Uma Parábola Política

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Dois jovens entram sem camisa em uma loja, um branco e um negro em um dia de muito calor. O gerente imediatamente chama a polícia que, sem muitas perguntas, estrangula o jovem negro, usa um teaser, coloca algemas em seus punhos e quebra seus dentes com socos.

Ao jovem branco apenas pedem os documentos e o liberam.

Ao ver a cena me pergunto: porque um erro simples é punido com algemas e espancamentos? “Ora, porque é errado.” Mas estava calor, retruco… “Nada justifica. Erro é erro, e isso é uma ilegalidade“.

Ok, respondo, mas porque o negro foi espancado se o branco cometeu o mesmo “crime” é nada foi feito? “Ora, vai querer agora justificar seu erro com o erro dos outros? Ficar sem camisa em um lugar em que isso é vedado passa a ser correto porque outros já o fizeram? Não venha com essas desculpas“.

Nesse momento entram na loja outros rapazes sem camisa e eu aponto: Veja, entraram 16 jovens sem camisa na loja. Vocês não vão prendê-los, espancá-los e algemá-los?

O policial, sob o olhar atento e firme do dono da loja, responde: “Isso não é assunto meu. Não recebi nenhuma reclamação. Não me atrapalhe. Estou fazendo meu trabalho e combatendo o crime.”

Continuo a questionar, enquanto o pobre negro perde a respiração sob o corpanzil do policial que o imobiliza. Pergunto: Será justo que uma infração como essa justifique a expulsão da loja e o espancamento brutal?, ao que sou silenciado pelo dono da loja, que apressando-se à resposta do policial esclarece: “Está na lei. É constitucional. Se o policial concorda e aceita, então está correto. E quem é você para questionar a lei e a polícia?”

Sou apenas um cidadão, respondo. Mas não acho que este outro cidadão esteja sendo preso e humilhado pelo crime de andar sem camisa. Seu crime é outro. Seu crime é ser negro em um lugar onde os negros são sub cidadãos.

O negro levanta a cabeça permitindo que se veja o sangue vermelho pintando o chão da loja. Quase sem força consegue dizer:

– Estou sofrendo pela ousadia de existir e deixar claro meu direito de compartilhar este espaço. E para isso não haverá jamais perdão.

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Arquivado em Ativismo, Ficção

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