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Matheus do IFood

Tadinho do menino do IFood que recebeu agressão e injúria daquele garotão que come cheetos sentado no sofá assistindo novela.

Para minha tristeza o menino acabou caindo na armadilha ao aceitar a conversa do cara sobre “quanto ele ganha“. Não se trata de punir a vítima das injúrias, mas lamentar que a sua resposta revela bastante do inconsciente coletivo dessa nação.

Para mim, ele deveria ter rechaçado de imediato qualquer conexão entre seu valor como pessoa, como cidadão, e o quanto ele ganha. Deveria ter dito desde o início que esse valor monetário em nada influencia o caráter de alguém. Ética e moral não aparecem em contracheque.

Mas…. ao que parece o modelo capitalista faz até o motoboy achar que o seu salário é a medida da sua qualidade moral e humana. Diante de tamanha estupidez que ele mandasse à merda de cara, e dissesse para enfiar seu dinheiro no r*bo. Mas…. jamais abrir a carteira para mostrar o quanto ganha, como se isso pudesse abrir as portas à um bom tratamento.

Pior ainda é ver que no Brasil até um sujeito de classe média que ganha 3 mil por mês se acha rico a ponto de humilhar quem trabalha por menos.

Ahhh, outra coisa. O agressor (o de camisa azul) é doente mesmo. Racista e ignorante, mas a sua mãe tem razão: ele é um sujeito psicologicamente perturbado. Isso não o absolve de nada, mas nos faz entender seu comportamento dentro do contexto da psicopatologia.

Que pague pelos seus erros.

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Anacronismos

Não há dúvida que Monteiro Lobato era racista. Mais ainda, era um eugenista, um entusiasta da KKK e um racista ATIVISTA, mais do que apenas um sujeito com preconceito racial. Foi membro da sociedade paulista de eugenia e divulgador dessas ideias, as quais – no início do século XX – tinham uma aura cientificista.

Todavia, esta não é a mais importante abordagem. O que me parece urgente debater em tempos de “cancelamentos” a respeito da “questão Monteiro Lobato” é o quanto é possível “separar autor de obra” e se é adequado que sejam feitos julgamentos sobre figuras da literatura fora do devido contexto histórico. Ou seja, separar a obra das questões subjetivas de quem a escreveu e não sucumbir ao anacronismo – o julgamento de um sujeito apartado de seu tempo.

Nem é necessário ir muito longe. Na minha própria experiência pessoal existem claras lembranças de uma época em que tais ideias não recebiam da cultura o adequado contraditório. Ao longo de toda a infância eram comuns as piadas racistas, as quais eram contadas impunemente para qualquer um – inclusive por mim – pois eram tratadas na cultura como “brincadeira”, “chiste”, “jocosidade”, etc. Não há dúvida, entretanto, do seu conteúdo racista e segregacionista quando expostas às luzes do século XXI. Usava-se da piada para encobrir um conteúdo separatista, um apartheid informal e subliminar, essencial e estrutural, que se expressava em uma forma extremamente potente de coesão cultural: o humor.

O mesmo ocorria com as piadas homofóbicas. Na minha época um dos humoristas mais celebrados era o “Costinha”, um dos artistas mais engraçados do seu tempo. Entre suas piadas, 90% eram sobre gays, “bichinhas”, como ele dizia, homossexuais com atitudes afetadas. Hoje em dia suas piadas seriam um escândalo, mas apenas 40 anos nos separam do seu auge como piadista. Julgar Costinha – e não suas piadas – seria um anacronismo, assim como julgar Monteiro Lobato sem levar em conta o entorno cultural em que estava envolvido.

Outro aspecto é pensar sobre Monteiro Lobato e esquecer a vida pessoal – e até a obra – de tantos outros escritores. Devemos, por exemplo, esquecer a obra de Heidegger ou Celine por suas vinculações com o nazismo? Seria justo apagar a música de Michael Jackson pelas acusações que recebeu – em vida e depois dela – de abusos sexuais contra menores? É adequado esquecer o racismo explícito de Humberto de Campos e Fernando Pessoa (sim!!!) ou devemos sorver suas obras e descontar os erros de seu tempo?

E a defesa da pedofilia de Simone Beauvoir? Deveríamos relevar estas manchas em sua biografia e continuar aprendendo com seus textos precursores do moderno feminismo? Ou devemos também apagar todos os seus escritos?

E o que fazer com os feitos de médicos brasileiros como Miguel Couto, Roquette Pinto (médico e pai da radiodifusão no Brasil), Renato Ferraz Kehl e tantos outros que participaram da Sociedade Paulista de Eugenia? E quanto a literatura infantojuvenil? Vamos “cancelar” Lewis Carroll pelas acusações de pedofilia que foram feitas contra ele? Deveriam as crianças todas do mundo ser privadas das aventuras de “Alice no país das Maravilhas” pela suspeita de uma falha ética do seu autor? Pior ainda: devemos destruir a obra de Woody Allen, falsamente acusado de abuso sexual, apenas para agradar a “patrulha”? E o que fazer com a pedofilia de Charles Chaplin?

Se um antropólogo achasse, mas areias da Galileia, um manuscrito essênio que revelasse uma mancha moral gritante de Jesus, seria justo acabar com o cristianismo em nome da purificação necessária para limpar esta mácula?

Há um adágio antigo que nos diz: “As virtudes são dos homens, as falhas são do seu tempo”. Eu li toda a obra de Monteiro Lobato na entrada da adolescência e não percebi nenhum racismo explícito nela. Não que não houvesse; ela estava evidente na topografia dos personagens, mas este racismo sutil ainda era invisível nos anos 70. Somente agora podemos percebê-lo para julgar sob esta nova perspectiva.

O mesmo digo dos outros autores. Não há mal algum em apontar a pedofilia, o nazismo e o racismo nos autores. Também é justo mostrar estes erros nas obras que escreveram, mas é fundamentar não se deixar levar pelo anacronismo, julgando um sujeito fora do seu tempo e da cultura que o envolvia.

Monteiro Lobato e muitos outros devem ser mantido nas escolas exatamente para que se possa debater com os alunos sobre os valores de meados do século XX. Apagar a história, mesmo em nome de valores nobres, empobrece a cultura.

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Realidade em preto e branco

Copacabana, anos 70

Mais uma imagem que mostra o apartheid do Rio de Janeiro, e de resto o que ocorria em todo o Brasil. O Rio é uma cidade mestiça, com muitos negros e mestiços, mas a praia sempre foi de exclusividade dos brancos. Os negros e pardos aparecem nestas imagens apenas como serviçais, empregados, trabalhando onde os outros descansam e/ou se divertem.

Para aqueles que diziam não haver racismo nesta época eu apenas lembro que a expressão deste problema social só ocorre quando existe algum tipo de tensão e conflito. Nessa época havia a “paz do silêncio”, quando a questão racial era escamoteada e escondida. Até mesmo os negros sobreviviam se adaptando a uma sociedade que não foi construída para eles, de mulatas do Sargentelli a jogadores de futebol.

Cada um olha para essas imagens e extrai delas o que deseja. Eu não posso evitar o choque de ver a construção racista do nosso país. Não quero abrir polêmica, apenas lembrar do racismo em que vivíamos ao mesmo tempo que sofríamos a repressão de um regime brutal. As imagens concordam comigo.

Mas… sim, como era bom ser branco e de classe média no Rio dos anos 70.

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Anderson

Anderson França o que está ocorrendo com você? Está tendo uma crise tardia de baixa autoestima? É assim que você mede a qualidade do que escreve?

Depois de criticar um post onde ele chamou de racista uma mulher cuja observação foi: “os chineses deviam observar seu hábitos alimentares“, ele ofendeu a mim e outra interlocutora dizendo (que novidade!!) que não tínhamos “interpretação de texto”. Sua resposta para mim foi “Boa tentativa, mas ainda sou relevante para milhões”. Sério? Sua resposta é, tipo… “Não importa seu argumento, muitos gostam de mim”. Mesmo???

Meu caro, Gustavo Lima tem 11 milhões de pessoas que o seguem e ele ficou bebendo cachaça ao vivo e dizendo palavrões, mas acho que nem ele responderia uma crítica com tanta arrogância. “Sim, estimulo alcoolismo, mas sou relevante para milhões”.

Isso lá é argumento?

Onde está seu contraditório? Eu expliquei que um hábito alimentar nocivo dos chineses pode estar na origem de PANDEMIA e você insiste na tese de que criticar isso é racismo? Não pode criticar o Idi Amin porque era racismo contra negros? Dizer que as ideias genocidas do Pol Pot eram uma ameaça ao planeta é preconceito com asiáticos?

Claro que temos hábitos para comer igualmente bizarros, desrespeitosos e ruins no ocidente, mas esse é um FALSO DILEMA. Criticar o hábito de comer pangolim e morcego NÃO IMPEDE as críticas ao confinamento degradante de gado, agricultura predatória, maus tratos com animais ou o hábito de comer tatu no Brasil. Mas o dia que descobrirem que a “doença do tatu” é um vírus que se espalhou pelo mundo todo por uma comida brasileira esse hábito pode e DEVE ser criticado até nas grotas do Uzbequistão, ou qualquer outro lugar que venha a ser afetado por nós.

Se descobrissem que escargot aumenta o risco de Alzheimer deveríamos ficar quietos para não ofender franceses? Se estamos desmatando a Amazônia criticar esse crime é preconceito com “cucarachas”?

Anderson… Veja o que você está fazendo com sua fama. Não se escrotize.

Claro… depois de ser criticado, me excluiu. Entendo os dramas do Anderson e sou solidário com seu sofrimento, mas quem não se aguenta 5 minutos no ringue da Internet e sai ofendendo adversários no terreno das ideias não pode se meter a escrever, principalmente se quer acusar os outros de racismo.

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(In)Dignidade Médica

Entrei nesse grupo – incluído por alguém – há pouco menos de 10 anos e pude testemunhar o pior da espécie humana nos 15 minutos que consegui permanecer naquele antro pestilento de reacionarismo e racismo. Os médicos – como grupo e como corporação – são a escumalha fascista da sociedade. Sua representação política (CRMs e CFM e até os sindicatos) são fiéis representantes do que existe de pior na sociedade brasileira.

O racismo, o fascismo, o preconceito de classe, a arrogância, o preconceito de gênero (as agressões contra Dilma eram misóginas e nojentas) e o TOTAL descompromisso com a saúde da população estão representados nestes órgãos. Só o que vale é a proteção do quinhão, dos privilégios, das vantagens e dos benefícios. Sanguessugas do povo, aproveitadores e enganadores.

E não digo isso agora; minha visão negativa da estrutura dessa corporação tem a idade da minha inserção nela. “Dignidade Médica” é apenas a ponta de lança mais desavergonhada do fascismo da nossa classe médi(c)a. Puro lixo.

Sim, há muitos médicos de qualidade técnica, ética e moral, mas nenhum nesses lugares.

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