Ana Maria Braga e a Humanização

Estamos num momento MUITO CRIATIVO do movimento de humanização. Pela primeira vez, graças ao ativismo (de qualquer tipo, o de gabinete e o de paralelepípedo) estamos tendo uma visibilidade nunca antes alcançada. Portanto, agora é a hora de planejar os próximos anos de luta por um nascimento mais digno e uma maternidade livre de coerções. Minha tese é de que precisamos MUDAR o paradigma de lutas, da mesma maneira que mudamos a nossa atitude ao sairmos da adolescência. Nossa mudança será de uma AGENDA NEGATIVA, que se baseia na exposição das práticas inadequadas, taxas abusivas, violência institucional, níveis de intervenção inadequados, ausência de alternativas e cerceamento de informações sobre riscos relativos, para uma AGENDA POSITIVA, que obrigatoriamente precisa mudar o discurso e mostrar o que pode ser feito de BOM e de correto para o nascimento e a amamentação. Menos acusação e mais proposta; menos acusações a cesaristas e mais exaltação de profissionais humanistas. Deixar de focar em pessoas e mostrar a importância de projetos. Mostrar mais o sucesso das casas de parto, modelos de parteria e dos hospitais públicos humanizados e acusar menos as maternidades tecnocráticas e afastadas das evidências.
Além disso, precisamos de uma atitude PRÓ-ATIVA, que faça propostas de ponta, ofereça alternativas viáveis (e não fantasias irrealizáveis), que negocie com as outras partes (médicos, hospitais, prefeituras, etc.) e que tenha a compreensão e a bondade de aceitar o contraditório. Quando a Ana Maria Braga fala positivamente de partos domiciliares isso deve ser EXALTADO como um progresso na mídia e na própria consciência dela sobre o nascimento. Se isso não é tudo, pelo menos é um gigantesco passo para a visão mais respeitosa e compreensiva de uma grande formadora de opinião como ela.
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