que, por razões humanitárias, os Estados Unidos deveriam entrar nessa “guerra humanitária em nome da civilização“. Tudo muito justo e nobre não fosse o fato de que o ditador não era visto há dois anos e que provavelmente já estava morto. Tudo fantasia pós moderna, tudo pós-verdade. O criador da campanha internacional pela deposição do suposto ditador foi visto correndo nu pelas ruas de sua cidade, em um surto psicótico, quando toda a mentira veio à tona.

Acreditar piamente no que as agencias de notícias nos jogam diariamente é crer que o poder da informação em um mundo controlado pela infotecnocracia é democrático e se pauta pela verdade dos fatos. A importância da Globo nos golpes do Brasil e da Fox na eleição fraudada nos Estados Unidos há poucos anos (reeleição de Bush) nos deixa claro que esta é uma perigosa ingenuidade.

Se é verdade que milhares estão morrendo na Síria, e que algo precisa ser feito, também é certo que acreditar nas informações que nos chegam sem um “double check” das fontes é fazer o jogo infame dos poderosos, os que controlam as armas e a mídia. Reagir a isso não significa fechar os olhos, mas entender que a imposição de narrativas únicas serve a interesses políticos claros, dos quais nós – simples mortais – não somos quase nunca os beneficiários.

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