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Harpias e Gestantes

“Um criador diz que recebeu há alguns anos uma harpia repatriada da Alemanha. O animal foi trazido de volta ao Brasil porque estava doente e poderia morrer. Assim que chegou ao criatório, Azeredo notou que havia em torno do bico na altura do nariz da ave uma grande quantidade de abelhas. Algumas delas entravam nas narinas. Ao mesmo tempo, ele observou que a harpia passou a respirar cada vez melhor até sarar e que as abelhas retiravam das narinas da ave o material para usar no ninho. (Publicação original: Rogério Marcos Peres Lins, incluindo a foto principal. O texto foi extraído da matéria que pode ser acessada por este link)”

Quando a harpia é retirada de seu habitat, onde ela estabelece relações de mutualismo positivas e benéficas com outras espécies, e deslocada para um lugar desconhecido – por mais sofisticado que seja – ela se desequilibra e tende a sofrer. Os cuidadores não conseguiram perceber a importância dos detalhes mínimos – como as pequenas abelhas que limpam suas narinas e as formigas que higienizam seu ninho – que interagem com as enormes harpias produzindo um meio ambiente positivo para ambos. Assim ocorre porque minimizamos os elementos invisíveis aos olhos desarmados e negamos sua relevância. As complexas relações da natureza são empobrecidas pela nossa incapacidade de perceber a teia imensa de conexões entre todos os seus elementos constituintes.

Pois me permitam avançar um pouco mais além nessa análise: o que dizer das parturientes deslocadas para lugares inóspitos e cuidadas por pessoas muitas vezes insensíveis às suas necessidades afetivas, emocionais, pessoais e subjetivas, pois que reduzem o ato de parir a um fenômeno meramente mecânico, para não dizer defectivo, problemático e perigoso?

Com este tipo de ideologia diminutiva sobre a capacidade feminina de gestar e parir e a negação dos elementos psíquicos envolvidos na parturição, não seria de se esperar que houvesse esse desequilíbrio que agora testemunhamos?

Por certo que sim, e a crise na atenção ao parto nos dias de hoje nada mais é do que a materialização deste tipo de desarmonia na ecologia sutil do nascimento…

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