Toques

Toque

 

O toque vaginal de rotina durante as consultas de pré-natal cabe na definição de ritual que Robbie Davis-Floyd nos ofereceu. “Repetitivo, padronizado e simbólico, carregado de valor cultural“. Mas, com este viés da ritualística aplicada na atenção à saúde, qual o sentido inconsciente (é bom deixar claro) existente na rotina do toque que se realiza como parte da consulta?

Na minha opinião trata-se da submissão do outro ao seu saber. “Eu sei de algo sobre seu corpo que nem você mesma sabe“.

Um sujeito assim autorizado sente-se empoderado com a força que lhe é instituída a partir de um conhecimento superior, e isso aumenta sua distância com relação ao sujeito-paciente. É pela potência inconsciente dessas ações que elas permanecem vivas e fortes, mesmo com as evidências apontando para a direção oposta.

O exame de toque pode ser útil em várias circunstâncias, no pré-natal e no trabalho de parto. O que é preciso dizer é que realizá-lo de forma protocolar ou rotineira é um erro e não tem embasamento científico, caindo na definição de ritual. Além disso este é um ritual desagradável e possivelmente doloroso e constrangedor. Para ser realizado de forma adequada precisa ser explicado, e realizado apenas com consentimento explícito.

Somos movidos por um fluxo poderoso de emoções, onde nossa razão é muitas vezes um frágil barquinho de papel tentando navegar contra a corrente.

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Arquivado em Medicina, Parto

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