The Aftermath of the Barricades

Creio que não há porque se interessar com a mera OPINIÃO que alguns detratores do movimento das doulas apresentam. Vejam bem… Se o título das matérias sobre este tema fosse “O problema das Doulas”, ou “Humanização e Doulas, conflito de interesses”, ou ainda “Doulas e o excesso de atores no parto”, eu até me informaria melhor para saber que tipo de argumentos poderiam ser apresentados (eu até teria argumentos razoáveis para combater as doulas…). Entretanto, o nome “As espertas da vez” deixa claro na primeira linha, que o texto é ruim, mal escrito, sem embasamento e se constitui apenas de uma grosseria em prosa, um xingamento sem substância e um simples extravasamento de indignação. Textos assim falam muito mais das frustrações e dificuldades do autor do que reais problemas relacionados às as doulas.

 Por outro lado, eu me preocupo com o “aftermath of the barricades“, no dizer de Maximilian. Sim, temos dificuldades terríveis em fazer com que o modelo das doulas seja algo universalizado, exatamente porque muitos ativistas desreconhecem o “outro”. Ou seja: estão com tanta indignação que se esquecem de pensar em paralaxe, mudança de viés, empatia com a necessidade das instituições, etc. Por exemplo, pouca gente se preocupou em se colocar na pele de um administrador de hospital que recebe alguém que que se intitula doula e que não tem NENHUMA condição emocional para estar numa sala de parto. Como saber se esta mulher, assim autodenominada, não é uma psicótica? E como ter garantias que ela vai se comportar educadamente, com respeito aos outros profissionais e com noções mínimas de ética e higiene? Quem se responsabiliza pelas doulas? Quem paga o pato se uma doula influenciar uma mulher a NÃO ser operada (pois a doula “sabe” que não há necessidade) e o bebê não resistir? Existe algum órgão que as coordene, como um CRM, um conselho ou alguma instituição qualquer? Não, não existe, mas basta citar a necessidade de nos organizarmos em nível nacional para que algumas ativistas pirem, se enraiveçam, e coloquem toda a sua indignação contra os “médicos raivosos e grosseiros cesaristas FDP, etc…”.

Parecemos as feministas da primeira hora. Os homens são o “mal” da humanidade. Estupradores, assassinos, violentos, agressores, violentadores de meninas. O “outro” era demonizado, como fazemos com os médicos, com boa dose de razão, mas inequívoco exagero. Precisamos de 40 anos de debates para entender que o patriarcado, a dominação masculina, NÃO FOI UMA INVENÇÃO DOS HOMENS, mas uma criação da sociedade, homens e mulheres. Estas últimas, beneficiárias milenárias das benesses da alienação, somente agora despertam para a necessidade da participação e do protagonismo. No que diz respeito ao parto, somente agora uma parcela ÍNFIMA da sociedade começa a despertar para a importância do protagonismo feminino na sociedade, e no nosso caso em particular, no nascimento dos seus filhos.

Assim sendo, antes de atirar as pedras no modelo é fundamental entendermos o quanto somos partícipes de sua manutenção e disseminação, e ajudar a descobrir formas EFETIVAS de modificá-lo. Abandonar as agressões, o revanchismo, o ódio e descobrir em conjunto uma solução para a inserção das doulas nos hospitais é um primeiro passo, mas não por isso menos importante.

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