O problema aqui dentro…

Drogas
A medicina ocidental contemporânea, desde os tempos de Pasteur, sofre de um mal crônico e limitador do pensamento. Trata-se da visão exógena da doença, colocando sobre o agente agressor – seja ele químico, físico, biológico ou psicológico – um peso determinante no surgimento e na manutenção dos eventos mórbidos de qualquer natureza. Assim é com a antibioticoterapia, e a crença resultante do malefício das bactérias, vistas há mais de um século como agentes agressores e maléficos para o equilíbrio orgânico. Somente agora, a partir das novas concepções do “biota” e a importância dos elementos probióticos, é que estamos percebendo o imenso significado dos elementos microscópicos que compartilham o espaço físico com o ser humano.

No terreno das drogas ocorre o mesmo. Por razões óbvias acreditamos que as “drogas” – aqui entendidas como aquelas ilegais – são ruins por natureza, por determinarem uma dependência orgânica natural e inexorável. “É da essência da droga viciar“, diz a velha escola dos teóricos do vício drogal. Com isso continuamos a acreditar que o elemento EXTERNO – a substância psicoativa – é a chave para o entendimento da drogadição, negligenciando, mais uma vez, as questões do “terreno predisponente”.

A mim não parece que a ligação sujeito-droga assim se estabeleça, da mesma forma – como disse Pasteur no fim de sua vida – que para que haja uma infecção qualquer é indispensável que exista uma “diátese”, um terreno propício para a sua ocorrência. A partir desta perspectiva, tão cara aos estudiosos da homeopatia, não é a droga que merece ser combatida, mas as condições nas quais está inserido o sujeito drogado, o seu entorno biopatográfico, físico, contextual e psicológico. Sem este entendimento, que eu chamaria de “capacidade mórbida reativa”, continuaremos a investir em uma guerra absolutamente fracassada e sem futuro, e que nunca deu resultado em qualquer lugar que tivesse sido implementada. Lutar contras “as drogas” é tão equivocado como a velha piada de tirar o sofá da sala; as drogas apenas ocupam um espaço deixado vago pelas fragilidades de um sujeito previamente doente.

Por outro lado, sabemos a quem esta guerra inútil e custosa interessa: aos policiais corruptos, agentes políticos e traficantes, que se beneficiam com o submundo das drogas, infestado de propinas, lutas fratricidas por pontos e mercados, subornos e assassinatos em profusão. O que é novidade é perceber que ela também serve aos cientistas que vivem de pesquisas nesta área, e que insistem em colocar como preponderantes os agentes externos – as drogas – sem perceber que até mesmo a drogadição é algo se que processa – primeiramente – entre as orelhas.

Para um sujeito feliz e livre qualquer droga não é mais do que uma enorme perda de tempo. O problema está dentro de nós, e não do lado de fora…

Pois os mesmos questionamentos que fazemos em relação ao uso de drogas podemos fazer em relação ao parto. Para o nascimento também temos as gaiolas que modificam o evento, transformando-o em uma caricatura daquilo que foi outrora.  Tudo o que sabemos sobre a obstetrícia contemporânea é observando mulheres “enjauladas” em hospitais. As pesquisas, os valores, os dados, as estatísticas, toda a informação é colhida de mulheres inseridas no modelo hospitalar. Por mais que o ambiente procure ser menos agressivo (o que ocorre apenas em alguns contextos mais modernos), o contato com pessoas desconhecidas, os ruídos estranhos, as máquinas frias e as substâncias exógenas (como anestésicos e ocitocina) injetadas na corrente sanguínea acabam por TRANSFORMAR o evento do nascimento, descaracterizando-o de sua expressão natural e original. Não é mais o PARTO que estamos observando, mas o parto hospitalar, o parto médico, o parto confinado e o parto artificial. Como diria Maximilian, “não é mais no parto, mas seu simulacro“.

Assim como um rato não se comporta da mesma forma estando preso em uma gaiola, as mulheres não agem com a mesma naturalidade confinadas em um ambiente hospitalar.

O ambiente, por sua vez, produz inequívocas manifestações no sujeito nele inserido, e um ambiente hospitalar inspira medo, temor, apreensão e angústia. Estes sentimentos, por sua vez, acionam o sistema simpático, através da adrenalina, que atua na economia orgânica no sentido de produzir reações de “fuga ou luta”. Além disso, este hormônio inibe a ação da ocitocina na produção do apagamento neocortical e nas necessárias contrações rítmicas uterinas. A resultante é a ativação da adrenalina e a supressão da ocitocina, produzindo a disfuncionalidade típica dos partos que ocorre em nossos hospitais. Esta disfunção é frequentemente corrigida com a adição exógena de ocitocina e o uso da analgesia peridural (pois as contrações artificiais induzidas pela primeira são dificilmente suportáveis sem o recurso analgésico) e a consequência é a perda total da possibilidade de uma vivência fisiológica do parto.

O parto da forma como é realizado nos hospitais do ocidente é PREJUDICIAL à fisiologia do nascimento exatamente pela falha do sistema médico em trabalhar e reconhecer os aspectos emocionais, psicológicos, sociais, espirituais e contextuais relacionados com o nascimento de um bebê.

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